Semana traz ata do Copom, IPCA e dados da China

Publicado em 05/09/2011 08:53 318 exibições
A semana tem dois feriados, mas entre eles se concentra uma rodada de indicadores relevantes tanto no front local quanto externo. Por aqui, os destaques ficam com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho e com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que detalha a decisão da semana passada de reduzir a Selic em 0,5 ponto, para 12% ao ano.

Nos Estados Unidos, sai a atividade no setor de serviços e o Livro Bege do Federal Reserve (Fed), banco central americano. Na zona do euro, o foco nas decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE). Está prevista a divulgação da inflação, vendas no varejo e produção industrial na China.

Hoje, os mercados locais operam sem seu principal referencial externo. As praças nos EUA não trabalham devido às comemorações pelo Dia do Trabalho. Na agenda doméstica, aparecem o Boletim Focus, com as previsões de inflação e crescimento, e a balança comercial semanal. Na zona do euro, sai um índice de atividade na indústria.

Amanhã, o dia reserva o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). Nos EUA, tem a atividade no setor de serviços em agosto e, na Europa, sai o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro.

Na quarta-feira são os mercados locais que ficam fechados em função de feriado. Na agenda americana, está o Livro Bege, do Fed.

A quinta-feira tem a ata do Copom, as decisões de juro na Europa, um discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke; à noite, saem os dados da China.

A semana acaba com a prévia do IGP-M, a inflação na Alemanha e os estoques no atacado das empresas americanas.

Mercados na sexta-feira passada

O humor do dia foi ditado pelos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA. Em agosto, não houve criação de vagas, pior resultado em 11 meses, e os números de julho foram revisados para baixo, de  adição de 117 mil para 85 mil postos. A taxa de desemprego, no entanto, permaneceu em 9,1%.

Com tal sinal de fraqueza na economia dos EUA, o dia foi de forte baixa nas bolsas de valores e firme demanda por moeda americana. Esse desempenho sofrível do mercado de trabalho americano deu fôlego ao coro que pede novas medidas de estímulo à atividade. A próxima reunião do Fed acontece dias 20 e 21 de setembro.

* Bovespa

O tom negativo do dia não apagou os ganhos acumulados pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que teve a melhor semana do ano ao subir 6%.

No dia, no entanto, o Ibovespa marcou queda de 2,73%, a 56.531 pontos. O volume somou 7,11 bilhões. Uma realização de lucros já era aguardada, após elevação de 9,8% conquistada pela bolsa brasileira nos últimos cinco pregões.

No mercado americano, o Dow Jones caiu 2,20%, aos 11.240,26 pontos, enquanto o Nasdaq recuou 2,58%, para 2.480,33 pontos, e o S&P 500 perdeu 2,53%, aos 1.173,97 pontos. Na semana, as praças acionárias fecharam praticamente estáveis.

De volta à Bovespa, após a euforia com a queda inesperada da taxa Selic, o foco voltou ao enfraquecimento dos EUA e ao impasse entre a Grécia e órgãos internacionais para que o país europeu conte com o prometido socorro financeiro.

O operador da Icap Brasil Carlos Augusto Nielebock não acredita em um descolamento brasileiro do exterior por conta da decisão do Copom de reduzir os juros básicos da economia. “Ainda há fundamentos para a queda. A falta de confiança faz o mercado andar rápido para cima e para baixo, e o efeito da decisão do Copom para a Bovespa pode ser de curto prazo”, disse.

* Câmbio

Pelo segundo dia seguido, o real ficou entre as moedas que mais perdeu para o dólar no mundo. Além da movimentação dos agentes após a redução da Selic e a expectativas de novos cortes do juro básico, a piora de humor no mercado externo também fez preço.

No fim do dia, o dólar comercial apontava apreciação de 1,17%, a R$ 1,636 na venda. Na máxima, o preço chegou a R$ 1,648, ganho de 1,93%. O giro estimado para o interbancário foi elevado, passando de US$ 2,3 bilhões. Na semana, o dólar ganhou 1,87%.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto avançou 2,39%, para R$ 1,6438. O volume negociado no dia somou US$ 204 milhões, contra US$ 97 milhões no pregão anterior.

Também na BM&F, o dólar para outubro operava com avanço de 1,19%, a R$ 1,6495 antes do ajuste final, mas chegou a R$ 1,6575.

O ímpeto de alta perdeu força no decorrer da tarde conforme passou a circular nas mesas de operação a expectativa de um ingresso de quase US$ 2 bilhões nesta segunda-feira, que seria referente à venda de uma participação de empresa nacional para um grupo chinês.

Olhando o mercado além do intradia, o diretor de câmbio da Renova Corretora, Carlos Alberto Abdalla, reforça sua percepção de que o dólar vai ganhando novos patamares e eles serão cada vez mais elevados.

Tal comportamento da moeda teria respaldo primeiro nas restrições às posições vendidas tanto no mercado à vista quanto no futuro. Segundo Abdalla, os agentes evitam ficar comprados ou vendidos, pois fazer hedge (proteção) está mais caro.

A esse quadro, que já perdurava desde o fim de julho, se soma o aceno de que o Banco Central (BC) seguirá cortando a taxa de juros. Algo que tira atratividade das “apostas” na moeda brasileira.

* Juros futuros

A última sexta-feira foi de ressaca no mercado de juros depois do firme ajuste de baixa promovido pelo corte da Selic em 0,5 ponto, para 12% ao ano. As taxas tiveram acentuada alta na BM&F e operadores notaram a ausência de investidores dispostos a vender juros.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que mostrou crescimento de 0,8%, também contribui para o repique, já que veio em linha com o previsto, algo que tira força da argumentação do Banco Central (BC) de enfraquecimento da dinâmica doméstica.

Por outro lado, a tese de maior enfraquecimento externo, defendida pela autoridade monetária, ganhou respaldo nos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA, onde não foram criados empregos em agosto.

Passada a surpresa e os protestos sobre a decisão do Copom, que pegou o mercado e economistas de surpresa, os agentes tentam entender e se adequar ao que parece ser uma nova “função reação” de política monetária. Ou seja, a forma como o BC responde ao balanço entre inflação e crescimento.

A atenção agora recai na ata do Copom, que deve dar indicações mais claras sobre o que o colegiado esta vendo adiante, bem como em que pé estão as estimativas de inflação para 2011, 2012 e começo de 2013.

Fonte:
Valor Online

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