Com demanda forte e vendas travadas, preços da soja sobem e se aproximam de R$ 90 no disponível do Brasil

Publicado em 20/05/2016 17:57
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O destaque para o mercado da soja na última semana foi, mais uma vez, os negócios e preços praticados no Brasil. As cotações tanto para o produto da temporada atual como da próxima estão elevadas - e inclusive vêm se aproximando - e geraram boas oportunidades para o sojicultores brasileiros. 

Nesta sexta-feira, por exemplo, a oleaginosa disponível fechou o dia cotada a R$ 89,00 por saca no porto de Paranaguá, com alta de 1,14%, enquanto a safra nova - grão com embarque para março/17 - terminou com R$ 90,00 por saca. Já no terminal de Rio Grande, valores de, respectivamente R$ 87,00 e R$ 90,00 por saca. 

No interior do país, quadro semelhante. Os preços pagos pela soja no mercado interno também se valorirazaram e foram destaque nos últimos dis, como explica o consultor em agronegócios Ênio Fernandes. "Isso é uma sinalização de que teremos problemas de abastecimento no segundo semestre", diz. "Em Chicago, não tivemos muitas mudanças, mas tivemos uma grande variação dos prêmios e dos valores em reais", completa. 

O atual quadro é resultado da intensa demanda pela soja do Brasil. As exportações nacionais têm acontecido em ritmo recorde neste ano de 2016 e vêm, portanto, limitando cada vez mais a oferta para o consumo interno por parte, principalmente, das indústrias esmagadoras. 

Termômetro disso são os prêmios. Se considerada a posição de entrega junho/16, de 1º de março ao último dia 18, o valor pago sobre o preço praticado na Bolsa de Chicago passou de 30 cents para 75 cents de dólar, uma alta de 150%. Nas posições mais distantes, durante a semana, esses valores chegaram a passar de US$ 1,00. "E assim vai ser. Se Chicago cair, os prêmios vão continuar subindo", explica Fernandes. 

Somente nas duas primeiras semanas de maio, o Brasil já embarcou 5,2 milhões de toneladas da oleaginosa. Em abril, foram 10,1 milhões, ou seja, 20% a mais do que em março e 50% a mais do que no mesmo mês de 2014. Dessa forma, o país se consolida, nesta temporada 2015/16, como o maior exportador mundial da commodity.

Agora, portanto, as vends do atual ano comercial estão travadas. O volume de soja já comercializada da safra 2015/16, afinal, chega a quase 80 milhões de toneladas. 

"Já estamos dentro da entressafra. O mercado está muito comprador (...) e os produtores que têm soja hoje são poucos, e os que têm, estão capitalizados e estão usando essa soja como um ativo financeiro, como um investimento", explica Vlamir Brandalizze. 

Os sojicultores vêm evitando novos negócios e buscando voltar às vendas somente no segundo semestre, quando a demanda para exportação deverá disputar a oferta com a interna, trazendo preços ainda mais elevados, como explica o consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Leia mais e conheça os números das exportações de soja e todo o potencial que o mercado nacional ainda tem:

>> Brasil mantém competitividade e lidera exportações globais de soja

O câmbio completou o cenário, porém, a semana foi volátil para o moeda norte-americana, com um movimento de alta que se acentuou após a divulgação da ata do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) sinalizando a possibilidade de um aumento da taxa de juros no país. 

Na semana, a divisa terminou com uma leve baixa de 0,15% frente ao real e cotada a R$ 3,5182. 

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Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, a movimentação dos futuros da oleaginosa foi pautada pela forte influência do mercado financeiro. E apesar da pressão severa exercida pela alta do dólar em alguns dias, os fundamentos falaram mais alto e, no balanço semanal, as posições mais negociadas fecharam em alta, com ganhos de 0,07% a 0,87%. Essa foi a sexta semana consecutiva de avanço dos preços na CBOT, que levaram o julho/16 a US$ 10,74 por bushel. 

A exceção ficou por conta dos vencimentos novembro/16, referência para a safra brasileira, que encerrou com queda de 0,47% para US$ 10,49 e pro março/17, que foi a US$ 10,27, perdendo US$ 10,30. 

Durante a semana, baixas intensas foram registradas em Chicago frente à forte alta do dólar - que pressionou todas as demais commodities - e os fundos, mais avessos aos risco, liquidaram algumas posições. No entanto, no final da semana, os fundos voltaram à ponta compradora do mercado e encontraram estímulo ainda em um fator novo, além dos já conhecidos e positivos fundamentos, que foi a demanda por farelo de soja dos Estados Unidos. 

A demanda pelo derivado norte-americano no curto prazo é bastante forte - essencialmente pelas margens positivas de esmagamento tanto nos EUA como na China - e, especialmente nesta quinta (19) e sexta-feira (20) motivaram boas altas de seus futuros negociados na Bolsa de Chicago, puxando também os futuros da soja em grão, como explica o analista de mercado João Schaffer, da Agrinvest Commodities.

"A quebra na Argentina, segundo algumas casas de consultoria, poderia ser ainda maior e o país é o maior fornecedor mundial de farelo. Então, com essa quebra, o fluxo de soja não chegando nas esmagadoras argentinas e sem esse produto no mercado internacional, a demanda se volta para os Estados Unidos, e até mesmo pelo Brasil", diz o executivo. "Trata-se de uma demanda bem pontual, bem curta", completa. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Dalzir, a última vez que você me contestou, você disse que o tempo iria mostrar que você estava com a razão, que o mercado era baixista e que havia amplos estoques de soja no mundo. Preciso esperar mais ou podemos dar esse assunto por encerrado ? - abraços

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Caro Liones...faz quase 2 anos que voce disse que ia subir...portanto é prudente aguardar um pouco mais...claro que não precisa esperar dois anos...

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    • GERALDO EMANUEL PRIZONCOROMANDEL - MG

      Não dou pitaco nesta conversa, porque em briga de tubarão lambari passa longe.

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Caro Geraldo o produtor tem que falar o que pensa não importa onde e com quem..sobre previsão de mercado o produtor também conhece...e sua linguagem se de forma simples ou cheia de frescura o que importa e acertar o máximo...e ninguém acerta todas...isto se chama previsão..

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    • JOÃO ALVES DA FONSECAPARACATU - MG

      Caros amigos,este debate é salutar e proveitoso,principalmente em se tratando de dois homens trabalhadores,experientes,munidos das melhores intenções... Alguém já parou pra pensar como seria o mundo se um opinante de qualquer assunto tivesse sempre razão...Seria o fim da picada,deste equívoco surgem os malditos ditadores...Saudações mineiras,uai!

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    • LIONES SEVEROPORTO ALEGRE - RS

      Caro João, receba o meu abraço com admiração e consideração. obrigado

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