Plano da dívida dos EUA piora as condições econômicas, diz PINCO

Publicado em 02/08/2011 19:41 e atualizado em 02/08/2011 21:16 358 exibições
A aprovação em Washington da legislação que eleva teto da dívida nacional pode ter piorado as condições para a economia, ao invés de melhorá-la, afirmou Mohamed El-Erian, executivo-chefe e coexecutivo-chefe de investimento da Pacific Investment Management Co (PIMCO), maior administradora de fundo hedge do mundo, em entrevista ao “Wall Street Journal”.

El-Erian disse que sua companhia revisou em baixa a perspectiva de crescimento para os EUA, citando como principais fatores os persistentes problemas no país e na Europa. Ele avalia que existem “grandes chances” de os EUA sofrerem um rebaixamento de crédito e que o ambiente atual é de "um momento de elevada incerteza” para os investidores.

“Estamos fora de perigo, no sentido de que vamos evitar esta ameaça real de default técnico”, disse El-Erian. “Contudo, se você julgar isso em termos de objetivos mais amplos, que é colocar os EUA no rumo de um crescimento de médio prazo e  de viabilidade fiscal no médio prazo, podemos dizer que as coisas ficaram piores, ao invés de melhores”, acrescentou.

Desemprego elevado e persistente, fraco crescimento, questões relacionadas ao equilíbrio e o fracasso dos políticos em lidar com problemas estruturais profundos da economia estão entre os motivos citados por El-Erian para a perspectiva pouco otimista. Ele também expressou preocupações sobre a questão da dívida soberana na Europa e a incapacidade do continente de sair desta situação.

“Havia um reconhecimento em Washington de que esta era uma crise artificial”, disse El-Erian. “E é por isso que não conseguimos o resultado que nós, como uma sociedade, éramos merecedores em termos de enfrentamento dos nossos problemas estruturais”, acrescentou.


PROBLEMA DAS AGÊNCIAS DE RATING

O executivo da PIMCO também destacou que as agências de rating americanas são outro problema pendente no sistema financeiro. Há muito tempo que a PIMCO ignora as análises de crédito dessas companhias, mas observa como os ratings estão incorporados no sistema financeiro mais amplo e como eles podem tecnicamente afetar os mercados, disse El-Erian. Em 2009, a PIMC atribuía notas de risco mais baixas para a Grécia do que as concedidas pelas agências de rating.

El-Erian sugeriu mudanças para permitir uma maior concorrência entre as agências de rating e implementação de algum tipo de processo para avaliar o desempenho dessas empresas.

“Sempre que você der um monopólio a alguém”, disse El-Erian, “sempre haverá o risco de que elas terão poder demais”. “Sempre existe a questão de quem classifica as agências de rating. Não está claro quem classifica as agências de rating. E até você responder essa pergunta, a implicação é que nós concedemos a ela poder demais”, acrescentou.
Fonte:
Valor Online

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