Soja: dólar e prêmio descolam mercado brasileiro de Chicago

Publicado em 30/07/2014 13:08

Apesar de os principais vencimentos da soja estarem operando em campo negativo nesta quarta-feira (30) na Bolsa de Chicago, o mercado internacional se mostra sem direção neste pregão. Mais cedo, os futuros da oleaginosa perdiam mais de 10 pontos, porém, ao longo dos negócios, foram amenizando o recuo e, por volta de 12h30 (horário de Brasília), o contrato agosto subia 7 pontos, valendo US$ 12,33 por bushel, enquanto o novembro, referência para a nova safra dos EUA, operava a US$ 10,90, caindo 4,50 pontos. 

Entretanto, os prêmios nos portos brasileiros continuam amenizando o impacto das oscilações em Chicago e mantendo, segundo analistas, os preços favoráveis para o produtor brasileiro neste momento. Se somado o valor praticado em Chicago para o agosto mais o prêmio para esse vencimento no porto de Paranaguá - US$ 1,60 - o valor fica próximo dos US$ 14/bushel - US$ 13,93. Assim, a referência para os preços da soja disponível nos portos brasileiros - Rio Grande e Paranaguá - seguem em R$ 67,00 por saca. 

Além disso, nesta quarta-feira, o mercado doméstico é favorecido ainda por uma alta do dólar frente ao real. Com alta de quase 1% às 12h40, a moeda norte-americana bate na casa dos R$ 2,24 e atinge o mais alto patamar em duas semanas . O principal motivador dos ganhos desse ativo é, hoje, o crescimento de 4% da economia dos Estados Unidos no segundo trimestre do ano, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio do país. Esse é o melhor número desde o terceiro trimestre de 2013, quando o crescimento chegou a 4,5%.  

O índice de avanço ficou acima das expectativas e mostra uma franca recuperação da principal economia mundial depois da baixa de 2,1% registrada no PIB norte-americano no trimestre anterior. 

Volatilidade em Chicago

Ainda de acordo com analistas, a volatilidade observada nesses últimos dias em Chicago é natural para esse período de final de mês, com os fundos de investimento executando com maior rapidez e frequência ordens de compra e venda, mexendo com a direção dos negócios. Os fundos buscam ainda um melhor posicionamento ao se prepararem para o início de um novo mês e diante de tantas informações que chegam ao mercado diariamente, especialmente nesse momento de desenvolvimento da safra norte-americana. 

Há muitas especulações sobre o comportamento do clima no Meio-Oeste americano. Se algumas previsões apontam um clima mais quente e seco nas próximas semanas para algumas regiões pontuais do Corn Belt, muitos afirmam que essas condições, apesar de ligeiramente desfavoráveis, não apresentam uma ameaça significativa para o potencial produtivo das lavouras, bem como às expectativas de uma grande safra no país, estimada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em 103,42 milhões de toneladas. 

De outro lado, a demanda continua forte e presente no mercado internacional, com a China, principal importadora mundial da oleaginosa, participando, como sempre, de forma muito significativa nas compras. Somente nos últimos dias, a nação asiática confirmou a aquisição de mais de 3 milhões de toneladas de soja em grão - entre oferta das safras nova e velha dos EUA - e a tendência é de que sua demanda seja 15 milhões de toneladas maior no próximo ano. Atualmente, o volume de compras já é 25% maior do que o registrado no mesmo período do anterior.  

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Fonte: Notícias Agrícolas

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