Soja orgânica terá preço diferenciado em até 40%

Publicado em 28/11/2008 15:29 e atualizado em 10/03/2020 16:18 1961 exibições
Pequenos produtores do Assentamento Itamaraty, em Ponta Porã, já começaram a plantar os primeiros 30 hectares da soja orgânica que será exportada em abril para a Suíça. O trabalho de organização e fomento da produção orgânica no Assentamento Itamaraty foi iniciado em 2005 pelos técnicos do Serviço de Desenvolvimento Agropecuário da SFA/MS, com um grupo de 10 produtores e os primeiros resultados já estão sendo comemorados. Na manhã do dia (26), o Superintendente Federal de Agricultura, Orlando Baez participou da cerimônia de assinatura do primeiro contrato de exportação das primeiras 70 toneladas de soja orgânica para a Europa. Participaram do evento a Prefeitura Municipal de Ponta Porã, CONAB, INCRA, DFDA/MS, CPT, CPOrg/MS, APOMS e 43 produtores de orgânicos, representados pelo Núcleo de Agroecologia da Associação dos Produtores de Orgânicos do Assentamento.

Este contrato de exportação é o primeiro do gênero no Mato Grosso do Sul e representa uma grande vitória para a APOMS e produtores de orgânicos do Estado, enfatizou Baez. A empresa brasileira que comprará a soja orgânica também está auxiliando os assentados prestando assistência técnica, produtos orgânicos para controle de pragas e doenças e treinamento para técnicos da comunidade, além do compromisso público de pagar um preço mais justo e solidário. Em contrapartida exige dos produtores um produto diferenciado e livre de contaminantes químicos.

De acordo com as regras estipuladas no contrato, o preço pago a soja orgânica da Itamaraty terá como base o preço pago na região, com acréscimo de 15, 35 e 40% do preço pago a saca da soja convencional, podendo chegar a 50% acima do valor pago a convencional no caso específico da soja biodinâmica. No primeiro ano de cultivo, mesmo obedecendo as regras estabelecidas na Legislação do Ministério da Agricultura (MAPA), os produtores não receberão acréscimo, recebendo o mesmo preço pago a soja convencional, por se tratar de um período de transição e adaptação a novas tecnologias, sendo permitido o cultivo de sementes convencionais fiscalizadas pelo MAPA. A partir da segunda safra os produtores passarão a receber um prêmio de 15 a 20% sobre a convencional e a partir do terceiro ano de cultivo, não havendo quebra de acordo, terá 35% de acréscimo no preço e estabilizando em 40% a partir da quarta safra, que é o teto máximo de bonificação paga pela Gebana Brasil S.A.

Redução do Custo de produção

A produção média da soja convencional no Estado fica na faixa de 45 sacas por hectare e a soja orgânica da Itamaraty na faixa de 35 a 40 sacas de 60 kg por hectare. Para Eduardo Vize, Engenheiro Agrônomo da Gebana, e responsável pelo serviço de assistência técnica aos assentados, existe uma grande possibilidade de elevar a atual produção mediante a aplicação das práticas agroecológicas de conservação, fertilidade e restauração do equilíbrio biológico do solo. Além das práticas de produção, Vize também enfatizou a necessidade de manter um relacionamento de confiança com os parceiros institucionais e organizações de classe, para que o empreendimento alcance o sucesso desejado por todos os parceiros.

Para compensar a produtividade menor dos orgânicos em relação ao plantio convencional com adubação química e uso de agrotóxicos, os produtores Vilmar Elias, Firmino Ferreira e José Ramos, do Assentamento Itamaraty I, afirmaram que a adubação verde nesse primeiro ano, trouxe resultados satisfatórios e já representaram uma diminuição no custo de produção de até 15%. A expectativa dos assentados é dobrar a produtividade para a safra 2009/2010 e reduzir ainda mais o custo de produção com práticas que venham reduzir a incidência de ervas daninhas.


Fonte: Pantanal News
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