Rússia mantém exportações e pressiona trigo em Chicago
Publicado em 31/08/2012 10:33
Grãos: Mercado registra mais uma sessão de realização de lucros
O mercado internacional de grãos, nesta sexta-feira (31), passa por mais um dia de realização de lucros. Os futuros da soja, do milho e do trigo, por volta das 10h (horário de Brasília), operavam com ligeiras perdas na Bolsa de Chicago. Porém, às 10h40, os preços já ampliavam suas baixas e perdiam mais de 15 pontos.
Segundo o analista de mercado Mário Mariano, da corretora Novo Rumo, essa correção dos preços vista hoje chega depois das intensas altas dos últimos dias e também refletindo dados negativos do mercado financeiro.
A crise na Zona do Euro ainda não está resolvida, a situação segue se agravando e a inflação anual já está negativa em 2,6% e a taxa de desemprego é recorde em 11,3%. Além disso, de acordo com Mariano, o mercado também aguarda o pronunciamento do presidente do Federal Reserve - o banco central norte-americano -, Ben Bernanke, sobre se haverá novos estímulos à economia dos Estados Unidos.
"Hoje os dados econômicos globais estão indicando o início de uma realização de lucros", diz o analista.
Porém, como há alguns dias vem sendo dito pelos analistas, o quadro de fundamentos permanece positivo para a soja, haja visto que a oferta limitada continua e a demanda se mantém bastante aquecida. Nem mesmo os altos preços registrados pela oleaginosa em Chicago - que ontem bateu a máxima histórica de US$ 17,80/bushel no vencimento setembro - tem desestimulado a procura pela commodity.
O milho e o trigo também passam por uma correção técninca. O mercado de grãos passa por momentos de bastante volatilidade atentos às informações de demanda, no caso do milho, principalmente, e das notícias vindas da Rússia, no caso do trigo.
Na manhã desta sexta-feira, aconteceu na Rússia uma reunião onde foi decidido que as importações de grãos do país não foram restringidas ou proibidas em função das perdas causadas pela estiagem que castigou a produção.
Porém, analistas acreditam que essa ainda não seja uma decisão definitiva. "O que vemos nesse momento é que isso é mais um talvez do que um não propriamente dito. As condições, segundo estimativas de empresas privadas, apontam para mais perdas do que as anteriormente previstas na safra russa e o ritmo de exportações é muito alto", disse o analista de mercado Gabriel Ferreira, da AFNews.
Segundo Ferreira, no entanto, a tendência é de que essas imposições por meio de taxas, impostos ou até mesmo proibições ainda possam ocorrer em meados de novembro, seguindo o ritmo dos negócios russos. Essas medidas permitiriam que o governo pudesse controlar os preços no mercado doméstico garantindo o abastecimento com uma oferta adequada.
Apesar dessa notícia já estar sendo esperada pelo mercado, poderá haver uma pressão no mercado, estimulando ainda mais a realização de lucros. As altas dos últimos foram bastante expressivas por conta dessa expectativa e, com isso, agora confirmado o não cancelamento, as cotações do trigo poderão sentir essa pressão negativa.
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas