Soja: Em pregão calmo, mercado opera próximo da estabilidade na CBOT

Publicado em 01/10/2014 13:27 820 exibições

Ao longo das negociações desta quarta-feira (1) na Bolsa de Chicago (CBOT), as principais posições da soja reverteram as perdas e voltam a operar em campo positivo. Por volta das 12h50 (horário de Brasília), os vencimentos da commodity exibiam ligeiros ganhos entre 0,75 e 1,00 pontos. O contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana, era cotado a US$ 9,14 por bushel.

O analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro, explica que, não há nenhum fator novo no mercado e que o principal foco continua sendo o avanço da colheita da oleaginosa nos Estados Unidos. Até o último domingo (28), cerca de 10% da área cultivada já havia sido colhida, conforme dados reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

"E os números são expressivos e a perspectiva é que o departamento confirme as expectativas para essa safra. Tudo indica que a produção dos EUA ficará bem acima dos 100 milhões de toneladas de soja. Com isso, teremos um aumento nos estoques de passagem da temporada 2014/15, o que tem pressionado o mercado", afirma Ribeiro.

Frente a esse cenário, o analista destaca que a tendência é que os preços da soja oscilem entre US$ 9,00 e US$ 9,50 por bushel até o final de 2014. E, por enquanto, não há expectativa que as cotações apresentem alguma alta expressiva, segundo acredita o analista. "A não ser que tenhamos novas notícias, como uma possível quebra na safra no Hemisfério Sul. Caso contrário, teremos uma pressão de baixa no curto e médio prazo", completa.

Ainda nesta terça-feira, o USDA apontou uma redução de 35% nos estoques trimestrais de soja e foram reportados em 2,5 milhões de toneladas até 1º de setembro. No mesmo período do ano passado, o número foi estimado em 3,84 milhões de toneladas. Em junho de 2014, os números ficaram em 11,02 milhões de toneladas.

Demanda

O analista ainda destaca que, apesar dos números firmes, as notícias vindas do lado demanda são insuficientes para ocasionar uma mudança no cenário. "Quando colocamos os números da demanda frente aos da oferta, eles se perdem. E, nesse momento, o mercado consumidor está em uma zona de conforto em relação à oferta. Isso faz com que os negócios fiquem lentos e quando ocorrem o produtor tem que se sujeitar aos preços oferecidos", destaca Ribeiro.

O mesmo ocorre com as indústrias que não são forçadas a elevar os preços para retomar a comercialização. "Elas (indústrias) entendem que os agricultores não irão conseguir carregar os estoques por muito tempo. E também algumas estão abastecidas e não têm a necessidade de comprar agora", diz o analista.

Mercado interno 

Mesmo com a valorização da moeda norte-americana, cotada a R$ 2,47 nesta quarta-feira, com alta de 1,22%, não tem sido suficiente para estimular as exportações. "Apesar da alta do dólar, os preços mais baixos no mercado internacional, não tem contribuído para deixar o produto brasileiro competitivo", ressalta o analista.

E, mesmo com os prêmios positivos para o próximo ano, Ribeiro afirma que não tem sido o suficiente para a comercialização. Nesse momento, o produtor busca um valor próximo de US$ 10,50, consequentemente, poucos negócios antecipados têm sido reportados. "De um lado o produtor espera melhores oportunidades de negociação, já as indústrias apostam em mais quedas. Então, dificilmente conseguimos ter um volume substancial de negócios", ratifica o analista.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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