Coamo vê vendas de soja mais lentas e preocupação logística com grande safra

Publicado em 05/02/2026 17:06

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 5 Fev (Reuters) - A comercialização antecipada da soja 2025/26 pelos cooperados da Coamo Agroindustrial Cooperativa está atrasada em relação aos melhores anos para esta época, em uma temporada em que os preços são pressionados pelas expectativas da safra recorde, limitando o apetite dos cooperados para vendas e gerando preocupações logísticas.

A avaliação é do presidente-executivo da Coamo, Airton Galinari, em entrevista à Reuters por ocasião da realização da assembleia que aprovou as contas do grupo em 2025, nesta quinta-feira.

A receita líquida da maior cooperativa agrícola do Brasil em 2025 somou R$28,7 bilhões, leve queda na comparação com os R$28,8 bilhões registrados em 2024, com os resultados espelhando um ano de maiores volumes comercializados em relação a 2024 a menores preços. O resultado líquido também ficou praticamente estável, em R$2 bilhões, com distribuição prevista de R$716 milhões aos 32,7 mil cooperados.

A situação de mercado de 2025 parece ser semelhante em 2026, com a diferença de que a expectativa de recebimentos de grãos é ainda maior, notadamente soja, diante de uma safra recorde, disse Galinari.

A comercialização antecipada da soja pelos cooperados da Coamo atingiu cerca de 16% do total que a cooperativa espera receber, patamar semelhante ao de 2025 nesta época.

"(Mas) Tivemos anos em que isso passou de 30% nesta época. Nos últimos anos, também não foi muito forte, mas como tem um maior volume na safra atual a comercialização lenta afeta um pouco a logística", disse ele.

Ele indicou que, após um atraso inicial, se todos os produtores eventualmente venderem à frente simultaneamente, isso pode ampliar os gargalos para o escoamento da produção.

Embora a comercialização de soja estivesse "mais ou menos" no mesmo patamar registrado agora, a safra foi menor em 2025 do que a expectativa para 2026, "então teve menos pressão logística", explicou o presidente.

Para 2026, o "desafio da logística existe para a acomodação da safra, em função da velocidade de fixação" de preços pelos produtores", concluiu.

"Está mais baixo o preço, o produtor está segurando as vendas. Quando precisa pagar contas, ele vai lá e fixa", comentou, observando que, neste ritmo, alguns fazendeiros talvez estejam perdendo a oportunidade de ganhar com os juros elevados, aplicando o dinheiro que poderiam obter com eventuais vendas agora.

Ao contrário, alguns acreditam que podem esperar mais tempo para fechar as vendas de soja na expectativa de um repique de preços apesar da safra recorde aguardada, indicou Galinari.

"Ele fica com a expectativa de ganhar algo um pouco mais pra frente", disse, notando que a necessidade de vendas pode aumentar entre abril e maio, quando chega o momento de pagar a maior parte das contas.

SAFRA MAIOR

A cooperativa prevê receber 6,3 milhões de toneladas de soja em 2026, disse o executivo, confirmando expectativa de crescimento de mais de 1 milhão de toneladas na comparação com 2025, quando áreas em Mato Grosso do Sul tiveram problemas climáticos.

Na semana passada, ele havia dito à Reuters que a confirmação dos números de soja dependia de chuvas, com muitas delas acontecendo na última semana nas áreas da cooperativa, que atua no Paraná, onde tem sua sede, além de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

O volume total de recebimentos em 2026, incluindo milho e trigo, pode superar 10 milhões de toneladas. De milho, a Coamo espera receber cerca de 4,2 milhões de toneladas, principalmente na segunda safra, que está sendo semeada atualmente e ainda depende do clima.

"Milho segunda safra é muito cedo pra falar, mas deve ficar entre 3,5 milhões e 4 milhões", disse.

Segundo Galinari, a área plantada com milho segunda safra não tem muito espaço para crescer, e, na pior das hipóteses, poderia registrar pequena redução anual.

"Como a safra de verão está um pouco mais atrasada, pode gerar até talvez uma redução pequena, vai depender do comportamento da cultura de verão, se o produtor conseguir plantar dentro de janela (climática) segura", disse ele.

Se não for possível semear todo o planejado de milho, culturas como aveia e trigo podem ganhar um pouco de área.

INVESTIMENTOS

Os investimentos da cooperativa deverão superar R$1 bilhão em 2026, impulsionados pela aquisição anunciada recentemente de quatro instalações agrícolas do fundo Patria por R$136 milhões.

Ainda assim, os investimentos ficarão abaixo dos históricos R$1,9 bilhão registrados em 2025, quando a empresa anunciou a construção de uma indústria de biodiesel em Paranaguá (PR) e fez aportes em uma planta de etanol de milho, que deverá entrar em operação ao final deste ano.

Os investimentos de 2025 também foram direcionados à expansão da cooperativa para o Mato Grosso do Sul, além da modernização da infraestrutura.

(Por Roberto Samora)

Fonte: Reuters

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