Soja: Preços sobem mais de 2% na CBOT em semana de boas novas para produtores americanos

Publicado em 27/07/2018 18:33

O mercado internacional da soja registrou uma semana de boa recuperação com altas de mais de 2% no acumulado entre os futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago. O contrato novembro/18, que é referência para as cotações neste momento, fechou com US$ 8,85 por bushel, subindo 2,43%. O agosto, que segue como a primeira posição, ganhou 2,47% para R$ 8,70. 

Somente no pregão desta sexta-feira (27), os preços fecharam o dia com ganhos de mais de 9 pontos. Com os últimos acontecimentos, os investidores voltaram para a ponta compradora do mercado, estimulando a retomada de algumas posições. 

"Os especuladores compraram algo como 9 mil contratos de soja em grão, compraram também farelo e óleo. As notícias são favoráveis, estamos falando em uma demanda em todo o mundo fora da China", explica o analista de mercado sênior da Price Futures Group, Jack Scoville, em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

O executivo citou como um dos motivos para os ganhos desta sexta, inclusive, a nova venda anunciada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de quase 155 mil toneladas de soja em grão para destinos não revelados. 

A informação chega após bons números das vendas semanais norte-americanas da safra nova de quase 1 milhão de toneladas e do acordo dos EUA com a União Europeia, que poderia estimular de forma significativa as importações da Europa de soja americana.

Além desse acordo, o anúncio de um pacote de auxílio aos produtores norte-americanos pelo governo de Donald Trump também estimulou a recuperação dos preços em Chicago. A ajuda será na ordem de US$ 12 bilhões e foi encarada, por muitos analistas e consultores brasileiros, como um subsídio direto aos agricultores. 

Embora as notícias tenham tido efeito pontual sobre os preços, deram um novo fôlego aos traders, que esperavam por novidades como estas para se reposicionarem. A cautela entre eles, porém, continua, uma vez que ainda tem espaço em seus radares a guerra comercial entre China e Estados Unidos e o bom desenvolvimento, até esse momento, da nova safra americana. Já há perspectivas de uma colheita 2018/19 próxima de 120 milhões de toneladas. 

"Eu acredito que US$ 10,00 ou US$ 11,00 não veremos mais no curto prazo. Estou achando, por agora, que batemos nas mínimas. Mas se a produtividade for muito boa - o que saberemos depois de agosto - quem sabe? Os preços ainda poderiam recuar", explica Scoville. 
Entretanto, o analista acredita que essa nova demanda pela soja dos Estados Unidos poderia, ao menos, levar o mercado de volta ao patamar dos US$ 9,50 por bushel nas próximas semanas. 

Neste ambiente de preços, a comercialização da soja está travada nos Estados Unidos. Os atuais patamares não atendem às necessides dos produtores norte-americanos. "Com essa diferença no preço, é momento do produtor do Brasil vender, e eu acho que eles devem vender. É muito melhor para eles, do que para nós (nos EUA) agora", afirma.

Mercado Brasileiro

No Brasil, os preços fecharam com estabilidade na maior parte das praças de comercialização e portos pesquisados pelo Notícias Agrícolas nesta sexta-feira. Os ganhos de Chicago, mais uma vez, foram neutralizados pelo recuo do dólar de 0,77%. A moeda americana fechou com R$ 3,7179 e, na semana, acumulou uma desvalorização de 1,48%. 

"Ajudada pelo massivo estímulo fiscal, a economia (dos EUA) desfrutou de forte primeiro semestre deste ano, mas à medida que o estímulo se esvai e a política monetária se torna progressivamente mais apertada, esperamos que o crescimento do PIB desacelere acentuadamente a partir de meados de 2019", escreveu o economista-chefe da empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics, Paul Ashworth, com informações reportadas pela agência de notícias Reuters.

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Assim, em Paranaguá, a soja disponível conseguiu manter-se nos R$ 90,50 por saca, enquanto a referência fevereiro do ano que vem ficou em R$ 82,00. Já em Rio Grande, R$ 87,00 por saca no disponível e R$ 88,00 para agosto, com uma leve alta de 0,23%. 

Fonte: Notícias Agrícolas

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