China consegue se manter somente com soja da América do Sul no 4º tri, diz analista

Publicado em 16/08/2019 13:59 e atualizado em 16/08/2019 15:30
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HARBIN, China (Reuters) - As principais compradoras de soja da China conseguem se manter sem os fornecimentos dos Estados Unidos no quarto trimestre e depender das importações provenientes da América do Sul, afirmou nesta sexta-feira um analista chinês ligado ao governo.

Os comentários de Zhang Liwei, analista sênior do Centro Nacional de Informação sobre Grãos e Oleaginosas da China, vêm após o Ministério do Comércio do país ter anunciado no início deste mês que as empresas chinesas pararam de comprar produtos agrícolas norte-americanos, na mais recente escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

A China é a maior compradora mundial de soja, adquirindo cerca de 60% da oferta comercializada globalmente. Os EUA são, em geral, o segundo maior fornecedor do país asiático, representando a maior parte das importações pela China no quarto trimestre em todos os anos.

Os processadores chineses interromperam as compras de soja dos EUA no ano passado, depois de Pequim impor tarifas de 25% sobre os grãos, em resposta às taxas norte-americanas.

As companhias estatais, no entanto, adquiriram cerca de 14 milhões de toneladas de soja nos últimos meses, após uma trégua comercial temporária estabelecida no final do ano passado. Novas compras, porém, foram colocadas em risco depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, voltar a elevar as tensões entre os dois países com ameaças de tarifas, no início deste mês.

Falando em uma conferência na cidade chinesa de Harbin, Zhang disse que mesmo que China e EUA não consigam chegar a um acordo comercial nas próximas semanas, "teremos oferta suficiente de soja, já que podemos comprá-la da América do Sul".

Zhang afirmou que vendas das reservas estatais também podem ajudar a aquecer a oferta.

Surtos da mortal peste suína africana na China estão ajudando a reduzir a demanda por soja, acrescentou o analista. No país, a oleaginosa é esmagada e transformada em farelo para a alimentação de porcos e aves.

A China declarou na quinta-feira que sua criação de porcos diminuiu 32% em julho ante igual período do ano anterior. Zhang disse que o declínio continuará no segundo semestre deste ano.

(Reportagem de Hallie Gu e Dominique Patton)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447745))

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China disputa soja do Brasil com processadores locais; preços sobem 10% no mês

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de soja do Brasil ganhou um ingrediente adicional nesta semana, com processadores locais ampliando a disputa pela matéria-prima com chineses, que também buscaram mais fortemente o produto sul-americano, devido à guerra comercial com os Estados Unidos.

Há relatos no mercado de compras pela China de mais de 1 milhão de toneladas de soja de Brasil e Argentina apenas nos últimos dois dias, com a situação cambial facilitando a vida de importadores.

Enquanto isso, os negócios entre produtores e processadores brasileiros foram fortes, especialmente nesta semana em que foi realizado um leilão para compra de biodiesel, cuja matéria-prima é em sua maioria óleo de soja.

O prêmio pela soja nacional no porto de Paranaguá, importante termômetro da exportação, subiu mais de 15% na semana para 1,50 dólar por bushel ante contrato de referência da bolsa de Chicago, maior nível desde novembro de 2018, com a forte demanda chinesa.

No mercado local, preço da soja no acumulado do mês atingiu 85,40 reais por saca de 60 kg (base Paranaguá), também o maior valor desde meados de novembro, com alta de mais de 10 por cento no mês, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Relatos de outras fontes do mercado confirmaram tais negócios de soja no Brasil. As transações têm sido impulsionadas tanto pela guerra comercial, já que chineses disseram que não estão comprando mais o produto dos EUA, quanto pelo câmbio.

No Brasil, o dólar foi visto a patamares não registrados desde maio, valendo mais de 4 reais, enquanto na Argentina, com derrota do presidente Maurício Macri nas primárias, um dólar valeu 65 pesos no início da semana, o maior valor da história.

"O acirramento da guerra comercial, desde a semana passada, gerou uma série de incertezas, e o ponto de inflexão foi a desvalorização da moeda chinesa em relação ao dólar, e o Brasil também teve desvalorização, e a Argentina nem se fale", disse o pesquisador do Cepea Lucilio Alves.

O professor chamou também a atenção para a maior demanda interna, seja para atender a uma mistura maior de biodiesel no diesel, que passará a partir de setembro, de 10% para 11%, seja para atender a indústria de ração, em meio a uma boa demanda de indústrias de carnes, que também estão elevando exportações, especialmente para a China, atendida pela peste suína africana.

Alves lembrou do leilão de biodiesel da última segunda-feira. Embora os resultados não tenham sido divulgados, há indicações de que houve boa participação dos agentes, comentou.

O aumento da mistura para B11 eleva a demanda pela oleaginosa em cerca de 200 mil toneladas ao mês, já que o biodiesel é feito majoritariamente de óleo de soja no Brasil.

Isso adiciona mais pressão em um balanço de oferta de demanda apertado no Brasil, após uma colheita menor em 2019.

"Tem um fato novo que contribuiu para o acirramento da disputa pela matéria-prima, o leilão de biodiesel... Isso aumentou um pouco a disputa interna", disse.

Segundo o especialista, nessa conjuntura, os preços do óleo estão nos maiores níveis desde o final de 2018, enquanto o farelo de soja também vem sendo absorvido pela demanda do setor de carnes.

"Tem um ambiente interno de preços maiores para os derivados, e isso melhora a margem do esmagador", destacou.

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Fonte: Notícias Agrícolas

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