Soja recupera fôlego em Chicago após encerramento do ano financeiro no Brasil e cotações operam no azul nesta sexta-feira (01)
Após uma semana de intensa volatilidade, os preços da soja operam em campo positivo nesta sexta-feira (01) na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato maio/26 trabalha a US$ 11,85/bushel, com alta de 3,5 pontos, enquanto os vencimentos futuros registram ganhos mais expressivos: o julho/26 é negociado a US$ 12,01 e o agosto/26 a US$ 11,95. O movimento de recuperação técnica ocorre logo após o fechamento do ano-safra brasileiro (30/04), período que forçou muitos produtores a participarem do mercado para honrar compromissos financeiros, mesmo diante de preços pouco atrativos e um câmbio menos favorável, com o dólar operando na casa dos R$ 4,95.
De acordo com Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, o cenário é atípico e reflete o momento delicado do setor. "Essa virada de mês é triste pela situação que vivemos. O dia 30 de abril marca um momento complicado para o agronegócio, com margens muito apertadas e uma crise que se agrava. Normalmente, o final da colheita já é marcado por preços menores, mas as vendas realizadas este ano ocorreram estritamente por necessidade", pontua o especialista.
Com cerca de 60% da safra 25/26 comercializada, a expectativa agora se volta para uma possível melhora nas cotações no segundo semestre. Palavro destaca que a agenda política brasileira, devido ao período eleitoral, deve trazer uma nova onda de volatilidade cambial, o que pode favorecer a receita do exportador. A recomendação do especialista é que o produtor mantenha o foco no desenvolvimento da safra americana e na evolução dos prêmios de exportação. Além disso, o alerta climático permanece ligado, já que a possível influência do fenômeno El Niño no horizonte pode trazer temperaturas elevadas e novos desafios produtivos para o próximo ciclo.