Soja: Com demanda aquecida, mercado fecha pregão com ganhos

Publicado em 28/08/2014 17:49 1400 exibições

Nesta quinta-feira (28), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão com preços predominantemente mais altos. Durante o pregão, as principais posições da commodity reduziram os ganhos, mas encerraram o dia com valorizações entre 4,50 e 5,00 pontos. Apenas o contrato setembro/14 fechou em queda, cotado a US$ 10,73 por bushel, recuo de 12 pontos.

Na visão do economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o mercado conseguiu consolidar o movimento de alta impulsionado pelos números das vendas para exportação divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira. Para a safra 2014/15, as vendas somaram em 1.290,8 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 21 de agosto.

O destaque foi para a venda para a China, de 655 mil toneladas. Na última semana, o volume divulgado ficou em 1.420,6 milhão de toneladas. No mesmo período, as vendas da safra velha vieram novamente negativas e totalizaram 62,8 mil toneladas, contra 89,7 mil toneladas negativas, divulgadas na semana anterior. 

"Acredito que apesar das semanais deste ano ficarem em campo negativo, as vendas do próximo ano foram positivas. E, depois das quedas dos últimos dias, é normal que haja uma recuperação no mercado", explica Motter.

Em relação à queda no vencimento setembro, o economista afirma que com o fim dos negócios, no próximo dia 12 de setembro, o contrato começa a perder importância. Por outro lado, também é preciso levar em consideração que, os fundos e especuladores já começam a se posicionar para o feriado prolongado, na próxima segunda-feira (1) é comemorado o Dia do Trabalho nos EUA e a Bolsa de Chicago não irá operar.

Safra dos EUA

A colheita da soja já teve início na região Sul do cinturão produtor dos EUA, mas a oferta dina está concentrada regionalmente, como é o caso do Texas. E segundo informações reportadas pelo site internacional Farm Futures, há relatos de morte súbita em alguns campos do Meio-Oeste, porém, ainda não está claro o efeito que a doença pode ter sobre os rendimentos das plantações. 

Enquanto isso, as condições climáticas permanecem favoráveis nos EUA. De acordo com informações reportadas pelo site de notícias internacional DTN Progressive Farmer, há previsões de chuvas de intensidade moderada e forte para essa quinta-feira. As precipitações devem ocorrer, especialmente no leste de Nebraska, Oeste de Iowa, leste de Dakota do Sul e sudoeste de Minnesota. 

"Para o milho e a soja, nada mudou", disse Matt Ammermann, gerente de risco de commodities da INTL FCStone, em entrevista à agência internacional de notícias Bloomberg. "O tempo foi bom, não há risco de uma geada precoce e os rendimentos devem estar aumentando", completa.

“Ainda podemos ter alguma novidade climática. Então, depois de cair tanto, mais participantes do mercado querem ficar comprados na expectativa de alguma novidade climática. Sobretudo com previsões de geadas antecipadas”, destaca Motter.

Mercado interno

A negociação da soja no mercado brasileiro permanece travada, frente à queda nos preços, conforme destaca o economista. Nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, as cotações ficaram, em sua maioria, estáveis. No Porto de Paranaguá, a saca terminou o dia cotada a R$ 62,50 estável, já para o mercado futuro, com entrega em maio/15, o valor recuou 0,87%, negociada a R$ 57,00. Cerca de 15% da safra velha ainda precisa ser negociada.

"Os produtores distribuíram as vendas esse ano, até mesmo na expectativa de que as cotações subissem na entressafra, mas com a boa safra dos EUA, a tendência é de que as indústrias nacionais não absorvam todo este volume. Vamos ver nos próximos dias, porém, os preços andarão no ritmo inverso da oferta dos produtores, se aumentarem muito a oferta cairá ainda mais as cotações", ressalta o economista. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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