Soja: Mercado busca direcionamento, mas fecha em terreno misto

Publicado em 05/05/2014 17:13 1702 exibições

Nesta segunda-feira (5), as cotações futuras da soja fecharam o pregão na Bolsa de Chicago em campo misto. Em dia volátil, as cotações da oleaginosa até esboçaram uma recuperação, mas os primeiros contratos terminaram o dia com perdas entre 1,00 e 8,75 pontos. Já os mais distantes conseguiram se manter do lado positivo da tabela. 

De acordo com o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado ainda aguarda novas notícias para impulsionar as cotações futuras da soja. Os fundamentos para o mercado do grão permanecem positivos, mas esses já são fatores conhecidos pelos participantes do mercado.  

Na visão do consultor, os primeiros contratos da oleaginosa foram pressionados pelos números mais fracos dos embarques de soja dos EUA. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou os embarques até 1º de maio em 99, 50 mil toneladas, contra 254,299 mil toneladas reportadas na última semana.

No acumulado do ano safra, o volume total de soja embarcada pelo país é de 41.453,17 milhões de toneladas, contra 43 milhões de toneladas projetadas pelo órgão norte-americano.

Além disso, o consultor de mercado da FCStone, Giovani Damiano, os prêmios da soja no mercado interno norte-americano estão mais fracos. “A situação decorrente da permanência do produto no mercado interno dos EUA. Com a oferta vinda da América do Sul nos portos do país, acaba sendo redirecionada para outros mercados, inclusive a China, e pressiona as cotações no mercado interno estadunidense”, explica.

Para o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro, a demanda internacional já tem sido direcionada ao Brasil. Com isso, no mês de abril, as exportações brasileiras apresentaram um crescimento de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, com 8,25 milhões de toneladas, volume recorde.

Na contramão desse cenário, os contratos mais longos ainda foram sustentados pela situação de aperto na oferta. O analista da Cerrado, afirma que frente a esse quadro, os preços da commodity devem se manter nos patamares acima dos US$ 15,00 por bushel. 

Ainda nesta segunda-feira, o USDA deve divulgar novo boletim de acompanhamento de safras, que irá apontar a evolução no plantio de soja e milho da safra 2014/15 nos EUA. Até o último dia 27 de abril, a semeadura da oleaginosa estava completa em 3% da área projetada, contra 6%, média dos últimos cinco anos. 

A expectativa do mercado é que esse percentual tenha avançado durante a última semana, principalmente no final de semana, uma vez que as previsões climáticas indicavam temperaturas mais altas e tempo seco em partes do Corn Belt.

Trigo

Os futuros do trigo encerraram a sessão desta segunda-feira (5) em campo positivo na Bolsa de Chicago, após atingirem o melhor patamar em 12 meses. As principais posições da commodity registravam ganhos entre 11,75 e 13,50 pontos. Durante as negociações, os preços foram sustentados pelas preocupações com o clima seco nos EUA.

Uma pesquisa realizada pela agência internacional Bloomberg, com 20 analistas e traders, informou que os agricultores norte-americanos poderão colher a menor safra de inverno de trigo desde 2006.

A situação na Ucrânia também contribuiu para alavancar as cotações do cereal. Agências internacionais informaram que os custos de produção estão mais altos no país, cerca de 20 a 30% nesta safra. Analistas apontam que as cotações dos insumos podem subir ainda mais, devido à pressão inflacionária sobre a moeda do país, hryvnia. 

E, assim como nos EUA, o clima na Ucrânia preocupa os produtores, já que uma forte seca atinge o país e pode colocar em risco o volume de exportações. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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