Descolada de Chicago, soja segue em alta no mercado brasileiro

Publicado em 29/10/2013 11:55 e atualizado em 22/01/2014 16:10

Os preços da soja permanecem elevados no Brasil, principalmente no interior do país, bem como os prêmios pagos nos portos brasileiros. O bom momento do mercado, que caminha descolado dos movimentos da Bolsa de Chicago, é reflexo da pouca disponibilidade de produto no Brasil. 

Nesta terça-feira (29), o prêmio sobre o vencimento novembro/13 de Chicago é de US$ 2,60 por bushel e para março/14 é de R$ 0,27. Assim, no interior do Paraná, por exemplo, a saca de soja está sendo negociada entre R$ 75,00 e R$ 76,00 na indústria, e entre R$ 72,00 e R$ 74,00 no mercado de lotes. Ao mesmo tempo, nos porto de Paranaguá, a saca vale cerca de R$ 73,50. 

Atualmente, os estoques de soja brasileiros são de, aproximadamente 5,5 milhões de toneladas para uma demanda que, até fevereiro, deverá chegar a 9 milhões de toneladas, uma vez que o consumo interno é de cerca de 3 milhões de toneladas ao mês, segundo explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

A demanda interna, por parte da indústria e das esmagadoras, segue muito aquecida e disputando o pouco produto disponível. Há uma intensa busca de farelo de soja para a produçao de ração no setor de frangos e suínos e também do grão para a produção de biodiesel. 

"Os meses de outubro e novembro são os dois principais na produção de carnes para demanda interna, para atender o consumo que cresce na segunda quinzena de dezembro e janeiro, que é o início do período das férias, então, agora, estamos em um período de grande demanda no setor de rações". explica Brandalizze. "Isso, automaticamente, deve ser um fator importante para manter soja e farelo em alta e as cotações firmes" completa. 

Apesar dos preços altos, as insdústrias continuam na ponta compradora, mesmo com negócios pontuais e de pequenos volumes, como é típico dessa época do ano. "Os negócios são de pequenos volumes, porque os produtores não vendem grandes lotes, e isso obriga as indústrias a comprarem os pequenos volumes que aparecem, pagando os valores que os vendedores pedem", diz o consultor. 

Ainda de acordo com Brandalizze, esse ano é um ano típico de escassez de produto em época de entressafra no Brasil e, nos próximos meses, não haverá mais soja para comercialização. Nesta temporada, os produtores brasileiros venderam a maior parte de sua safra mais cedo, aproveitando os bons preços já registrados, o que reduziu o volume nesse momento do ano comercial. 

Paralelamente, o ritmo das exportações do complexo soja deste ano foi muito forte, registrando números historicamente altos nos embarques do grãos, farelo e óleo. 

Além disso, o franco crescimento da demanda pelo setor de biodiesel para o óleo de soja, e as indústrias, este ano, estão dando preferência para a compra do grão, uma vez que os preços do farelo se equiparam ao seu preço. "As indústrias de biodiesel compram o grão, tiram o óleo, usam o óleo e vendem o farelo, praticamente, pelo mesmo preço do grão. Então, a margem de lucro para  para esse setor também está bastante atrativa", explica o consultor. 

No mercado brasileiro, a tonelada do farelo está sendo comercializada, em média, de R$ 1200,00 a  R$ 1250,00 por toneladas, números bem atrativos para o setor, uma vez que o poder de compra dos produtores de carnes, no setor de frago, suínos e ovos, também está alto. 

Entretanto, esses preços da soja no mercado interno brasileiro já não contam com muito espaço para subir ainda mais, segundo Brandalizze. Haveria mais quatro semanas de pressão positiva, com a demanda ainda bastante aquecida. "Isso não significa que as cotações continuem crescendo, porque elas já estão bastante atrativas e acima do mercado internacional. Então, existe ainda um potencial grande e esse mercado deve continuar firme em janeiro, já que a nova oferta só começa a chegar de fevereiro em diante", explica. 

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Fonte: Notícias Agrícolas

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