Soja: mercado perde força e volta a operar com volatilidade
O mercado internacional da soja mudou de lado e, depois de registrar boas e fortes altas no início do dia, voltou a recuar na Bolsa de Chicago. No melhor momento do pregão, o vencimento julho/14 chegou a bater nos US$ 14,34 por bushel e os contratos mais negociados operavam com ganhos de dois dígitos.
Porém, por volta de 12h50 (horário de Brasília), as principais posições perdiam entre 4 e 9 pontos, com o julho cotado a US4 14,07. Já o novembro/14, o mais negociado nesse momento e referência para a safra norte-americana, era negociado a US$ 12,24, perdendo 7 pontos.
A volatilidade do mercado ainda é bastante latente e o mercado passou a recuar depois dos números dos embarques semanais divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Segundo números do boletim, na semana que terminou em 19 de junho, foram embarcadas 61,847 mil toneladas de soja.
Embora esse número tenha elevado o acumulado do ano a 45.524,984 milhões de toneladas frente à projeção do USDA de 43,55 milhões para todo o ano comercial, houve um recuo expressivo em relação à semana anterior, quando os embarques foram de 218,737 mil toneladas.
Chuvas no Meio-Oeste americano
Apesar disso, o mercado ainda observa com muita atenção o comportamento do clima nos Estados Unidos. O Meio-Oeste americano tem recebido chuvas excessivas, as quais têm causado até mesmo inundações em algumas áreas. Três dos estados mais afetados são, como explicou Camilo Motter, Iowa, Illinois e Minnesota, importantes produtores de soja.
De acordo com o economista e analista de mercado da Granoeste, Camilo Motter, foram registradas, nos últimos dias, chuvas generalizadas, chuvas de granizo, rios transbordando e alguns tornados. "As lavouras foram recém implantadas e, nessa fase inicial, chuvas em excesso inibem um melhor enraizamento das plantas", explicou.
De acordo com o instituto meteorológico T-Storm Weather LLC, que fica em Chicago, algumas áreas de Iowa, Minnesota, Dakota do Sul e Nebraska receberam mais de 300 mm de chuvas nesse mês e compromete o desenvolvimento da raíz das plantas em cerca de 11% da área de produção dos Estados Unidos.
Já segundo a agência WeatherBELL Analytics LLC, chuvas mais pesadas mais a noroeste do estado de Iowa, um dos mais importantes na produção de soja, devem provocar problemas de inundação de alguns campos em áreas que vinham sofrendo com alguma situação de seca.
Apesar dessas condições, a percepção do mercado não mudou e ainda não se falam em perdas para a nova safra norte-americana. "Qualquer foto novo é capaz de mover o mercado para um lado ou para outro. Ainda não podemos nos 'animar' ainda com essas notícias, porém, mas isso demonstra a sensibilidade que o mercado vai ter pela frente e o mercado climático ainda está todo pela frente", explica Motter.
Mercado sustentado no Brasil
Enquanto o mercado de soja se mostra com uma direção pouco definida em Chicago neste momento, os bons prêmios pagos nos portos brasileiros têm mantido as cotações sustentadas no mercado brasileiro. Para o vencimento julho, no Porto de Paranaguá, o prêmio está positivo em 36 centavos de dólar e para agosto, 78 cents acima dos preços praticados na CBOT.
"Como Chicago caiu muito nos últimos dias, mais de US$ 1 os prêmios reagiram positivamente, uma vez que houve um recuo dos vendedores (...) e esses prêmios positivos limitaram as perdas do mercado internacional. Considerando um dólar estável, entre R$ 2,22 e R$ 2,23, hoje temos preços melhores do que os praticados ao longo da semana passada", explica o analista da Granoeste.
No Oeste do Paraná, por exemplo, há indicativos de preços em R$ 66,00 por saca, e no Porto de Paranaguá variando de R$ 70,50 a R$ 71,00.
Diante disso, e de uma oferta menor de produto disponível com os produtores ainda retraídos nas vendas, Motter acredita que os preços no mercado interno podem chegar a superar a paridade internacional no período de entressafra. Entretanto, explica ainda que esses podem não ser preços maiores do que os que estão sendo praticados hoje, uma vez que, em Chicago, haverá uma intensa influência do clima nos Estados Unidos e, frente à boas condições, os valores em Chicago poderiam estar mais acomodados.