Soja: Mercado tem correção técnica e fecha em campo negativo

Publicado em 07/04/2014 17:41

O mercado internacional da soja fechou em campo negativo nesta segunda-feira (7). Os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago perderam de 1,75 ponto a 9,50 pontos nas posições mais negociadas, com o vencimento maio/14 encerrando o dia cotado a US$ 14,64 por bushel. 

O recuo dos preços refletiu uma correção técnica e um movimento de realização de lucros depois das altas dos últimos dias, em um pregão de forte volatilidade, com os preços oscilando muito entre a máxima e a mínima. A tendência para os preços, no entanto, não se modificou, já que continua baseada nos fundamentos de oferta e demanda. 

"A volatilidade é mais técnica, já que fundos estão sobrecomprados. A sinalização técnica é de alta, mas o mercado vai precisar mais alguns dias para se firmar. Se ele se mantiver nos atuais patamares, tudo indica que, após o relatório, os altistas encontrem novas razões para entrar comprando", disse Camilo Motter, economista de analista da Granoeste Corretora. Dessa forma, o novo objetivo técnico do mercado é o de alcançar os US$ 15,50 por bushel para o primeiro vencimento. 

Nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu boletim de inspeções de exportações trazendo um embarques de mais de 500 mil toneladas para a soja na semana que terminou no dia 4 de abril. Com esse volume, o total de soja embarcado no acumulado do ano já chega a 40.676,955 milhões de toneladas frente à última projeção de exportações do departamento de 41,6 milhões de toneladas para toda a temporada, que termina em 31 de agosto. 

Frente a esse cenário, como explicou o consultor em agronegócio, Flávio França, os investidores também optam pela realização de lucros e pela correção técnica como forma de posicionar antes do novo boletim mensal de oferta e demanda que o departamento traz nesta quarta-feira, dia 9 de abril. 

Para França, o USDA precisa trazer algumas modificações nos números de exportações, importações ou estoques finais para ajustar os volumes e fazer com que eles condizam com a severa realidade de escassez de produto nos Estados Unidos e de uma demanda ainda forte pelo produto norte-americano. 

"A posição do mercado é sólida até a entrada da nova safra americana", disse o consultor, explicando que, as informações que começam a chegar sobre o plantio da safra 2014/15 dos EUA ganham cada vez mais força e devem exercer uma influência mais expressiva sobre o mercado, principalmente nos vencimentos de mais longo prazo. 

O plantio dessa nova safra já começou sob condições de clima adverso em importantes regiões, uma vez que o início da primavera no país carregou as características do rigoroso inverno que foi registrado no país este ano. Temperaturas bem abaixo da média e até mesmo a incidência de neve em alguns locais têm criado um cenário desfavorável para os trabalhos de campo, os quais poderiam atrasar e ter sua produtividade comprometida. 

Estava programado para esta segunda-feira (7), às 17h, o primeiro boletim de acompanhamento de safra do USDA para a temporada 2014/15, entretanto, o reporte só será divulgado nesta terça-feira (8). O departamento não informou o motivo do atraso e não especificou o horário em que será reportado. 

Milho: Na CBOT, preços recuam frente às previsões de clima favorável nos EUA

Por Fernanda Custódio

Após três sessões em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho terminaram o pregão desta segunda-feira (7) com leves quedas. As principais posições da commodity exibiram perdas entre 1,25 e 2,50 pontos, mas se mantiveram acima do patamar de US$ 5,00 por bushel. O vencimento maio/14 encerrou o dia cotado a US$ 4,99 por bushel, recuo de 0,5% em relação á última sexta-feira (4). Desde o início do ano, as cotações já subiram 18% e na semana anterior alcançou o patamar de US$ 5,12 por bushel, maior nível desde julho do ano anterior.

As previsões climáticas indicando para um clima mais quente em partes do Meio Oeste norte-americano na semana, situação que pode favorecer o plantio do grão no país, pressionaram negativamente as cotações futuras. De acordo com informações divulgadas pela agência internacional Bloomberg, as temperaturas devem subir no Centro-Oeste dos EUA a partir do meio dessa semana e as chuvas diminuírem, favorecendo a semeadura do milho em várias localidades antes da retomada das precipitações no final de semana. 

Em contrapartida, os fundamentos permanecem positivos ao mercado de milho e como fator de suporte aos preços, as vendas semanais do país totalizaram 1.310,564 toneladas na semana encerrada no dia 4 de abril, segundo dados divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Na última semana, o número anunciado pelo órgão foi de 1.335,029 toneladas (número revisado). 

Ambos demonstram que a demanda pelo produto norte-americano está firme e estão bem acima do registrado no mesmo período do ano passado, de 267.851 toneladas. Até o momento, no acumulado no ano safra, que teve início em 1º de setembro, as vendas somam 23.721,666 toneladas, frente as 11.251,804 milhões de toneladas obtidas no acumulado no ano safra anterior.

Paralelo a esse cenário, os investidores também já se preparam para o próximo relatório de oferta e demanda do USDA, que deve ser anunciado nesta quarta-feira (9). Segundo o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro, caso os dados do departamento sejam mais consistentes e demonstrem as perdas na safra brasileira, em função do clima adverso, os preços têm fôlego para apresentar nova valorização. “Ainda assim, as cotações devem ficar próximas de US$ 5,00 por bushel”, afirma. 

BMF&Bovespa

As posições do milho negociadas na BMF&Bovespa trabalham em campo misto nesta segunda-feira (7). O vencimento maio/14 era negociado a R$ 31,66, desvalorização de 0,44%. Segundo analistas, a evolução da colheita da safra de verão e o término do plantio da safrinha pressionam as cotações futuras. 

E diante das incertezas em relação à segunda safra de milho, a negociação da safra brasileira segue em ritmo lento. Ainda de acordo com Ribeiro, a comercialização da safrinha está bem inferior se comparada aos anos anteriores. Além disso, a expectativa é que a segunda safra seja menor, uma vez que, houve uma redução na área cultivada nesta safra. 
   
Apesar do cenário, a tendência é que os produtores ainda tenham boas oportunidades para negociar a produção de milho. “Situação decorrente da redução da área semeada com o milho nos EUA na safra 2014/15, principalmente nos meses de setembro e outubro”, finaliza o analista. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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