BC aponta inflação no centro da meta só em 2013

Publicado em 29/06/2011 09:45 e atualizado em 29/06/2011 10:27 198 exibições
Com muita determinação e esforço do Banco Central (BC), a inflação tocará o centro da meta, de 4,5%, em 2013. A convergência para a meta será feita em 2012, mas o centro da meta será tocado em horizonte mais longo. Essa é a interpretação que analistas fazem do Relatório de Inflação neste início de negócios no mercado financeiro.

A curva de juros sobe e não está descartada a possibilidade de embutir dois aumentos consecutivos da Selic. Um deles, de 0,25 ponto percentual em julho, já está embutido na curva. O segundo aumento, também de 0,25 ponto em agosto, não está totalmente incorporado à curva. Mas a probabilidade disso ocorrer é elevada, comentam tesourarias bancárias consultadas pelo Valor nesta manhã.

O BC vê sinais mais favoráveis para a inflação, mas não despreza as incertezas “elevadas e crescentes” quanto ao cenário global e, em escala menor, quanto cenário doméstico.

De fora, o comportamento dos preços das commodities – embora em arrefecimento – é o principal risco inflacionário.

No Brasil, o mercado de trabalho aquecido e os salários preocupam. No Relatório de Inflação, o BC alerta para a concentração de negociações salariais importantes no segundo semestre deste ano.

Ampliando o horizonte, o BC inclui no seu leque de preocupações os aumentos previstos para o salário mínimo nos próximos anos – o que sugere velada crítica da autoridade monetária ao cálculo de reajuste do salário mínimo, que prevê correção de valores pelo IPCA do ano anterior, acrescido do PIB de dois anos antes.

O BC lembra que “moderação salarial” é elemento-chave para um cenário macroeconômico com estabilidade de preços.

Outro risco para a inflação, segundo o BC, é o comportamento das expectativas. O BC diz que existe o risco de que os níveis elevados da inflação mensal e da acumulada em doze meses verificados desde o final de 2010 continuem a influenciar as expectativas de inflação, tornando sua dinâmica mais persistente.

Para o BC, o crédito embute risco inflacionário e macroprudencial. No entanto, o BC também reconhece que o crescimento contínuo da relação crédito/PIB, o que, entre outros fatores, contribui para ampliar o poder da política monetária no Brasil.

Fonte:
Valor Online

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