Parceria prevê estímulos ao sorgo sacarino

Publicado em 17/08/2011 10:57 167 exibições
Uma proposta de convênio entre instituições de Minas Gerais e a Universidade de Purdue (EUA) vem sendo discutida para o desenvolvimento de um programa de pesquisa e treinamento na área de bioenergia, que estará focado no aprimoramento das diferentes etapas relacionadas à produção de biocombustíveis. Esse foi um dos primeiros resultados de uma reunião realizada no final da última semana entre representantes da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Universidade Federal de Viçosa e Universidade Federal de Uberlândia. Em maio de 2011, um acordo foi assinado entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais e Purdue, confirmando o interesse de ambas as instituições em estreitar a parceria nessa área.

Segundo a pesquisadora Cynthia Damasceno, o papel da Embrapa Milho e Sorgo nessa colaboração com a Universidade de Purdue será o estudo e a caracterização de cultivares de sorgo de alta biomassa para a produção de etanol de segunda geração. “O convênio estará focado no interesse mútuo das instituições, que é o desenvolvimento de linhagens de sorgo que apresentem uma melhor capacidade de conversão da biomassa em etanol de segunda geração”, explica a pesquisadora. Segundo ela, esse foco é objetivo comum aos programas governamentais para o desenvolvimento de fontes energéticas alternativas, em ambos os países, se referindo também aos Estados Unidos, onde está instalada a Universidade de Purdue.

Essa universidade é uma das instituições líderes na área de bioenergia nos Estados Unidos e nos últimos anos obteve diversos projetos aprovados pelo Departamento de Energia daquele país. Já a Embrapa iniciou o programa de melhoramento de sorgo no início da década de 1970, com a implantação do Pró-Álcool pelo governo brasileiro. Desde essa época o Brasil tem se tornado um dos países pioneiros no uso de bioenergia, “hoje referência mundial com o sucesso da produção nacional de etanol a partir da cana-de-açúcar”, comenta a pesquisadora.

Com a eliminação dos incentivos governamentais à produção de álcool na década de 1980, o programa de melhoramento de sorgo sacarino da Embrapa também foi descontinuado, sendo retomado com o Plano Nacional de Agroenergia (PNA 2006/2011). “A Embrapa tem priorizado o desenvolvimento de cultivares de sorgo sacarino e lignocelulósico, para produção de etanol de primeira e segunda gerações, respectivamente”, explica Cynthia Damasceno. “O interesse de outros grupos em desenvolver parcerias com a Embrapa se justifica não só pelo histórico de pesquisa da Empresa na área, mas também pela disponibilidade de uma ampla coleção de germoplasma de sorgo, que inclui acessos oriundos de vários países, além de variedades e linhagens-elite de sorgo sacarino e híbridos experimentais de sorgo lignocelulósico”, completa a pesquisadora.

Em seu acervo, para a tecnologia de produção de etanol de segunda geração, o programa de melhoramento genético da Embrapa Milho e Sorgo desenvolveu cultivares de sorgo com alta produtividade de biomassa, com potencial de produzirem, em média, 50 toneladas por hectare de matéria seca por ciclo (período de cinco a oito meses). Exemplos são os materiais BR 505, BRS 506, BRS 601 (que ainda permanece no mercado) e BRS 602 . “Atualmente, Embrapa Milho e Sorgo e Universidade de Purdue possuem interesse na área de tecnologia de etanol de segunda geração. Uma grande possibilidade nessa parceria seria o melhor entendimento da composição da parede celular em diferentes acessos de sorgo, gerando benefícios significativos para os programas de melhoramento de sorgo de ambas as instituições”, conclui.

Fonte:
Embrapa

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