EUA tem 24 mi de t de soja armazenada para manejar antes da nova safras

Publicado em 14/03/2019 18:01 e atualizado em 14/03/2019 18:34
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Uma estimativa do governo americano aponta que os produtores rurais dos Estados Unidos estariam carregando uma montanha de soja em seus armazéns de US$ 8 bilhões, ou 24,49 milhões de toneladas, ou ainda, 900 milhões de bushels. Ainda assim, eles se preparam para a safra 2019/20 e, apesar de uma redução de área prevista para a temporada, esta pode ser a terceira maior safra de soja da história dos EUA. 

Segundo a Reuters Internacional, com investimentos de longo prazo feitos, principalmente, em maquinários e armazenagem, os produtores alegam que por ser algo específico a mudança da soja para o milho ou outra cultura não é tão simples como parece. 

Além disso, explicam ainda que, apesar da baixa e da demanda ainda limitada por sua soja, a oleaginosa segue dando melhor renatabilidade do que o milho em alguns casos. Segundo especialistas internacionais, afinal, os preços da commodity, inclusive, teriam registrado um desempenho "melhor" do que o esperado diante dos números e dos fundamentos presentes no mercado. 

"Com uma boa safra, uma boa produtividade, podermos manter algum lucro", diz o produtor Austin Ricker, produtor de grãos em Moweaqua, Illinois, à Reuters. O agricultor deverá dividir sua área em 50% para soja e 50% para o milho nesta nova safra. A decisão é semelhante a de 2018 e qualquer ampliação no milho, segundo ele, poderia aumentar suas despesas. 

Produtores Americanos x Guerra Comercial

E os produtores rurais norte-americanos têm consciência de que suas decisões, apesar de serem suas, estão intimamente ligadas ao que será definido entre os líderes chineses e americanos. Segundo Gary Cohn, ex-dirigente do Conselho Econômico do presidente Donald Trump, os EUA estariam "desesperados agora" por um pacto com a China. 

"O presidente (americano) precisa de uma vitória", disse ele ao podcast internacional Freakonomics e reportado pela agência internacional Bloomberg. A declaração do executivo, porém, diverge dos recentes anúncios de que Trump estaria sem pressa de alcançar um consenso e de especulações de que ele estaria, inclusive, pronto para deixar as negociações. 

"Eu não estou com pressa", disse Trump a repórteres na Casa Branca nos últimos dias.

Nesta quinta-feira, a Bloomberg informou também que Donald Trump e Xi Jinping deverão adiar seu novo encontro, pelo menos até o início de abril, segundo fontes que acompanham as duas delegações nas conversas sobre o acordo. 

Há quem diga ainda que somente no final do mês que vem é que os líderes das duas maiores economias globais devem se reunir novamente, provavelmente na propriedade de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, apesar dos rumores de que as negociações estariam rapidamente evoluindo.

Ainda de acordo com as fontes ouvidas pela Bloomberg, a nação asiática estaria pressionando os americanos a realizarem uma visita forma para que haja uma cerimônia onde o acordo seja assinado, e não somente uma "aparição discreta". 

Com isso, desde o começo do presente ano comercial - que se encerra em 31 de agosto - a China comprou dos EUA somente 11 milhões de toneladas de soja, contra mais de 28 milhões do mesmo período do ano passado. 

E mesmo com todos os indícios de que a demanda ainda demora a voltar aos EUA, pelo menos o tempo da finalização do acordo, de sua implementação e da mudança na dinâmica atual do comércio da soja - há ainda produtores americanos que acreditam que consumo chinês de soja americana precisa e vai continuar. 

"Eu acho que a demanda vai continuar. Eles tomaram gosto por essa 'dieta'", diz um produtor de 66 anos, Roger Hadley, de Indiana, à Reuters. 

Corrida contra o tempo

Prestes a começarem a plantar a nova safram e apesar do otimismo, os produtores americanos enfrentam uma corrida contra o tempo. Os silos norte-americanos estão abarrotados de grãos e a soja, principalmente, já começa a perder qualidade e também tirar dinheiro do agricultor. 

Agora, além de estarem atentos ao planejamento da safra 2019/20 e ao início dos trabalhos de campo, os agricultores têm de dividir seu tempo ainda com a comercialização - de forma que seja eficiente - e com a qualidade dos grãos que estão armazenando. 

"Os produtores têm de estar mais vigilantes à manutenção da qualidade dos grãos que possuem em suas fazendas. Nossa vantagem agora é o inverno, ao menos nos quesitos insetos e mofo, estas não têm sido preocupações agora até que o tempo fique um pouco mais quente", disse Bob Zelenka, diretor executivo da Minnesota Grain and Feed Association ao portal internacional StarTribune em uma entrevista na semana passada.

A imagem abaixo é de John M. Steiner, do jornal The Sun, mostrando as condições nos EUA em outubro último. Pilhas de soja e milho estavam no chão na Dakota do Norte, na propriedade Woodworth Farmers Grain Co. 

Pilhas de soja e milho nos EUA

Há oito dias, o Notícias Agrícolas já havia trazido uma outra reportagem relatando a situação:

>> Soja começa a apodrecer nos EUA com armazéns cheios e falta de demanda 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

3 comentários

  • Beline Chaves Dourados - MS

    https://www.youtube.com/channel/UC09bGSDmqxLV8RPMJ9hJcOQ. Análise de Mercado - Soja - quinta-feira, 14 de março de 2019

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Para fazermos uma análise fundamentalista correta é preciso selecionar corretamente as informações. Uma análise desse tipo não pode ser fundamentada em dados ou informações equivocadas, ou melhor, pode mas não será correta. É preciso separar o essencial do acessório. A "guerra" comercial é acessório, o fato é o de que há uma taxa de importação imposta pelos chineses ao produto americano, e que a eliminação dessa taxa depende de outros fatores, que são economicos e não politicos. O que pode o presidente americano e o que pode o presidente chines? Eu não sei. No terreno da especulação há a idéia de que os chineses querem fazer com que o mundo inteiro forneça matéria prima para eles, ao mesmo tempo que eles serão os fornecedores de produtos industrializados ao mundo. Se for isso é uma grande pretensão. Donald Trump não aceita isso e tem o apoio da população americana. Politicamente a esquerda quer apear Trump do poder, mas ele ainda tem apoio popular, então é preciso especular sobre qualquer possivel coisa que possa, até por eventualidades, dar errado. Qualquer coisa serve. Aqui mesmo nos comentários do Noticias Agricolas existe isso. Esquerdistas argumentaram durante muito tempo sobre a embaixada israelense ser transferida para Jerusalém, isso acabaria com o comércio com os árabes e destruiria a indústria nacional, aconteceu o contrário, as exportações de carne vem aumentando. Se caíssem a esquerda poderia culpar o governo, e é interessante notar que enquanto Kátia Abreu e depois Blairo Maggi eram ministros, as exportações caiam e ninguém falava nada. O Brasil se consolida como fornecedor de matéria prima para as indústrias estrangeira, e se faltar soja no Brasil, e vai faltar se as exportações de carnes e grãos continuarem no ritmo que estão, podemos importar soja dos EUA. Ou em uma situação ainda pior, sermos obrigados a importar. Na minha avaliação isso sim pode vir a ser um grande problema. Se os americanos realmente estão perdendo toda essa soja como noticiado, o preço evidentemente não vai subir... e a análise técnica no gráfico semanal está "gritando" que vai cair. Então toda essa projeção para daqui um ano é pura especulação, nós não sabemos nem quanto vai ser nossa produção de soja, como poderemos saber o que vai acontecer daqui um ano? Existem tantas variáveis que é impossivel a mente humana projetar com acerto tais cenários. Operadores de opções, gente que vive disso, está montando estratégias de proteção de ativos dizendo que a Europa pode ruir devido à impressão de dinheiro. Impressão de dinheiro para aplicar em especulação com ativos, e as próprias autoridades européias reconhecem que não há volta para o caminho que tomaram. Eles precisam colocar mais e mais dinheiro no "sistema". É a tal piramide financeira, uma hora vai ruir, grandes investidores estão afirmando isso. Nassim Taleb é um deles. Na equação a china é o país mais fraco, os EUA podem ficar com 8 bilhões estocados em soja, mas a china pode perder 200 bilhões em exportações aos EUA. Então a análise correta deve ser feita usando o velho e bom..."e se"... E se a reforma da previdencia não passar? E se passar e o dólar cair? E se a china tirar a taxa? Essa última pergunta foi parcialmente respondida aqui mesmo no Noticias Agricolas. E se a china não retirar a taxa e ao Brasil continuar expandindo as exportações de carne e soja?

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    • LUIZ ALFREDO VIGANÓMARMELEIRO - PR

      O "dragão chinês" quer engolir o ocidente: "Tradutores de direita" https://www.youtube.com/watch?v=AjOhmvZY8lE

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Sr. Viganó, pena que você faz uma idéia muito ruim sobre minha pessoa. Agradeço o vídeo, sempre que posso assisto os tradutores de direita. Como diz um verso da poesia campeira gaúcha, e para que fique claro, "quando gosto, elogio... e quando não gosto, critico"... O presidente da FPA, deputado gaúcho Alceu Moreira quer aprovar um projeto, que não li ainda, sobre os campos de altitude do RS. Achei muito boa a inciativa e parabenizo o deputado Alceu Moreira. https://agencia.fpagropecuaria.org.br/2019/03/14/alceu-moreira-quer-equilibrio-em-uso-e-conservacao-de-areas-na-regiao-sul/

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    • LUIZ ALFREDO VIGANÓMARMELEIRO - PR

      Caro Rodrigo, ao contrário, podemos discordar e concordar no campo das idéias e do debate intelectual! Se houve críticas não foi À sua pessoa. Abraços!

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Essa foto da soja empilhada for dos armazens nos EUA é uma amostra de como somos otários. Enquanto aqui o MAPA, ANVISA & os CAMBAU exigem ambientes desinsetizados e desratizados por empresas catalogadas e autorizadas, vemos uma foto dessa do país que barra a entrada de nossos produtos no quesito fitossanitário.
    Qual seria a retaliação se essa foto fosse um procedimento adotado aqui no Brasil?
    Não, não precisa responder. Eu só queria entender.
    Falando nisso. Quando que a FPA vai trabalhar para que o pagamento da soja brasileira que apresenta teores de óleo acima do normal e, é entregue para as industrias e tradings para exportação, como se fosse um produto medíocre.

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Sr. Rensi, eu fiquei com a impressão de que essa foto é uma montagem. Aqueles "chupins" que aparecem ali, com eles não é possivel fazer uma montanha de grãos desse tamanho. E notei que em volta a vegetação está intacta, como pode ser isso?

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Sr. Rodrigo o artigo é da CARLA MENDES. Acredito que as fontes que ela pesquisou devem ser dignas de crédito. ... Sinceramente não atentei para os detalhes que o sr. citou mas os meus argumentos são de indignações que sofremos no dia a dia, nesse país regido por regras ditadas por um bando de burocratas "analfabetos funcionais"...

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