Com influência do USDA, soja sobe mais de 26 pts na CBOT nesta 5ª e volta ao patamar de US$ 10/bu

Publicado em 12/10/2017 17:39 e atualizado em 12/10/2017 20:47
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Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros da soja encerraram o pregão desta quinta-feira (12) com valorizações expressivas. As principais posições da commodity subiram mais de 26 pontos, com alta de mais de 2% e os vencimentos mais longos retornaram ao patamar de US$ 10 por bushel. O novembro/17 era cotado a US$ 9,92 por bushel, enquanto o janeiro/18 operava a US$ 10,02 por bushel.

Conforme informações da Reuters internacional, os preços subiram impulsionados pelas novas projeções de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), reportadas nesta quinta-feira. "As cotações tocaram os melhores níveis dos últimos dois meses", completa a agência.

"Não há dúvida de que o comércio estava esperando um rendimento maior para soja e milho. Mas vê-lo cair foi realmente uma surpresa", disse Mike Zuzolo, da Global Commodity Analítica, em entrevista à Reuters internacional.

Na contramão do esperado pelo mercado, o órgão revisou ligeiramente a perspectiva da safra americana no ciclo 2017/18. A projeção é que sejam colhidas 120,58 milhões de toneladas de soja no país. Em setembro, o número era de 120,59 milhões de toneladas e as apostas dos investidores estavam próximas de 121,03 milhões de toneladas. A produtividade também recuou de 56,57 sacas para 56,12 sacas por hectare.

Enquanto isso, os estoques finais americanos ficaram em 11,72 milhões de toneladas, contra as 12,93 milhões de toneladas reportadas no mês passado. A expectativa do mercado era de 12,93 milhões de toneladas. O departamento ainda elevou a área plantada nesta temporada de 36,22 milhões para 36,5 milhões de hectares. Já a área colhida passou de 35,86 milhões para 36,22 milhões de hectares.

Leia mais:

>> Soja: USDA reduz estimativas para a safra dos EUA e estoques finais

Apesar da influência maior do relatório hoje, os participantes do mercado ainda acompanham as informações sobre a colheita do grão nos EUA e também as chuvas e o plantio da safra 2017/18 no Brasil.

Devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida, comemorado no Brasil nesta quinta-feira (12), não houve negócios no mercado interno. As negociações serão retomadas nesta sexta-feira (13). Confira como fecharam os preços nesta quarta-feira:

No mercado doméstico, as cotações da soja registraram ligeiras desvalorizações nesta terça-feira. Em Brasília, a queda ficou em 1,63%, com a saca a R$ 60,50, segundo levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes. No Oeste da Bahia, a perda ficou em 1,53% e a saca a R$ 59,33.

Nos portos brasileiros, o dia também foi negativo aos preços da saca da oleaginosa. Em Paranaguá, o valor disponível caiu 1,39%, com a saca a R$ 71,00 e o futuro caiu 1,38%, com a saca para entrega março/18 a R$ 71,50.

No porto de Rio Grande, o recuo foi de 1,09%, com a saca da soja a R$ 72,80. Em São Francisco do Sul (SC), a perda foi de 0,71%, com a saca disponível a R$ 70,20.

Além da ligeira queda em Chicago, a desvalorização cambial também pesa nos preços. A moeda recuou 0,43% nesta quarta-feira e finalizou o dia a R$ 3,1700 na venda.

"O dólar fechou em baixa ante o real nesta quarta-feira, depois que a ata do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, não ter impactado as apostas de que os juros da maior economia do mundo serão elevados novamente em dezembro", reportou a agência Reuters.

Confira como fecharam os preços nesta quinta-feira:

>> SOJA

Relatório bom para os preços! (análise da AGResources, direto de Chicago)

Assim como alertado para nossos clientes de Consultoria na noite de ontem, o USDA traria uma redução leve de pro- dutividade, uma vez que os rendimentos da soja colhida no Centro e Norte do Cinturão não estão sendo como o esperado.

O Departamento optou pela diminuição de 0,4 sacas/hectare de produtividade de soja, combinado com um aumento de área de 300 mil hectares.

A produção final total não foi alterada, entretanto o Mercado reagiu de maneira contrária à expectativa de muitos.

A AgResource continua firme em suas estimativas e acredita que o USDA ainda trará novas re- duções de produtividade, com o desenvolvimento da colheita no Cinturão Agrícola não trazendo resultados tão satisfatórios.

As estiagens em agosto e setembro sobre grande parte de Iowa, Illinois, Indiana e Ohio interferiram diretamente na formação do grão, diminuindo o peso da vagem e dificultando o estabelecimento de produtividades fortes, já que a população média por talhão já estava prejudicada.

O relatório de hoje confirma que as baixas sazonais nos preços devido à pressão de colheita norte-americana já foram observadas no passa- do.

Estoques de soja 2017/18 reduzidos colocam um patamar de suporte nos preços.

No caso do milho, a dificuldade para seguir o impulso da soja é limitada por uma oferta mundial de cereais em ascensão. O con- trato de milho-março possui uma resistência sólida acima dos $3,70.

O usuário final (mercado consumidor) agora usará qualquer nova baixa do mercado de soja e milho para adicionar novas compras.

As preocupações climáticas com o começo de plantio no Brasil ajudam neste sen- timento de novas altas, apesar de nenhuma quebra significante já ter sido observada.

Problemas com replantio já são discutidos, entretanto nenhum ainda é muito cedo para definir prejuízos de produtividade.

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas + AGResources

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