Soja: Semana termina com preços fortes e China comprando mais 20 navios no Brasil

Publicado em 07/08/2020 17:55 2543 exibições

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A sexta-feira (7) e a semana vão terminando com os preços da soja ainda muito fortes no mercado brasileiro. O dólar subiu pelo terceiro dia consecutivo e voltou a superar os R$ 5,40, registrando seu máxima desde junho. Assim, a moeda americana terminou o dia com alta de 1,30% e valendo R$ 5,41, o que leva o ganho acumulado na semana a 3,72% e 34,88% no ano. 

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Os preços para a soja da safra nova, nos portos, têm apresentando referência na casa dos R$ 112,00 por saca, para maio 2021. Para a soja disponível, os indicativos estão perto de R$ 124,00, como informa o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "Estamos no recorde histórico de cotações em reais nesta semana, mas as margens já não permitem altas muito maiores", diz.  

E esse avanço forte no mercado cambial acabou por compensar as perdas de mais de 1% que foram registradas pelos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. Ao lado do dólar, os prêmios intensamente altos no Brasil e o quadro apertado de oferta e demanda ainda criam um cenário muito confortável dos preços. 

"No Brasil, o mercado segue “de vento em popa”, com os preços físicos e futuros das principais commodities agrícolas recebendo a adição de prêmios por demanda. A China continua sendo uma compradora ativa da soja brasileira", afirmam os diretores da ARC Mercosul.

E a consultoria relata ainda que "somente nesta semana tivemos a adição de outros 20 navios para embarque futuro da soja no Brasil em direção a China, com data de entrega para Abril de 2021". As relações difíceis ainda entre a nação asiática e os EUA, a boa qualidade da soja brasileira e sua melhor competitividade continuam favorecendo o Brasil. 

A busca chinesa pela soja norte-americana vem crescendo frente à falta de produto no Brasil. A nação asiática vê sua necessidade crescendo muito intensamente com a recomposição dos planteis de suínos depois do surto da Peste Suína Africana e também frente a escassez de algumas outras alternativas para a produção de rações como outros farelos vegetais e o próprio milho. Somente no primeiro trimestre deste ano, as importações chinesas do cereal cresceram 27%. 

E justamente por isso é que os números das importações de soja da China em julho, mais uma vez, foram recordes. O país importou 10,09 milhões de toneladas no mês passado, contra 8,64 milhões de julho de 2019. O montante fica abaixo apenas do recorde de junho, quando as compras somaram 11,16 milhões. Os dados partem da Administração Geral das Alfândegas da China. 

No entanto, especialistas explicam ainda que essa migração da China para os EUA é momentânea e deve durar até que se comece a chegar a nova oferta brasileira, no início do próximo ano. Afinal, de acordo com uma estimativa da ADM (Archer-Daniels-Midland Co.),o país asiático ainda precisa comprar de 25 a 26 milhões de toneladas de soja este ano para estar adequadamente abastecida. 

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BOLSA DE CHICAGO

E as relações entre China e Estados Unidos desalinhadas continuam dando espaço para novas e intensas baixas os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. Somente neste pregão, as cotações terminaram o dia com perdas de 9 a 10,50 pontos nos principais contratos, com o agosto fechando em US$ 8,70 e o novembro, US$ 8,67 por bushel. 

"As tensões continuam se elevando no relacionamento entre EUA e China. O Presidente Trump consistentemente ataca os chineses em vários os setores ideológicos, desestimulando o interesse do lado comprador na Bolsa de Chicago", afirma a ARC.

Aproveitando o espaço, o pré candidato à presidência americana Joe Biden sinaliza que, caso vença, deve retirar as tarifas sobre produtos chineses.  O democrata, em uma entrevista nesta quinta-feira (6), afirmou que a estratégia de Trump estaria equivocada e que irá retirar as tarifas sobre a nação asiática se for eleito. As eleições presidenciais nos EUA acontecem em 3 de novembro deste ano. 

"Trump está perseguindo a China de forma errada. A manufatura entrou em recessão, a agricultura perdeu bilhões de dólares que tiveram de ser pagos pelos contribuintes", disse.

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>> Joe Biden, pré candidato à presidência nos EUA, afirma que pode retirar tarifas sobre a China

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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