País está preparado para lidar com quadro externo adverso, diz Tombini

Publicado em 12/08/2011 11:35 266 exibições
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que o Brasil está preparado caso haja um travamento das condições financeiras ao redor do mundo, mas ressaltou que a crise global demanda tempo para ser resolvida, com um ajuste “incrível” das contas públicas, sujeito a “sobressaltos”.

Dessa forma, fica claro que o crescimento econômico será menor do que o esperado, com políticas econômicas mais frouxas do que se supunha inicialmente.

“A crise da dívida demanda tempo e um ajuste incrível das contas públicas. Convivemos com isso no passado e não é um processo que se resolva da noite para o dia, com uma trajetória sujeita a sobressaltos”, disse Tombini na abertura do seminário sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária do Banco Central.

Segundo ele, o legado da crise internacional é a situação fiscal na Europa e os mercados vêm testando, nas últimas semanas, a capacidade que os governos desses países têm de gerir suas políticas. “Independente de quais sejam os desdobramentos e os eventos específicos, a economia global cresce menos do que se esperava”, afirmou.

A sinalização do Federal Reserve de que as condições monetárias permanecerão frouxas até pelos menos meados de 2013 também superou as expectativas inicias. “O ambiente é mais complexo e difícil”, afirmou Tombini.

Ele lembrou que a crise completa neste mês quatro anos, já que foi em agosto de 2007 que os problemas nas linhas de crédito imobiliário subprime nos Estados Unidos começaram a aparecer.  Mas assegurou que o Brasil está preparado. “Estamos preparados caso ocorra um travamento das condições financeiras.”

Para Tombini, a primeira linha de defesa é o câmbio flutuante. O nível das reservas é US$ 150 bilhões superior ao do momento da crise de 2008, superando hoje US$ 350 bilhões. Além disso, o sistema financeiro está capitalizado, com reservas R$ 170 bilhões acima do patamar pré-crise, índice de Basileia médio de 17% e com uma série de medidas macroprudenciais que reforçaram a solidez do sistema e eliminaram diversas vulnerabilidades dos mercados.

Ele citou ainda a força da economia doméstica, com um mercado interno também maior do que em 2008.

Fonte:
Valor Online

0 comentário