Soja se recupera em Chicago e preços têm nova alta no Brasil, subindo até 3%

Publicado em 13/08/2019 17:50 e atualizado em 13/08/2019 23:17
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Uma combinação de compras especulativas com o anúncio do adiamento das novas tarifas dos EUA sobre a China de setembro para dezembro motivaram altas dos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago em um dia de recuperação depois das baixas registradas no pregão anterior. 

As posições mais negociadas da oleaginosa encerraram o dia com altas de 9,25 a 10,50 pontos de ganhos, com o novembro/19, atual referência para o mercado e para a nova safra norte-americana, terminando o dia a US$ 8,89 por bushel. Ao longo da sessão, o fôlego do mercado foi ainda maior e os avanços chegaram a superar os 13, 14 pontos entre os principais contratos.

"O movimento do governo Trump foi suficiente para trazer novas esperanças de que as negociações entre os dois países sejam retomadas, o que poderá atrair a demanda chinesa sobre a soja do país", explicam os analistas de mercado da ARC Mercosul.

O ato de Trump, afinal, poderia fazer com que a China respondesse com mais um gesto de boa vontade, realizando algumas compras de produtos agrícolas norte-americanos, entre eles a soja, e as especulações contribuíram para o movimento positivo desta terça. 

E não só a soja subiu, mas as commodities de uma forma generalizada neste segundo pregão da semana. A notícia trouxe mais apetite ao risco depois do dia tenso de ontem e diante da tensão generalizada de que o conflito comercial entre chineses e americanos já tem promovido uma desaceleração do crescimento econômico mundial, o que poderia evoluir, inclusive, para uma recessão.

Na Bolsa de Nova York, os futuros do café arábica e do algodão subiram mais de 2%, enquanto o petróleo registrou ganhos de mais de 3%. O açúcar subiu mais de 1%. 

Leia mais:

>> Café arábica fecha em boa alta nesta 3ª, mas primeiros vencimentos seguem abaixo de US$ 1/lb, por Jhonatas Simião

Ainda em Chicago, o trigo amenizou os ganhos e terminou o dia com estabilidade, enquanto o milho registrou mais um dia de baixas intensas que superaram os 4% na Bolsa de Chicago. Os futuros do cereal seguem pressionados pelos últimos números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os quais vieram bem díspares das expectativas do mercado e trazendo um aumento das estimativas de produção e produtividade nos EUA depois de todos os problemas causados pelo clima. 

Veja ainda:

>> Milho: Cotações caem mais de 10% em dois dias após relatório do USDA, por Guilherme Dorigatti

>> Percepção do produtor americano diverge dos números divulgados pelo USDA, aponta o vice-presidente da Aprosoja SP

PREÇOS NO BRASIL

No Brasil, os preços tiveram mais uma rodada de altas nesta terça-feira. No interior do país, as cotações subiram entre 1,49% e até 3,85%, como foi o caso de Ponta Grossa, no Paraná, onde a saca de soja fechou o dia com R$ 81,00. Em Rondonópolis, no Mato Grosso, alta de 2% para R$ 76,50. 

Nos portos, os indicativos também subiram. No terminal de Imbituba e São Francisco, ambos em Santa Catarina, as cotações tiveram ganho de 2,40% e 0,35%, respectivamente, para R$ 85,50 por saca. Em Rio Grande e Paranaguá, preços subindo mais de 1% e variando entre R$ 82,50 e R$ 84,50. 

>> Clique AQUI e veja as cotações completas da SOJA nesta terça-feira

O mercado nacional tem vivido um momento de recuperação das cotações da soja ainda diante de bons prêmios, um dólar próximo dos R$ 4,00 e de boa demanda tanto na exportação, quanto na importação. 

E os produtores brasileiros, como explicou o analista de grãos da Informa Economics FNP, Vitor Belasco, estão aproveitando as oportunidades que estão sendo apresentadas pelo mercado e participando delas, com cautela e nos momentos oportunos. 

Veja mais na entrevista de Vitor Belasco ao Notícias Agrícolas:

>> Soja no BR: Preços podem estar ainda melhores no último trimestre com acirramento da disputa entre demanda interna e exportação

Trump volta atrás e adia tarifas sobre alguns produtos chineses; mercados sobem

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abrandou seu plano de impor tarifa de 10% sobre o restante de importações chinesas, que começaria a valer em 1º de setembro, postergando a aplicação das alíquotas sobre celulares, laptops e vários outros bens de consumo na esperança de diminuir o impacto na temporada de compras de fim de ano.

A medida deu forte impulso aos mercados de ações e ofereceu certo alívio a setores varejistas e de tecnologia.

A nova tarifa entrará em vigor a partir de 15 de dezembro para milhares de produtos, incluindo roupas e calçados, possivelmente amenizando efeitos sobre a temporada de compras de fim de ano decorrentes da prolongada disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo.

"Estamos fazendo isso por causa da época do Natal, para o caso de algumas das tarifas terem um impacto sobre os clientes dos EUA", disse Trump a repórteres em Nova Jersey. "O que fizemos foi atrasar (a aplicação das tarifas) para que elas não sejam relevantes para a temporada de compras de Natal."

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) anunciou a decisão poucos minutos depois de o Ministério do Comércio da China ter dito que o vice-primeiro-ministro do país asiático, Liu He, conversou por telefone com autoridades de comércio dos EUA.

Liu acertou com o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, uma nova conversa por telefone dentro das próximas duas semanas, disse o ministério.

Trump disse que os dois lados ainda podem se reunir no início de setembro, como agendado.

APPLE SOBE

O adiamento da imposição de tarifas sobre parte substancial de uma lista de 300 bilhões de dólares em importações chinesas deu impulso às bolsas de valores dos EUA, com os índices em alta de mais de 1,5%, depois de fortes quedas na semana passada por causa do recrudescimento das tensões EUA-China e da desvalorização do iuan.

As ações da Apple subiam 4% com a notícia de que seus principais produtos para iPhone, tablets e laptops seriam poupados das tarifas por enquanto.

Mas o governo Trump ainda planeja impor tarifas de 10% sobre milhares de alimentos, roupas e outros produtos eletrônicos chineses a partir de 1º de setembro.

Entre eles estão smartwatches da Apple e da Fitbit; alto-falantes inteligentes da Amazon.com, do Google e da Apple; e fones de ouvido Bluetooth e outros dispositivos.

A postergação na imposição das tarifas proporciona algum alívio para o setor varejista. Embora a maioria das lojas tenha reforçado estoque de mercadorias de fim de ano antes do prazo final de setembro, algumas podem não ter tido a mesma sorte.

Trump anunciou as tarifas de 1º de setembro menos de duas semanas atrás, culpando a China por não cumprir as promessas de comprar mais produtos agrícolas norte-americanos durante as negociações em Xangai no final de julho.

Desde os tuítes de 1º de agosto, nos quais Trump anunciou as novas tarifas, o índice S&P 500, referência do mercado de ações de Wall Street, caiu mais de 4%.

As isenções, combinadas com novas negociações com a China, sugerem que Trump pode estar disposto a fazer concessões.

Num sinal de que o governo Trump pode estar esperando algo em troca, Trump publicou no Twitter nesta terça-feira: "Como sempre, a China disse que iria comprar 'muito' dos nossos grandes produtores agrícolas norte-americanos. Até agora eles não fizeram o que disseram. Talvez isso mude!".

Outros produtos que terão tarifas adiadas até 15 de dezembro incluem "computadores, consoles de videogame, certos brinquedos, monitores de computador e certos itens de calçados e roupas", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA em comunicado.

ALÍVIO PARA A INDÚSTRIA

A Câmara de Comércio dos EUA elogiou o adiamento da aplicação das tarifas e disse que "é mais importante do que nunca que os dois lados retornem à mesa de negociação e se comprometam a alcançar o progresso em direção a um acordo abrangente e executável".

A Associação de Líderes da Indústria de Varejo disse que "remover alguns produtos da lista e atrasar tarifas adicionais de 10% em outros produtos, como brinquedos, eletrônicos, roupas e calçados, até 15 de dezembro é bem-vinda, pois mitigará alguns impactos para os consumidores durante a temporada de compras de fim de ano".

A lista de produtos que não serão afetados pelas tarifas até dezembro inclui babás eletrônicas, carrinhos de bebê, micro-ondas, câmeras, campainhas, instrumentos musicais, potes para ketchup, fraldas, fogos de artifício, sacos de dormir, varas de pesca, rolos de pintura e alimentos.

O USTR ainda vai impor tarifas em 1º de setembro em muitos produtos, como animais vivos, produtos lácteos, esquis, bolas de golfe, lentes de contato, motores de motocicletas, baterias de íons de lítio, sopradores de neve e vários tipos de aço. Alguns itens de vestuário, incluindo casacos, ternos masculinos e roupas de banho.

Um grupo separado de produtos também estará completamente isento, "baseado em saúde, segurança, segurança nacional e outros fatores", acrescentou o USTR.

O anúncio vem em meio a crescentes preocupações sobre a desaceleração econômica global. O Goldman Sachs disse no domingo que o temor da guerra comercial entre EUA e China que pode levar a uma recessão está aumentando e que não espera mais um acordo comercial entre os dois países antes da eleição presidencial dos EUA em 2020.

Celulares, laptops e tablets, brinquedos e consoles de videogames estavam entre as quatro principais categorias de produtos na lista proposta de 300 bilhões de dólares de mercadorias que seriam taxadas em 10%.

Combinados, representaram um total de 98 bilhões de dólares em importações chinesas em 2018, de acordo com uma análise da Reuters dos dados do Departamento do Censo dos Estados Unidos.

Trump criticou pessoalmente o presidente chinês, Xi Jinping, por não conseguir fazer mais para conter as vendas do opióide sintético fentanil, em meio a uma crise de overdose de opiáceos nos Estados Unidos.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA planeja conduzir um processo de exclusão de produtos sujeitos à tarifa adicional.

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas/Reuters

1 comentário

  • Marcio Magarinos Outros Tio Hugo - RS

    Soja tem novas altas no Brasil, menos em Tio Hugo, RS.

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    • Adalberto José Munhoz Campo Mourão - PR

      Com relação ao preço de soja, existe uma barreira aqui na minha região... pra subir, é preciso acontecer um tsunami no Alaska!!!!

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