Preço da soja cai e acende a luz amarela em MT

Publicado em 11/08/2008 14:46 3589 exibições

Novo cenário à oleaginosa apresentado pela Aprosoja e Imea revela que a rentabilidade encolhe, já que cotação internacional recuou 25%, em trinta dias 

O mercado mato-grossense de soja corre o risco de sofrer na safra 2008/2009 um novo ‘reverso’ com a retração dos preços internacionais em Chicago. Algo semelhante ao que ocorreu há quatro anos e que, aliado a outros fatores, levou o setor a uma crise que tem reflexos até hoje. Somente nos últimos 30 dias, a soja sofreu uma desvalorização de 25%.

Diante deste novo cenário à soja, os preços passaram de US$ 16 por bushel (padrão de medida norte-americano equivalente a 27,2154 kg) – cerca de R$ 24/bushel na moeda brasileira – para US$ 12,80/bushel, ou R$ 19,90/bushel. Considerando o preço atual, os produtores estaduais teriam uma rentabilidade ao final da safra de em média US$ 37 por hectare (R$ 57, hoje), segundo cálculos que não consideram a necessidade de recursos disponíveis para o pagamento das dívidas de outras safras e custos como com arrendamento de terras, como observa o setor produtivo.

O alerta foi feito ontem pelo superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Seneri Paludo, durante o ‘Painel de Endividamento’, realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) no Parque de Exposições Wilmar Peres de Farias, como parte da programação da 36ª Exposul, em Rondonópolis.

Segundo ele, a equação para a nova temporada da soja, que já é de baixa rentabilidade, pode sofrer um ‘arrocho’ maior se a cotação continuar a cair no mercado internacional. Se isto acontecer, vai se repetir uma situação já vivida pelos produtores: a compra dos insumos com os preços em alta e a venda da produção com o mercado em baixa. A diferença seria que na safra 04/05 (início da crise de renda no Estado) o vilão foi o câmbio, com a valorização do real frente ao dólar, enquanto que agora o problema seria causado pela desvalorização do grão em si.

Qualquer nova redução no preço da soja vai ‘enxugar’ ainda mais a previsão de rentabilidade dos produtores e pode significar o agravamento do cenário, que ainda não está totalmente recuperado do ‘reverso’ sofrido há quatro anos, que gerou um passivo de dívidas que hoje está estimado em aproximadamente R$ 10 bilhões. Diante deste cenário, Seneri Paludo diz que a palavra de ordem é não cometer erros na nova safra, pelo menos na parte que compete ao produtor. “Senão o problema pode ser ainda maior do que estamos prevendo”, avisa.

SITUAÇÃO - Além do preço da soja, outro fator decisivo neste novo ciclo será a produtividade das lavouras, que é uma incógnita. Com uma margem achatada pela retração dos preços e com o alto custo de produção, o superintendente do Imea diz que os agricultores não podem colher menos que 50 sacas de soja por hectare. Atingir esta quantidade significa repetir a mesma média de produção obtida em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), por exemplo, na safra passada (07/08). O problema é que para a nova safra, a previsão é de redução no uso de fertilizantes, o que pode prejudicar a produtividade.

O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis, Ricardo Tomczyk, considera que os produtores terão dificuldade para repetir a mesma quantidade de soja por hectare na safra 08/09. O maior entrave, diz ele, é a redução no uso de adubos causada pela falta de crédito no mercado e reduzida pela alta nos preços deste insumo. “Se não há previsão de rentabilidade, como o produtor vai comprar fertilizantes”, indagou Seneri Paludo, completando: será que sem fertilizantes o produtor vai conseguir manter a produtividade?

 

Fonte: Diário de Cuiabá

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Diário de Cuiabá

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