Soja fecha em alta nos mercados interno e internacional com irregularidade da safra do Brasil

Publicado em 19/01/2016 16:54

 

Destacao - Comparativo Soja - 19/01/2016

Imagem compara as plantas sofrendo com o calor em Áurea, no RS, à esquerda, e a soja brotando em lavouras de Dourados, no MS, por conta do excesso de umidade

Os preços da soja fecharam os negócios desta terça-feira (19) com patamares mais elevados tanto na Bolsa de Chicago quanto no mercado brasileiro. E a irregularidade da safra 2015/16 do Brasil, que ainda gera bastante especulação, foi apontada por alguns analistas como um dos fatores para o avanço das cotações. 

Na bolsa norte-americana, os principais contratos terminaram o dia com pequenos ganhos de pouco mais de 1,50 ponto e com todos acima dos US$ 8,80 por bushel. Já nos portos brasileiros, a soja disponível terminou com R$ 86,50 em Rio Grande e com R$ 83,00 em Paranaguá. No caso do produto da nova safra, as últimas referências foram de R$ 83,00 e R$ 81,00, respectivamente. 

Além da pouca soja da safra velha brasileira disponível, a nova temporada é marcada por tamanha incerteza que também dá suporte às cotações, uma vez que os produtores nacionais seguem evitando ir a mercado para efetivar novas vendas. As primeiras produtividades conseguidas são mais baixas do que as estimativas iniciais e preocupam. 

Por aqui, o padrão climático mudou, a ocorrência de chuvas também e agora as preocupações são outras. No Brasil Central, as lavouras já estão prontas para serem colhidas, mas o excesso de umidade impede o bom andamento dos trabalhos de campo. Já em pontos da região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, não chove há alguns dias justamente no momento em que as plantações estão na fase de floração e enchimento de grãos, precisando de água. 

Um levantamento da consultoria AgRural mostrou que o país já havia colhido 0,5% de sua área cultivada com a oleaginosa até a última sexta-feira (15), enquanto no mesmo período do ano anterior esse índice era de 1,1% e a média dos últimos cinco anos é de 0,7%. 

E as notícias vão ganhando o noticiário internacional. "A região central do Brasil continua a receber muitas chuvas que não são bem-vindas neste momento, atrasando a colheita", destacou o analista de mercado e editor do site norte-americano Farm Futures, Bryce Knorr. 

A análise de Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora, vai de encontro à  preocupação de Knorr. Para o analista, neste momento, esse atraso na colheita e a redução esperada para a safra do Brasil foram alguns dos principais fatores de sustentação das cotações e explica que, em Chicago, o impacto ainda é limitado. Já no Brasil, porém, é mais abrangente ao sinalizar uma disputa interna pelo grão, haja vistas que os estoques nacionais são baixos e a demanda doméstica, além da externa, também é forte.

Ainda nesta terça-feira, o mercado da soja contou com mais duas informações positivas para a formação de preços. A primeira delas foi o dado de crescimento da China em 2015 divulgado pelo governo local. O índice ficou em 6,9% e o número, apesar de ser ligeiramente menor do que o registrado em 2014, ficou acima das expectativas do mercado e chegaram acalmando o mercado financeiro internacional.

Além disso, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) chegou com um novo número sobre os embarques semanais de grãos do país acima das expectativas, contribuindo para a melhora do fôlego dos mercados.  

Os embarques semanais de soja foram de 1.395,220 milhão de toneladas, contra as projeções de 1 milhão a 1,3 milhão de toneladas. Na semana anterior, o volume foi de 1.245,001 milhão. No acumulado do ano comercial, os EUA já embarcaram 30.425,712 milhões de toneladas contra 34.224,027 milhões do mesmo período do ano comercial 2014/15. 

Para Vlamir Brandalizze, consultor de mercado Brandalizze Consulting, os preços na Bolsa de Chicago ainda seguem travados no intervalo de US$ 8,70 e US$ 9,00 por bushel, mesmo diante de um cenário tão complexo que engloba, além de seus inúmeros fundamentos, os fatores externos como o financeiro internacional e o andamento do dólar frente a uma série de moedas. 

Assim, o consultor acredita que os traders internacionais devem seguir se mantendo cautelosos diante das notícias que chegam do Brasil, já que uma dimensão mais real e bem definida da nova safra deve chegar somente em meados de fevereiro, quando um percentual maior da área já tiver sido colhido. 

Dólar e Preços no Interior

Nesta terça-feira, o dólar fechou em alta frente ao real. A moeda norte-americana subiu 0,51% para R$ 4,0549, no entanto, bateu em R$ 3,9995 na mínima do pregão marcado por intensa volatilidade. 

"O mercado abriu com bom humor por causa da China, mas aproveitou para comprar (dólares) quando o petróleo voltou a cair. Neste início de ano, o dólar tem estado confortável nesses patamares, um pouco acima de 4 reais", explicou o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado em entrevista à agência de notícias Reuters. 

Ainda assim, os preços no interior parecem também tirar um movimento para observar a complexidade do momento e fecharam os negócios desta terça com estabilidade na maior parte das praças de comercialização. A exceção foi Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, com alta de 0,67% para R$ 75,00 por saca e São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, com R$ 72,00 e ganho de 2,86%.

 

Na REUTERS:

Soja sobe em Chicago com demanda por exportações e apreensão com chuvas no Brasil

 

CHICAGO (Reuters) - Os contratos futuros da soja subiram nesta terça-feira na bolsa de Chicago (CBOT) e atingiram máxima desde 23 de dezembro por sinais de boa demanda por exportações dos Estados Unidos e esperanças de mais medidas para estimular a economia da China, grande consumidora, disseram operadores.

Preocupações com chuvas no Brasil desacelerando o início da colheita também contribuíram para os ganhos.

A soja para março teve alta de 2,25 centavos de dólar, ou 0,3 por cento, e encerrou a 8,8125 dólares por bushel.

Os contratos futuros do milho subiram mais de 1 por cento, para máximas de quase um mês, puxados por coberturas de vendidos de investidores e pela força dos mercados físicos de grãos, disseram operadores.

Operadores também citaram dados das consultorias Informa Economics e da Agroconsult, que reduziram projeções para safras de milho nos Estados Unidos e no Brasil, respectivamente.

O milho para março teve alta de 4,5 centavos de dólar, ou 1,24 por cento, para 3,6775 dólares por bushel.

Os contratos futuros do trigo encerraram em direções opostas após sessão volátil, apoiados por compras técnicas e coberturas de vendidos, disseram operadores.

O trigo para março na CBOT teve alta de 0,75 centavo de dólar, encerrando a 4,7450 dólares por bushel, enquanto o trigo duro vermelho de inverno para março, negociado em Kansas City, caiu 1,25 centavo de dólar, encerrando a 4,7275 dólares por bushel.

(Por Mark Weinraub, Michael Hirtzer e Julie Ingwersen)

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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