Soja perde até R$ 6 por saca no Brasil com Chicago fechando no limite de baixa e dólar em queda forte

Publicado em 16/03/2026 15:57
Mercado esteve intenso e passou hoje por uma intensa venda de posições na CBOT

Os preços da soja fecharam o dia com limite de baixa na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (16). Os dois primeiros vencimentos entre os mais negociados fecharam o pregão despencando 70 pontos, com o maio valendo US$ 11,55 e o julho, US$ 11,67 por bushel. Como já adiantado pelo analista de mercado da Agrinvest Commodities e da Marex, Eduardo Vanin, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, na TV Notícias Agrícolas, atenção ainda aos spreads e ao contrato setembro - mais longo - ficando mais barato do que o spot. Este último encerrando a sessão com US$ 11,22 por bushel.

Reveja sua entrevista:

"O mercado acompanha de perto o encontro de Bessent e He Lifeng, assim como declarações de Trump que podem afastar sua visita à uma rodada de realizações, após ter voltado a patamares acima de US$ 12,00 por bushel e acumulado um volume recorde de posições compradas", informou a equipe da Agrinvest Commodities. 

Nesta semana, as delegações de China e EUA que estão reunidas em Paris buscam concluir essa fase das negociações, com um foco expressivo em acordos agrícolas, antes da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping que acontece em abril, na nação asiática. Todavia, a Casa Branca informou na tarde desta segunda-feira que, apesar da reunião não estar em risco, pode ser adiada. 

Além dos futuros do grão, caíram também as cotações do óleo e do farelo de soja na CBOT, com o óleo liderando as perdas. 

Ainda olhando para as bolsas internacionais, os futuros do petróleo também operam do lado negativo da tabela, mas com baixas tímidas frente aos ganhos das últimas sessões. 

O mercado passa por um momento forte de ajustes, mesmo diante da continuidade dos conflitos no Oriente Médio. "O fechamento do Estreito de Ormuz está provocando a maior interrupção já registrada no mercado global de energia. Com ataques a navios, drones e minas marítimas, levando a cortes massivos de produção no Oriente Médio e alta de até 60% nos preços de energia. Mesmo que EUA e Israel declarem o fim do conflito, analistas avaliam que o Irã terá influência decisiva sobre a retomada da navegação e da produção, já que a segurança das rotas marítimas continua incerta", informa o Grupo Labhoro. 

MERCADO BRASILEIRO COM BAIXAS FORTES TAMBÉM

No interior do Brasil, os preços também caíram forte, bem como nos portos, já que além do limite de baixa em Chicago e dos prêmios pressionados, as referências sentiram também a queda do dólar frente ao real. A moeda americana perde quase 2% frente a brasileira, que volta a operar mais próxima dos R$ 5,20 e pesa sobre os preços. 

Segundo relata o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal, os preços na região da BR-163 perderam de R$ 3,00 a R$ 4,00 por saca. Alguns produtores relataram ao Notícias Agrícolas um recuo de até R$ 5,00 no ambiente desta segunda-feira, de pressão vinda de todas as frentes do mercado. 

Na região de Sinop/MT, os preços tinham indicadores na casa dos R$ 106,50 na última sexta-feira, e hoje a referência já voltava aos R$ 102,00. 

E como explicou o analista de mercado e diretor da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, esta queda tão intensa registrada na Bolsa de Chicago chega a tirar até R$ 6,00 por saca nos preços no mercado brasileiro. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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