Grãos exibem tentativa de recuperação na CBOT e operam com leves altas
Publicado em 21/09/2012 10:24
Depois da expressiva queda registrada pela soja na sessão desta quinta-feira (20), com o mercado perdendo mais de 50 pontos nos principais vencimentos, a commodity hoje aparenta uma leve recuperação e trabalha com ligeiros ganhos. O milho e o trigo, que também recuaram ontem, nesta sessão operam em campo positivo.
Para Étore Baroni, analista da FC Stone, o dia hoje deverá ser calmo, sem grandes movimentações, com o mercado ainda acompanhando o ritmo da colheita nos Estados Unidos e as expectativas de produtividade para esta safra e também as condições climáticas na América do Sul, onde o plantio deverá ser iniciado nas próximas semanas com a chegada das chuvas. "Agora, o mercado entrará em um compasso de espera, andando de lado observando esses pontos", completa.
De acordo com o analista, de agora em diante o foco dos investidores sairá da safra norte-americana para a sulamericana. O mercado precisa saber qual o real tamanho da produção dos EUA e quais seus estoques finais.
"Com o estoque baixo nos Estados Unidos, o Brasil e a Argentina - com os atuais níveis de preços - irão ganhar em área plantada (...) Precisa produzir. Todo foco agora saíra da América do Norte e virá para a América do Sul".
Nos últimos dias, em função das fortes quedas, o mercado da soja perdeu cerca de US$ 1,30 em alguns vencimentos e, ainda segundo o analista, esse movimento deverá ir perdendo sua força com o mercado focado em conhecer os reais números da colheita norte-americana e como será, de fato, a produção na América do Sul, principalmente Brasil e Argentina.
Plantio da soja no Brasil - A falta de chuvas que pudessem dar o início ao planrio da soja no Brasil chegaram a oferecer algum estímulo positivo aos preços em Chicago na semana passada.
"Uma coisa é certa, o Brasil estava muito quente, a umidade no solo em algumas regiões produtoras estava baixíssima, mas não tem nada atrasado no Brasil ainda, o vazio sanitário acabou há cinco dias. Não tem nada de desespero, está chegando chuva e, como aconteceu na ciclo 2010/11, em praticamente quase todas as áreas o plantio começou com duas a três semanas de atraso e foi colhida a maior safra de soja da história", disse Baroni.
Informações como essa, como explica o analista, acabam segurando o mercado, uma vez que a demanda continua atuante, baixos estoques nos EUA e a necessidade de produção na América do Sul. Além disso, caso o mercado recue ainda mais, a demanda volta a ser atraída por preços menores e ainda há a necessidade de um racionamento da demanda diante de uma oferta tão ajustada.
No entanto, os níveis de preços no próximo ano poderiam exibir outros patamares, segund Baroni, em função das boas expectativas da oferta vinda da América do Sul. "Na minha opinião, com uma safra do Brasil em 82 milhões de toneladas, na Argentina com 56 milhões e no Paraguai com 8 milhões, nã é para o mercado se manter acima dos US$ 16 por bushel", alertou.
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas