Brasil deve aumentar área de soja em 3% na nova safra apesar de custos elevados

Publicado em 29/06/2022 14:02

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – Os agricultores do Brasil, maior produtor e exportador de soja no mundo, devem ampliar a área de plantio da oleaginosa em torno de 3% na safra 2022/23, que começa a ser semeada a partir de setembro, diante da expectativa de rentabilidade ainda positiva, mesmo em um ambiente de custos mais elevados.

Levantamento realizado pela Reuters com oito analistas indica que a área semeada com soja pode atingir recorde de 42,2 milhões de hectares na nova temporada, abrindo caminho para elevações na produção do grão aliadas a um aumento potencial de produtividade.

Com isso, a projeção preliminar dos especialistas aponta para uma safra histórica de 147,9 milhões de toneladas, mas nas perspectivas mais otimistas há quem veja possibilidade de a produção superar 150 milhões (veja tabela abaixo).

“O cenário positivo das margens operacionais para a safra 2022/23 levará a um aumento da área plantada de soja. Apesar da alta dos principais insumos agrícolas, o cenário ainda incentivará o produtor a aumentar a área”, disse a analista do Rabobank Brasil Marcela Marini.

A analista da consultoria AgRural Daniele Siqueira afirmou que os custos mais altos limitam o avanço da área, mas não o impedem. Para ela, a rentabilidade da cultura não será tão alta quanto a da safra 21/22, mas ainda assim faz sentido para o produtor.

No ciclo 2021/22, considerando o médio-norte de Mato Grosso, que teve uma boa safra, a projeção é de uma rentabilidade histórica de 130% sobre o custo operacional de produção para proprietários da terra, segundo a AgRural.

Para a nova safra, Siqueira acredita que a rentabilidade pode ficar pela metade do registrado em 2021/22.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou sanções contra os russos e seu aliado Belarus –dois dos principais fornecedores globais de fertilizantes–, elevou as despesas com adubos, insumo que o Brasil importa cerca de 85% do que consome.

Os produtos continuam chegando ao Brasil, com agricultores em uma corrida para garantir a oferta que será utilizada no plantio de 2022/23, mas a preços muito maiores.

Dados do governo federal mostram que, nas três primeiras semanas deste mês, a média de preços para os fertilizantes químicos adquiridos no período foi de 772,4 dólares por tonelada, contra 324 dólares em junho do ano passado.

Soma-se a isso o gargalo logístico intensificado pelas restrições contra a Covid-19 na China que onera as despesas do setor agrícola e torna mais morosa a chegada de defensivos no Brasil.

Neste contexto, a AgResource Brasil, subsidiária da empresa norte-americana AgResource Company, disse que ainda está apreensiva em suas projeções para a safra brasileira, mas se sua estimativa de 144,82 milhões de toneladas se confirmar, o Brasil sozinho responderá por 72,41% da estimativa que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, ma sigla em inglês) vê para a produção sul-americana, de 200 milhões de toneladas.

“E (isso) será vital para o Brasil se consolidar ainda mais nas exportações de soja na próxima safra”, disse a consultoria.

O analista de Grãos e Proteína Animal da hEDGEpoint Global Markets, Pedro Schicchi, ressaltou, no entanto, que um contraponto para um crescimento forte de área no Brasil atualmente é a safra grande de soja nos EUA, esperada para o segundo semestre e que já pressiona as cotações futuras, após setembro.

“No entanto, o real desvalorizado compensa parte deste efeito, dando suporte para preços domésticos, mesmo que em dólares eles já não estejam tão altos após a colheita americana.”

(Por Nayara Figueiredo)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Produtividade da soja do RS deve sofrer cortes após tempo seco e quente, diz Emater
Soja nos portos do BR volta a se aproximar do R$ 130/sc com Chicago subindo mais do que caem os prêmios
USDA informa venda de soja para o Egito nesta 5ª feira
Se MT fosse um país seria o terceiro maior na produção de soja do mundo
Safra de soja do Paraguai pode bater recorde conforme colheita entra na fase final
Com possibilidade de novas greves na Argentina, farelo sobe mais de 1% em Chicago e soja acompanha