Com clima favorável nos EUA, soja tem forte queda na CBOT
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam em queda na sessão regular desta terça-feira (23). Por volta das 14h20 (horário de Brasília), o mercado perdia quase 50 pontos no vencimento agosto/13, deixando o patamar dos US$ 15 por bushel, sendo cotado a US$ 14,73. As perdas nas demais posições eram de mais de 20 pontos. Milho e trigo também operam em queda e intensificam o recuo.
O mercado, segundo analistas, aproveita o momento para realizar parte de seus lucros, depois das expressivas altas registradas na sessão anterior. Ontem, a soja fechou o dia com mais de 20 pontos de altas nos vencimentos mais próximos.
Porém, o quadro de fundamentos permanece o mesmo para o curto prazo, com quase nenhuma soja disponível nos Estados Unidos em um momento em que a demanda não dá sinais de desaquecimento, nem por parte dos importadores e nem por parte do mercado interno norte-americano, com suas indústrias buscando por matéria-prima.
Paralelamente, em linhas gerais, o clima nos Estados Unidos se mantém favorável para o desenvolvimento da safra 2013/14. No último final de semana, foram registradas algumas chuvas no Cinturão de Produção, porém, vieram menos intensas do que o esperado pelo mercado.
Porém, para os próximos dias as indicações são de mais chuvas e temperaturas mais amenas do que as que vinham sendo registradas nos últimos dias, mais um fator que favorece o movimento negativo registrado pelas cotações hoje.
Ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu novo relatório de acompanhamento de safra trazendo poucas novidades, nada além daquilo que já vinha sendo esperado pelo mercado.
"Mas, mesmo assim, os níveis de qualidade de soja e milho estão bem melhores do que os do ano passado. 64% das lavouras de soja estão entre boas e excelentes, enquanto que no ano passado estavam em 31%. E no ano passado, as lavouras estavam sob forte efeito da estiagem, enquanto esse ano o quadro é praticamente normal e o atraso no plantio ainda não é considerado um problema", disse o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.
No caso do milho, as plantações em boas ou excelentes condições caíram de 66 para 63%, um recuo um pouco maior do que o esperado pelo mercado, porém, sem reflexo para um movimento positivo para os preços. "Um fator que o mercado observou e serviu de apelo negativo para os preços é que, na semana passada, as lavouras que estavam em floração eram 16% e nessa semana passaram para 43%, quase metade das lavouras estão em florescimento e as condições atuais de clima são boas para essa fase das lavouras", explicou o consultor.
Brandalizze explica ainda que o que se observa no mercado nesta terça-feira é uma correção técnica das posições para a soja, e uma leve pressão de baixa para milho e trigo com realizações de lucros depois de altas dos últimos dias, além das boas previsões climáticas.
Já segundo o analista de mercado Pedro Dejneka, da PHDerivativos, outro fator que pesa sobre o mercado de soja em Chicago são boatos de que a China estaria vendendo cerca de 3 milhões de toneladas de soja de suas reservas internas. "O prêmio aqui nos Estados Unidos está despencando com a notícia, e por isso temos a soja para agosto com tanta pressão, devolvendo os ganhos de ontem. Já o que segura um pouco o novembro é que muita gente entrou no spread nos últimos dias - comprando o contrato agosto e vendendo o novembro - e agora estão tendo que liquidar o spread, fazendo exatamente o oposto", disse o analista.