Soja fecha estável em Chicago com mercado ansioso sobre próximos passos de China e EUA

Publicado em 22/02/2019 18:16
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Embora a semana tenha sido de muitas notícias novas para o mercado internacional da soja, a falta de confirmação de todas essas informações ainda mantém os traders cautelosos, refletindo um fechamento estável por mais uma sessão na Bolsa de Chicago. 

No pregão desta sexta-feira (21), as cotações terminaram o dia com pequenas baixas de 0,25 a 0,75 ponto nos contratos mais negociados, após testar os dois lados da tabela durante todo o dia. Assim, o vencimento maio/19 ficou em US$ 9,23 e o agosto comUS$ 9,42 por bushel. 

Os traders receberam informações de que um acordo entre China e Estados Unidos estaria cada vez mais próximo. De acordo com informações de agências internacionais, as negociações entre as delegações dos dois países teriam chegado em um ponto chave e agora será necessário um encontro dos líderes Donald Trump e Xi Jinping para que o consenso seja, enfim, alcançado. 

Entenda em que momento estão as negociações:

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Enquanto isso serviu de suporte para as cotações na Bolsa de Chicago, os números atualizados das vendas para exportação das últimas seis semanas reportado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vieram fracos em relação ao que o mercado esperava e acabou limitando o potencial de alta dos preços. 

Neste intervalo, os EUA venderam 6.531,8 milhões de toneladas de soja, sendo a maior parte destinada à China - 3.992,5 milhões de toneladas. O número total ficou dentro das expectativas do mercado, de 6,1 a 9,6 milhões de toneladas, porém, os dados da nação asiática acabaram decepcionando o mercado, que esperava por um volume consideravelmente maior. 

"Talvez com a redução de área estimada ontem pelo USDA e com um acordo perto de ser fechado (o que vai garantir compras dos chineses para soja americana) pode ser que o mercado seja mais sensível a um potencial acordo do que a este cancelamento que terá que ser cumprido no futuro, caso o acordo seja assinado", diz Tarso Veloso, diretor da ARC Mercosul.

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"A especulação de que os chineses estariam formulando um plano de incentivo as importações de produtos agrícolas estadunidenses até chegou a manter o sustento de alta nas primeiras horas da manhã aqui em Chicago. Entretanto, ao longo do dia, com os relatórios de exportações norte-americanas atualizados, o mercado acabou sofrendo com a pressão diante de números abaixo das expectativas", explicam ainda os analistas da ARC. 

Completando o quadro de notícias, ainda nesta sexta aconteceu o segundo dia do Agricultural Outlook Forum que trouxe uma estimativa de uma safra de soja 2019/20 dos EUA menor em cerca de 8%, podendo ficar em 113,62 milhões de toneladas. 

O número ainda não foi totalmente precificado pelo mercado, uma vez que são os primeiros e ainda não oficiais números para a nova temporada. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, os preços tiveram uma nova e boa rodada de altas, principalmente no interior do país. As principais praças de comercialização registraram ganhos que ficaram entre 0,72% e mais de 4%, principalmente em Mato Grosso.

Nos portos, os preços também subiram. A soja disponível foi a R$ 79,00 em Paranaguá e a R$ 78,00 em Rio Grande, com altas de 1,28% e 0,65%. Para março, R$ 79,50 e R$ 78,80, subindo 0,63% e 0,25%, respectivamente.   

Comentário de Mercado da ARC Mercosul

ARC Mercosul

Por Cristiano Palavro

A retórica político-comercial não sai de cena em Chicago, e naturalmente, pelo tamanho das negociações e de seus agentes, não poderia ser diferente. Americanos e chineses conquistaram enormes avanços em seus últimos encontros, com boa parte da demanda de negociações já dando sinais de conclusão. 

Porém, como desde o início se esperava, as pautas sobre transferência de tecnologia e proteção intelectual ainda seguem em jogo, o que irá demandar mais algum esforço até chegarem a um acordo final.

No cenário dos fundamentos - que mesmo colocados em segundo plano neste momento – ainda sempre ditarão as tendências, o que entra no foco agora é a chegada da nova safra americana, que vem com expectativas já reduzidas para a área de soja. E esta secura na Argentina neste mês de fevereiro, terá potencial de retração na oferta de soja da América do Sul? É bom ficarmos ligados, porque o jogo não para.

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Na Reuters: Comércio de soja se aquece no Brasil com melhora na paridade de exportação, diz Cepea

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(Reuters) - As negociações da soja começaram a se aquecer após um aumento da paridade de exportação no porto de Paranaguá (PR), informou nesta sexta-feira o Centro de Estudos Avançados em Ecomonima Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

"Esse movimento se deve à valorização nos contratos futuros na Bolsa de Chicago", disse a instituição.

"(Os contratos) foram influenciados pelas estimativas de menor área de soja nos Estados Unidos na temporada 2019/20 e pelas expectativas de que o acordo comercial entre o país norte-americano e a China seja firmado em breve".

Os compradores se aproximam dos valores pedidos, e as negociações para embarques em março tiveram ofertas de prêmio sobre Chicago a 65 centavos de dólar/bushel e comprador a 60 centavos/bushel, na quinta-feira. Na semana anterior, as ofertas estavam em 67 centavos, com compradores a 54 centavos.

A análise aponta ainda que os preços da saca de 60 kg no porto paranaense variaram entre 80,74 reais, para embarque em março, e 84,92 dólares, para embarque em julho.

(Por Gabriel Araujo)

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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