Soja continua realização de lucros, mas fundamentos se mantêm

Publicado em 11/02/2013 08:18
Nesta segunda-feira (11), a soja dá continuidade ao significativo movimento de baixa da última sexta-feira (8) e, por volta das 8h50 (horário de Brasília), as principais posições negociadas na Bolsa de Chicago perdiam mais de 17 pontos. O vencimento maio, referência para a safra brasileira, operava a US$ 14,19/bushel e o contrato agora já perdia o patamar dos US$ 14. 

Na sessão de hoje, o mercado continua seu movimento de realização de lucros após o último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Porém, segundo analistas, trata-se somente de um movimento técnico das cotações, já que os números não trouxeram nenhuma novidade ao mercado e tampouco promoveram uma mudança entre os fundamentos.

"Os números do USDA não trouxeram grandes modificações para formar ou mudar uma tendência fundamentalista para o mercado", diz Vinícius Ito, analista da Jefferies Corretora, de Nova York. Para Ito, essa intensa baixa é considerada um movimento técnico pois acontece após fortes altas registradas pela soja que foram fundamentadas pela já conhecida situação de ajuste na atual relação de oferta e demanda. 

"Antes desse relatório, houve uma formação de posição consideravelmente grande. A soja ganhou US$ 1,30 nas últimas cinco semanas, e na última semana tivemos uma realização de 22 cents, ou seja, ainda é um movimento pequeno versus uma tendência razoável de ganho nas últimas semanas", completa Ito.

Tendência de Alta - Apesar das expressivas baixas registradas no pregão desta sexta-feira, a tendência do mercado ainda é positiva diante de fundamentos de oferta e demanda muito positivos atuando nos negócios. Para o consultor de mercado Liones Severo, os dados do departamento norte-americano ainda não exibem a real situação de aperto dos estoques mundiais de soja. Dessa forma, o USDA pode controlar uma alta mais expressiva dos preços e impedir o intenso ritmo em que caminham as exportações dos Estados Unidos. 

Ainda segundo Severo, até o final de agosto o mercado verá a confirmação dos estoques mundiais em patamares historicamente baixos, antes da entrada da nova safra norte-americana, cenário que poderia levar as cotações a atingirem níveis recordes. O consultor afirma que o atual patamar de US$ 14 por bushel é um piso para o mercado "extremamente altista de março".   

Os fundamentos que devem concretizar essa tendência altista para os preços, de acordo com o consultor, deverão ser o atraso na colheita da soja no Mato Grosso, bem como a queda de qualidade dos grãos colhidos no estado em função das chuvas excessivas, e a logística complicando o embarque da produção recém colhida no Brasil, além, das previsões climáticas para a nova safra dos Estados Unidos, que já começam a ser analisadas.  

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Fonte: Notícias Agrícolas

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