Na Reuters: Mesmo com acordo, dívida dos EUA pode perder nota máxima

Publicado em 01/08/2011 07:36 e atualizado em 01/08/2011 11:56 664 exibições
Os investidores impulsionavam as ações e vendiam ativos mais seguros nesta segunda-feira, apostando que o acordo de último minuto em Washington significará que a economia dos Estados Unidos evitará um calote de dívida. Existe a possibilidade, porém, de que agências de classificação de risco rebaixem os Treasuries (títulos da dívida americana), tirando-os da nota "AAA", medida que pode ter impacto sobre os valores de uma série de outros ativos.

Os mercados também digeriam dados que indicaram um crescimento estagnante na economia global, com a atividade industrial chinesa desaceleramndo e a produção manufatureira reduzida na zona do euro.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na noite do domingo que republicanos e democratas do Senado e da Câmara dos Representantes (deputados) chegaram a um acordo para elevar o teto da dívida do país e evitar uma moratória parcial, que poderia ocorrer a partir da terça-feira. O consenso permitirá que Tesouro empreste mais dinheiro para manter os compromissos, em troca de cortes de gastos governamentais de US$ 1 trilhão, valor que deve chegar a US$ 2,4 trilhões em dez anos.

O acordo, no entanto, ainda deve ser votado pelos parlamentares, mas isso deve ocorrer apenas na segunda-feira. Enquanto isso, os legisladores revisarão o novo plano. O acordo foi negociado a portas fechadas entre a Casa Branca e o líder da minoria republicana, Mitch McConnell. Tanto o presidente Obama como o vice-presidente Joe Biden tiveram um papel ativo nas conversas.

No Congresso americano, líderes do Senado - com maioria democrata - e a Casa dos Representantes - liderada pelos republicanos - informaram que apresentarão para suas bases o rascunho do plano na segunda-feira, antes da votação final para aprovar o acordo.

Obama não entrou em detalhes sobre os números do plano, mas ele assegurou que os cortes de gastos colocarão as despesas domésticas no "nível mais baixo anual desde que Dwight Eisenhower era presidente" (1953-1961), mas "a um nível que nos permitirá fazer investimentos necessários para criar emprego, em setores como o educativo ou o de pesquisa". Nos próximos meses, o presidente vai continuar comunicando aos legisladores seus argumentos em defesa de um "plano equilibrado", que acabe acrescentando retoques ao acordo atual para "finalizar o trabalho".

Entenda
No último dia 16 de maio, os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões). Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente, mas só pode continuar dessa forma até a meia-noite de terça-feira.

Segundo levantamentos do governo, o país não teria mais dinheiro disponível para honrar seus compromissos no próximo dia 2 de agosto. Líderes empresariais e financeiros advertiram que o não cumprimento dos pagamentos se traduziria em consequências catastróficas para a frágil economia americana, que ainda luta com um persistente desemprego de 9,2% na esteira da crise global de 2008.

EUA: Congresso pode votar hoje acordo sobre dívida anunciado por Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou no domingo um acordo de última hora para elevar o teto de endividamento dos EUA e evitar uma moratória catastrófrica. Ele instou legisladores a "fazer a coisa certa" e aprovar o acordo.

Pondo fim ao embate apenas dois dias antes do prazo para elevação do limite de endividamento, a Casa Branca e os líderes congressistas disseram que o acordo implicaria num corte de cerca de 2,5 trilhões de dólares do déficit do país nos próximos 10 anos.

Com líderes republicanos e democratas em acordo, o Senado deve votar a proposta na segunda-feira, disse um assessor do Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, disse que colocaria o acordo em votação assim que possível.

No valor:

Congresso dos EUA pode votar hoje acordo sobre teto da dívida

A Câmara e o Senado americano devem votar nesta segunda-feira o acordo sobre a elevação do teto da dívida federal e corte de déficit, um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciar um acerto.

"Os líderes de ambos partidos nas duas Casas alcançaram um acordo que vai reduzir o déficit e evitar o default", disse o dirigente americano ontem à noite na Casa Branca.

O Washington Post reportou que a passagem do acordo ainda não é certa na Câmara, uma vez que republicanos céticos avaliam os detalhes.

Pelo acerto, recordou o jornal, o limite de endividamento americano vai ser ampliado em etapas. Hoje, ele está em US$ 14,3 trilhões e deve ser elevado em US$ 2,4 trilhões.

"Há ainda alguns assuntos muito importantes para serem considerados pelo membros do Congresso", disse Obama a repórteres na Casa Branca. "Mas eu quero dizer que líderes dos dois partidos nas duas Casas chegaram a um acordo que irá reduzir o déficit e evitar o default --um default que poderia ter um efeito devastador na nossa economia."

"Eu quero instar os membros dos dois partidos a fazer a coisa certa e apoiar este acordo com seus votos nos próximos poucos dias", acrescentou Obama.

Ele disse que a primeira fase do plano de duas etapas prevê economias de cerca de 1 trilhão de dólares na próxima década. O 1,5 trilhão de dólares adicional em cortes deveria ser definido por um comitê do Congresso até dezembro.

Os mercados financeiros deram sinais de alívio pelo acordo ter sido obtido antes do prazo final de terça-feira, com um salto dos índices futuros de ações e do dólar no final do domingo.

Parlamentares dos EUA votarão nesta segunda-feira acordo sobre dívida

Após meses de debate, parlamentares republicanos e democratas devem votar nesta segunda-feira um acordo, que tem o apoio da Casa Branca, para elevar o limite da dívida dos Estados Unidos e evitar um default do país.

O Senado, de maioria dos democratas, deve aprovar o acordo, que eleva o teto da dívida e corta cerca de 2,4 trilhões de dólares do déficit na próxima década.

O acordo, no entanto, deve enfrentar alguma oposição na Câmara dos Deputados, onde tanto os parlamentares conservadores e os liberais expressaram descontentamento.

Fonte:
Reuters + Valor Online

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