Produtores de MS cautelosos com nova tecnologia da soja

Publicado em 16/04/2012 07:26 797 exibições
Os produtores de Mato Grosso do Sul estão cautelosos em relação à adoção da nova tecnologia desenvolvida pela Monsanto para a soja que deverá estar disponível no mercado para a safra 2012/13. Na segunda-feira (09), a multinacional apresentou na Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) o preço em royalties pela Intacta RR2 PRO, ressaltando as vantagens da nova tecnologia introduzida na planta. O valor estipulado pelos royalties ficará R$ 115 por hectare, cinco vezes os R$ 22 cobrados pela RR1, a atual biotecnologia disponível para soja.
Os produtores alegam que faltam testes de cunho científico para a efetiva comprovação das vantagens prometidas para a RR2. Segundo a Monsanto, a nova soja transgênica é resistente às lagartas, tem tolerância ao glifosato e apresenta aumento substancial de produtividade. Os resultados foram testados nesta safra em cultivo realizado por 500 produtores brasileiros.

Integrante do grupo que realizou os testes, o agricultor Luciano Muzzi Mendes cultivou 2,8 hectares com a nova variedade e considerou o resultado positivo, obtendo produtividade de 4 sacas/hectare superior em relação à variedade que domina a sua lavoura, situada em Maracaju, maior produtor de soja de Mato Grosso do Sul. Ainda assim, Mendes considera que há necessidade de testes mais efetivos para atestar o êxito da nova variedade e aconselha prudência. “Vou destinar 5% da lavoura para a INTACTA, porque um ano é muito pouco para atestar sua viabilidade econômica”, avalia.

Cautela também é a recomendação do produtor rural Luiz Alberto Moraes Novaes. “Nós não conhecemos a estabilidade do produto. É uma tecnologia nova, implantada em uma variedade que não conhecemos”. Mandi, como é conhecido, também é presidente da Fundação MS, instituição de pesquisa agropecuária localizada em Maracaju, e acha que faltam mais testes, com validade científica, sobre a eficácia da nova oleaginosa. “Uma variedade pode se comportar muito bem em um ano e no ano seguinte não. Já tivemos casos assim”, afirma.

A necessidade de comprovação sobre a viabilidade econômica da tecnologia também é apontada pelo produtor Leôncio Brito Neto, apesar de acreditar que produtores mais arrojados vão apostar na nova soja. “É preciso dados científicos. Eu sou mais conservador, tenho receio de tecnologias não comprovadas”, avalia. “Precisamos ter noção em termos percentuais sobre a vantagem a partir da economia e produtividade que ela pode gerar”, enfatizou.

Mendes considera necessário estudar o comportamento da soja em área comercial para comprovar se vale a pena pagar royalties tão altos. “Só é possível dizer se é caro ou barato quando conseguirmos enxergar o resultado da tecnologia. Ainda é precoce fazer qualquer afirmação neste sentido”, avalia.

Para o assessor técnico da Famasul, Lucas Galvan, pondera sobre a relação preço-benefício considerada pelo produtor: “Temos a convicção de que a biotecnologia é uma ferramenta importantíssima para o aumento de produtividade e melhoria nos sistemas de cultivo. O que precisamos e conhecer os benefícios destas tecnologias para que o produtor possa pagar um preço justo pela sua utilização”.

Mato Grosso do Sul cultiva uma área de 1,8 milhão de hectares de soja. Na safra 2011/2012, o Estado colheu 4,7 milhão de toneladas da commodity.
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Famasul

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