Soja dispara mais de 20 pontos em Chicago e renova máximas em nove semanas nesta 2ª feira
Os contratos futuros da soja operam em forte valorização na Bolsa de Chicago e intensificam o movimento na tarde desta segunda-feira (20), rompendo barreiras técnicas e consolidando-se firmemente acima dos US$ 12,10 por bushel. Impulsionada por uma combinação de forte demanda externa, tensões geopolíticas e o suporte vindo dos mercados de energia, outros grãos e derivados - liderados pelo farelo, que sobe mais de 2% -, a oleaginosa acelerou os ganhos nesta segunda-feira (20), registrando altas expressivas que superam os 20 pontos nos principais vencimentos.
As posições mais negociadas, por volta de 12h50 (horário de Brasília), subiam entre 23,50 e 24,75 pontos, levando o novembro a US$ 12,27 e o janeiro a US$ 12,41 por bushel.
DEMANDA CHINESA E CLIMA NO CORN BELT
O mercado reagiu com forte otimismo à retomada de uma demanda firme por parte da China, que voltou a fechar grandes volumes norte-americanos da oleaginosa nos últimos dias, gerando um fluxo comprador técnico nas posições futuras. Nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou mais uma venda de 374 mil toneladas de soja 2026/27, sendo 264 mil toneladas para a China e 110 mil para destinos não revelados.
Além disso, as incertezas climáticas no Corn Belt dos Estados Unidos continuam sob os holofotes. A soja aproveitou o embalo e subiu na esteira dos vizinhos milho e trigo, que operam com valorizações expressivas diante das preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras americanas e em outras partes do mundo, sobretudo na Europa por conta do calor intenso.
GEOPOLÍTICA E PETRÓLEO NO RADAR
Paralelamente, a intensificação das preocupações com o quadro geopolítico global dá sustentação adicional às commodities.
"No Oriente Médio, o conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar durante o fim de semana, com novos ataques contra instalações militares e de energia na região do Golfo, enquanto o Estreito de Ormuz permanece fechado ao tráfego marítimo, aumentando as preocupações com o abastecimento global de petróleo", informa o Grupo Labhoro.
Ainda segundo a consultoria, "ao mesmo tempo, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua afetando a logística de exportação no Mar Negro. A Ucrânia segue atacando embarcações no Mar de Azov, restringindo o fluxo de aproximadamente 25% a 30% das exportações russas de trigo, enquanto a Rússia manteve ataques com drones e mísseis contra Kiev e Odessa. Os danos à infraestrutura portuária e as dificuldades logísticas já levam importadores de trigo e milho a buscar origens alternativas ao Mar Negro".