Soja tem correção técnica, mas trigo ainda exibe expressiva alta
Na sessão regular desta segunda-feira (3), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago passam reduziram parte dos expressivos ganhos registrados mais cedo e, por volta das 14h10 (horário de Brasília), o mercado já operava em campo misto. As primeiras posições exibiam um ligeiro recuo, enquanto as demais ainda sustentavam pequenas altas.
Ao mesmo tempo, porém, tanto os futuros do milho quanto do trigo se mantinham em terreno positivo, com o trigo subindo mais de 30 pontos nos vencimentos mais negociados. A crise na Ucrânia e o aumento do risco de um agravamento do conflito com a Rússia trouxe nervosismo ao mercado de grãos nesta segunda-feira.
Os futuros do trigo sobem aos mais altos patamares de preço em 17 meses e os do milho alcançam os valores mais expressivos desde setembro na Bolsa de Chicago. A Ucrânia, que deveria ser a terceira maior exportadora de milho deste ano e aumentar suas exportações de trigo de 7,1 milhões para 9,5 milhões de toneladas, mobilizou seus reservas do exército ao passo que a Rússia assumiu o controle da região ucraniana do mar negro na região da Crimeia, intensificando um dos mais graves impasses com os Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria.
"A forte agitação entre a Ucrânia e a Rússia está dando forte suporte e aos preços globais dos grãos. A importância da região do Mar Negropara a produção e exportação de grãos no cenário mundial cresceu muito nos últimos anos", disse um analista internacional à Bloomberg.
Já o mercado lateralizado no caso da soja reflete uma pequena correção técnica após os intensos ganhos que vêm sendo registrados nos últimos dias. Os fundamentos seguem muito positivos, porém, já são conhecidos pelo mercado e pelos investidores.
O mercado ainda observa com atenção a escassez de soja nos Estados Unidos com muita preocupação, uma vez que a oferta na América do Sul também está comprometida por conta de condições de clima adverso nos principais países produtores.
No Brasil, as àreas produtoras sofrem perdas ou por conta da estiagem do início do ano, principalmente em estados do Centro-Sul brasileiro e, no Mato Grosso, ao mesmo tempo, a colheita é comprometida por conta do excesso de chuvas.
Paralelamente, a demanda não dá sinais de desaquecimento frente à esse quadro. O foco dos importadores agora é garantir seu produto na origem onde a oferta está disponível, o que faz com que as vendas norte-americanas sigam acontecendo em um ritmo bastante acelerado.
A atual projeção do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é de que o país exporte na safra 2013/14 41,1 milhões de toneladas. No entanto, o volume de soja comprometido já passa de 43 milhões de toneladas e os embarques efetivos já somam mais de 35 milhões de toneladas e o ano comercial se encerra somente em agosto.