Plano para dívida grega pode resultar em moratória, diz agência

Publicado em 04/07/2011 12:02 230 exibições
Standard and Poor’s rebaixou nota de crédito da Grécia. Comissão Europeia diz buscar modelo que não acarrete moratória.
A agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor's anunciou nesta segunda-feira (4) que rebaixou o rating de longo prazo da Grécia de B para CCC. No comunicado que acompanha a decisão, a S&P aponta que um pacote de financiamento das necessidades da Grécia entre 2011 e 2014 pode exigir uma reestruturação da dívida do setor privado que seria considerada um default efetivo (moratória) pelos critérios da agência.

Os projetos concebidos pelos credores, sobretudo franceses, para contribuir ao novo plano de resgate da Grécia "conduziriam provavelmente a uma interrupção de pagamentos segundo nossos critérios", afirma a agência em um comunicado.

Um plano proposto pelos credores franceses oferece reinvestir 70% dos valores reembolsados pela Grécia como obrigações que chegaram ao vencimento. Destes 70%, apenas 50% seriam colocados em títulos gregos a 30 anos. Os 20% restantes seriam mantidos como um instrumento de garantia. Uma segunda opção comprometeria os credores privados a reinvestir 90% das quantias reembolsadas pelo estado grego em novas obrigações a cinco anos.

Segundo a agência, cada uma das duas opções de financiamento apresentadas pela Federação Bancária Francesa (FBF) em 24 de junho provavelmente significaria um default.

“Sob nossos critérios, duas condições precisam existir para que uma troca de dívida ou reestruturação semelhante seja qualificada como default efetivo: que a transação seja vista por nós como resultado de condições de estresse e não como puramente oportunista e que 'a troca ou reestruturação similar' faça com que os investidores recebam menos valor do que o prometido por seus títulos originais”, comentou a S&P.

“Embora não consideremos que cada uma das opções de financiamento da FBF seja estritamente uma 'troca', vemos que cada uma cai na categoria do que chamamos, pelos nossos critérios, de 'reestruturação similar'', acrescentou a agência.

Comissão Europeia
Também nesta segunda, a Comissão Europeia insistiu que procura modelo de integração dos credores privados no resgate da Grécia que não acarrete a declaração de uma moratória.

"O objetivo repetido pelos ministros de Economia da zona do euro é precisamente evitar uma situação deste tipo", de declaração de moratória da dívida, explicou o porta-voz de Assuntos Econômicos e Monetários na Comissão Europeia, Amadeu Altafaj.

O porta-voz lembrou que "ainda não foi escolhido nenhum modelo concreto de envolvimento do setor privado em um segundo programa para a Grécia", e que estudam as diferentes opções "com as instituições financeiras", por isso que não deve "haver precipitação".

Altafaj minimizou a importância do comunicado emitido no sábado pelos ministros de Finanças da zona do euro no qual abrem a porta para atrasar a decisão sobre o segundo resgate da Grécia além da próxima segunda-feira, como estava previsto.

O porta-voz calculou que os principais elementos do resgate serão acordados durante a reunião de ministros de Finanças da zona do euro na próxima segunda-feira, enquanto os critérios de integração do setor privado poderiam levar "algumas semanas" mais.

De qualquer maneira, considerou que "os elementos fundamentais (do resgate) deveriam estar claros para todos os participantes dos mercados antes deste verão" e confia que "isso será possível".

Fonte:
Valor + EFE + France Presse

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