Mercado reflete dados do USDA sobre colheita e soja recua na CBOT
O mercado internacional da soja reflete o relatório de acompanhamento de safra divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e opera em queda nesta terça-feira (22) na Bolsa de Chicago. O departamento informou que, até o último dia 20, 63% da área norte-americana já havia sido colhida e esse número veio ligeiramente acima de algumas expectativas do mercado nos últimos dias, quando os investidores passaram três semanas sem as referências dos números oficiais.
Segundo Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, o recuo dos preços também passam por uma realização de lucros após os ganhos de ontem. "O mercado vem realizando lucros hoje, basicamente em cima da situação da colheita da soja, que veio um pouco acima do que o mercado esperava". O consultor explica que, em relação à media histórica, que é de 69%, o atraso não é tão grande, e isso surpreendeu o mercado.
Entretanto, o cenário dos fundamentos permanece inalterado e, passada a pressão sazonal do avanço da colheita nos EUA, a demanda pela soja dos EUA, principalmente por parte da China, deve continuar como mais importante fator de sustentação para as cotações.
Brandalizze explica também que as informações sobre o andamento do plantio da nova safra brasileira chegam ao mercado e começam a ser precificadas, principalmente com as primeiras chuvas chegando à regiões como Bahia, Tocantins e Piauí. "Essas condições de chuvas nessas regiões também começaram a ser comentadas em Chicago", diz.
Já a seca na Argentina, que castiga algumas regiões produtoras, impacta de forma mais expressiva no mercado do trigo, uma vez que os produtores artgentinos contam com uma janela de plantio que vai até dezembro. "Ainda há mais de dois meses para esperar por essas chuvas", afirma o consultor. "E, portanto, essa seca não serve como apelo positivo para o mercado".
Os preços do milho também recuam nesta terça-feira, porém, com perdas bem menos expressivas. Apesar de o atraso na colheita ser bastante significativo - até o último domingo (20) atingiu apenas 39% -, o mercado observou também o índice de lavouras em boas ou excelentes condições reportado pelo USDA que ficou em 60%.
"O mercado olha essa situação como uma possibilidade de ter uma produtividade maior do que o que vinha sendo estimado. Então, houve um fator altista e uma baixista, o que fez com que um anulasse o outro", explicou Brandalizze, o que faz com que o mercado se mantenha na estabilidade.
Entretanto, os investidores ainda estão atentos à uma possível incidência de geadas e até mesmo de neve em estados produtores importantes, o que poderia causar perdas nos campos norte-americanos.