Choques já foram incorporados por preços ao consumidor, diz ata

Publicado em 08/09/2011 09:48 112 exibições
O Banco Central (BC) divulgou, há pouco, a que certamente é uma das mais esperadas atas da história do Comitê de Política Monetária (Copom). Nela, o Copom destaca que foi “unânime” o reconhecimento de que o ambiente macroeconômico se alterou substancialmente desde sua última reunião, em julho.

Isso justificou uma reavaliação do processo de elevação da meta de taxa Selic, que vinha subindo desde janeiro. Apesar de reconhecerem a forte mudança de cenário, dois membros do Comitê avaliaram que o momento  ainda não oferecia todas as condições necessárias ao início do movimento de declínio da taxa. Assim, o placar foi cinco a dois, estes últimos pela manutenção em 12,50% ao ano.

Entre uma e outra reunião, entende o Copom, o cenário prospectivo para a inflação acumulou sinais favoráveis. No último trimestre de 2010 e no primeiro deste ano, lembra a ata, a inflação foi forte e influenciada por choques de oferta domésticos e externos. Mas os efeitos diretos dos choques, na avaliação do  Comitê, já foram incorporados pelos índices de preços.

Entre os fatores  que elevaram a inflação este ano, a ata reconhece que foram  relevantes os efeitos diretos da concentração atípica de reajustes de preços administrados ocorrida no primeiro trimestre deste ano. Mas  pondera que, em casos específicos, isso mostra sinais de reversão.

O Comitê pondera que esses efeitos ainda deverão impactar indiretamente a dinâmica dos preços ao consumidor, entre outros mecanismos, via inércia.

Também aponta como relevantes, embora decrescentes, os riscos derivados da persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Destaca ainda a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, ponderando que, em tais circunstâncias, um risco muito importante reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação.

Por outro lado, o nível de utilização da capacidade instalada tem recuado e se encontra abaixo da tendência de longo prazo. Isso contribui, avalia o comitê, para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços.

No final do ano passado e início deste, os riscos associados à trajetória dos preços das commodities nos mercados internacionais também foram "chave para o cenário prospectivo". Mas, desde abril, esses preços já mostram sinais de acomodação, explica ainda o texto divulgado pelo comitê. Diante disso, o ciclo de elevação da taxa de inflação em 12 meses acabou. “O cenário central indica tendência declinante”.

Fonte:
Valor Online

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