Ajuste e commodities turbinam Ibovespa

Publicado em 09/09/2011 08:07 138 exibições
A tese do descolamento, com o Índice Bovespa andando em sentido contrário ao dos mercados no exterior, ganhou força ontem. Na volta do feriado da Independência, a bolsa brasileira se ajustou às valorizações que as bolsas internacionais tiveram na quarta, quando o mercado aqui estava fechado. A alta das commodities também ajudou a impulsionar as ações de empresas produtoras de matérias-primas, que têm grande peso no principal indicador. Resultado, o Ibovespa encerrou o dia com alta de 1,80%, aos 57.623 pontos. O giro financeiro somou R$ R$ 6,335 bilhões.

Como a bolsa brasileira está muito atrasada em relação aos outros mercados, qualquer notícia boa é motivo para o Ibovespa subir, avalia Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora. Para se ter ideia, no acumulado do ano, o mercado acionário daqui registra queda de 16,85%.

A alta das commodities trouxe junto valorização para os papéis da Petrobras e Vale. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da estatal do petróleo fecharam em alta de 1,29%, cotadas a R$ 22,80, enquanto as preferenciais (PN, sem voto) subiram 0,93%, a R$ 20,66. Já as ONs da Vale fecharam com alta de 2,20%, a R$ 45,60, enquanto as preferenciais classe A subiram 1,84%, cotadas a R$ 41,41. Juntas, as duas empresas representam 25,07% do Ibovespa.

Dentro do Índice Bovespa, as ONs da Usiminas foram destaque de alta, com valorização de 7,99%, negociadas a R$ 23,65, repercutindo notícia veiculada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" de que Benjamin Steinbruch, dono da CSN, fez uma proposta de compra pela fatia de 26% que Camargo Correa e Votorantim têm na siderúrgica. A oferta teria sido feita semanas atrás e o empresário ainda não obteve resposta. A CSN vem comprando as ações de sua concorrente em bolsa desde o início do ano, atingindo em agosto 11,29% das ONs e 15,15% das PNs.

A notícia também trouxe impacto aos papéis da Gerdau. Isso porque, segundo a mesma reportagem, se Camargo Correa e Votorantim decidirem vender suas participações na Usiminas, a multinacional japonesa Nippon Steel - que também faz parte do bloco de controle da Usiminas - teria preferência na compra. E, na tentativa de conseguir outro candidato à compra das ações, os japoneses teriam iniciado uma aproximação com o grupo Gerdau. Resultado: as preferenciais da Gerdau registraram alta de 4,60%, cotadas a R$ 14,11.

A empresa também pode ser beneficiada pelo plano do presidente Barack Obama, divulgado após o fechamento dos mercados ontem, no valor de US$ 300 bilhões, no qual se prevê um corte de impostos para pequenas empresas na tentativa de criar novos empregos. Como a Gerdau tem uma exposição importante no mercado americano, se esse plano avançar, a empresa pode ser beneficiada, avalia Galdi, da SLW.

A tão aguardada ata relativa à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) - que reduziu a taxa básica de juros de 12,50% para 12,00% ao ano - não trouxe grandes novidades, já que não deu detalhes sobre a deterioração do cenário internacional vista pelo Banco Central (BC). "O documento mostrou o BC mais agressivo, querendo se antecipar a um evento de recessão global, embora esta não seja uma tarefa dele, que é de reagir de acordo com o cenário", afirma Leonardo Milane, estrategista de pessoa física da Santander Corretora.

Fonte:
Valor Econômico

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