Questão Indígena: ONG introduz o agronegócio na cultura dos índios Suyá

Publicado em 14/11/2014 15:34 e atualizado em 14/11/2014 17:53 227 exibições

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A ONG indigenistas Instituto Socioambiental está ensinando índios Suyá a produzir e vender produtos do agronegócio. Tradicional os índios Suyá, o pequi começa a dar renda aos índios que vivem na Terra Indígena Wawi, anexa ao Parque Indígena do Xingu. Desde 2011 a ONG trabalha com um projeto para produção e comercialização de óleo de pequi à empresa de cosméticos Natura.

O pequi é muito apreciado pelos Suyá e faz parte de sua cultura tradicional. Todos os anos eles plantam pequi em suas roças de subsistência. Em 2006, os Suyá plantaram 263 pés de peque em uma roça de três hectares. A plantação começou a produzir neste ano e a primeira colheita está se iniciando.

Além do uso culinário gourmet, que está sendo descoberto por chefs de cozinha, o óleo é tradicionalmente passado no corpo pelos índios. Na cultura popular brasileira o óleo tem várias funções, como hidratante corporal, remédio para problemas respiratórios e repelente de insetos. A frase bem difundida entre os Suyá é que "a roupa do índio era o óleo de pequi".

A ideia de produzir o óleo e vende-lo à empresa Natura surgiu há 14 anos, mas apenas em 2011 o projeto foi colocado em prática com auxílio da ONG. De acordo com o colaborador do ISA, Eduardo Malta, os índios estavam buscando uma fonte de renda para suprir sua necessidade de produtos da cultura ocidental, como tratamento de saúde, combustível para os barcos... “Então o ISA resgatou a ideia do óleo do pequi”, disse Eduardo.

Além da ONG, outros parceiros ajudaram o projeto, incluindo produtores rurais da região. Uma mini usina para extrair o óleo da polpa do pequi foi construída na aldeia Ngohwêrê. É uma casa de madeira que possui vários objetos da cultura ocidental como pia inox para lavar os frutos, fogão industrial onde são cozidos os pequis, máquina despolpadeira (inventada pelo produtor rural não indígena Edemo Correa, de Canarana), além de tacho, batedeira e prensa.

A produção em escala comercial do óleo no primeiro ano foi muito baixa. Em 2011 foram produzidos apenas 3 litros. Esse número aumentou para 10 em 2012. Mas no ano passado a produção saltou para 170 litros. A safra deste ano de 2014 começa agora e se estende até dezembro. Eduardo Malta explicou que o aumento da produção foi possível graças à "sabedoria" dos índios.

A produção do óleo do pequi hoje movimenta todas as aldeias. “Em 2011 eram apenas dois jovens e no ano passado os cerca de 500 índios se envolveram de alguma forma nos trabalhos”, explicou o colaborador do ISA.

Para conquistar um mercado da culinária específico para o óleo de pequi dos Suyá, exemplares com o óleo foram enviados para chefs de cozinha de São Paulo. Um deles foi o chef Alex Atala, premiado nacional e internacionalmente. Alex vai ajudar a desenvolver o rótulo e uma embalagem para comercializar o óleo do pequi dos Suyá. “Ele [Alex Atala] disse que o óleo é incrível, diferente daquele que conhecia, do pequi do cerrado”, explicou Eduardo Malta.

O óleo é vendido a R$ 80,00 o litro e interessados podem adquirir o produto na sede da ONG ISA em Canarana, na avenida São Paulo, Centro, telefone 3478-3491; ou em São Paulo (11) 3515-8900.

Fonte:
Questão Indígena

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