Perspectiva de plano para Grécia anima mercados

Publicado em 26/09/2011 13:17 242 exibições
Depois de uma semana de turbulência e perdas, os mercados financeiros começaram em baixa nesta segunda-feira, mas subiram ao longo do dia em meio a perspectivas de um novo pacote de ajuda para combater a crise da dívida na zona do euro, em especial na Grécia.
As ações de bancos alemães e franceses – particularmente expostos ao endividamento grego – tinham, ao redor de 10h (horário de Brasília), algumas das maiores elevações desta segunda, entre 6% e 8%.

Crise na zona do euroNovo pacote de ajuda pode reduzir pela metade dívida da GréciaFMI pode não ter dinheiro suficiente para socorrer grandes, diz LagardeMantega cobra ação rápida da União Europeia contra a criseTópicos relacionadosEconomia, G20, União EuropeiaO índice londrino FTSE 100 tinha alta de cerca de 1%; o Dax, da Alemanha, subia quase 3%, e o francês CAC 40 subia cerca de 1,85%. Os índices americanos Nasdaq e Dow Jones e o brasileiro Ibovespa também abriram com altas.

Segundo fontes do FMI (Fundo Monetário Internacional) ouvidas pela BBC, um pacote anticrise está sendo planejado, e um dos pontos principais deverá ser a redução de até 50% na dívida da Grécia.

O plano também deverá ampliar os recursos de um fundo de resgate da zona do euro (EFSF, ou European Financial Stability Facility), para um total de 2 trilhões de euros – quatro vezes mais do previsto inicialmente. O aumento seria feito a partir de um acordo que permitiria ao Banco Central Europeu emprestar dinheiro em parceria com o fundo.

Governos europeus dizem esperar ter a proposta pronta em até seis semanas.

Espera-se também que investidores privados da dívida grega aceitem reduzir o valor de seus títulos em até 50%.

Publicamente, líderes mundiais descartam a possibilidade de moratória para a Grécia. Mas relatos sugerem que há discussões em curso para permitir que o país dê calote parcial em parte de suas dívidas e permaneça na zona do euro.

Um terceiro elemento do plano almeja o fortalecimento de bancos europeus, diante da percepção de que eles teriam pouco capital para absorver perdas.

União Europeia deve colocar o plano em prática dentro de cinco ou seis semanas
Mas parlamentares dos países europeus temem que os riscos e custos recaiam sobre os impostos pagos pelos seus cidadãos.

Incertezas

Durante o final de semana, representantes do G20 (grupo das economias mais ricas e emergentes) reafirmaram comprometimento com "uma resposta internacional forte e coordenada" à crise, mas analistas preveem semanas de volatilidade nos mercados financeiros, por conta das dúvidas dos investidores quanto à eficácia das medidas e à recuperação das economias europeias e americana.

Na Alemanha, a maior economia da zona do euro, um índice que mede o otimismo para negócios chegou a um de seus níveis mais baixos, segundo relato da agência France Presse.

O editor de negócios da BBC News, Robert Peston, relata que dar eficiência aos pacotes de resgate será um grande desafio, e que um eventual fracasso pode resultar em crescimentos anêmicos ou recessões nas economias desenvolvidas.

Ainda na noite de domingo, o FMI anunciou que seus inspetores vão retornar à Grécia "provavelmente nesta semana", para verificar os avanços obtidos pelo governo de Atenas.

O anúncio foi feito pouco depois do encontro, em Washington, entre o ministro das Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

O ministro disse que seu país continuaria seguindo as regras do plano de austeridade para obter o próximo pacote de ajuda.

Venizelos afirmou que as medidas tomadas por seu governo melhoraram o cenário financeiro do país, mas reconheceu que é preciso fazer mais.

“Se não fizermos esses sacrifícios, nossa soberania está em jogo”, disse.

Catástrofe

O FMI, de Christine Lagarde, diz que vai monitorar avanços da economia grega
O ministro grego para Relações Econômicas Internacionais, Constantine Papadopoulos, disse que deixar a zona do euro seria uma catástrofe para o país.

"Pessoalmente acho que deixar a zona do euro nos levaria de volta para os anos 1960 ou 70", disse ele à BBC, dizendo que o sistema de moeda comum oferece ao país mais estabilidade, financiamento e competitividade por meio de incentivos à modernização.

Nesta semana, o FMI e a União Europeia devem monitorar os progressos que a Grécia vem atingindo em seus planos para a redução de seu deficit.

Atenas ainda recebe dinheiro de um pacote aprovado em maio do ano passado, embora a próxima parcela possa ser cancelada se os inspetores julgarem que o país não está cumprindo as metas de cortes estipuladas.

Analistas dizem que a possibilidade de isso ocorrer é grande.

Sem a parcela deste mês, a Grécia não deve ser capaz de pagar sua dívida a partir de outubro.

Um segundo pacote do FMI e União Europeia foi aprovado para a Grécia em julho deste ano, mas ainda precisa da ratificação de vários países da zona do euro.

Fonte:
BBC

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