No melhor momento do ano, preços da soja testam R$ 162/sc nos portos com Chicago, prêmios e dólar; momento é de venda

Publicado em 23/07/2026 17:13

O mercado da soja registrou mais uma sessão positiva na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (23) e, apesar dos ganhos terem perdido parte da força durante o dia, ainda fechou o dia em campo positivo. Os futuros da oleaginosa fecharam o pregão subindo entre 4,25 e 5 pontos, levando o agosto a US$ 12,37 e o novembro a US$ 12,43 por bushel, renovando suas máximas em dois meses. 

Neste ambiente de altas em Chicago, composto ainda por prêmios que seguem fortalecidos, acima de US$ 1,00 por bushel para a soja disponível e uma retomada das altas do dólar nesta quinta, os preços permanecem firmes também no mercado brasileiro, motivando novos negócios tanto de soja da safra velha, quanto da safra nova. 

"É uma semana de cavalinho encilhado, mercado de porto fluindo, negócios fluindo e girando muitos volumes tanto de safra velha, quanto nova. É o melhor momento do ano, comparado ao mesmo período do ano passado temos US$ 2,00 acima de Chicago, estamos no melhor momento em quase três anos nas cotações. Então, quem faz barter está fazendo barter, quem faz opção está buscando esta estratégia, as posições da safra brasileira acima dos US$ 12,50 e o ambiente é bom", afirma Vlamir Brandalizze.

O consultor de mercado da Brandalizze Consulting afirma que não adianta o produtor apenas ficar especulando, uma vez que os fatores que hoje puxam forte as cotações na CBOT podem mudar rapidamente e levar embora as oportunidades que se apresentam no mercado nacional. "Vamos fechar mais uma semana excelente de negócios", diz. 

Nesta quinta-feira, as referências no porto de Rio Grande voltaram a renovar bons indicativos, ainda variando entre R$ 153,00 e R$ 162,00 por saca, a depender dos prazos de entrega e pagamento para a soja 2026. Já para a soja 2027, os indicativos variam de R$ 142,00 a R$ 148,00 por saca, também a depender dos períodos de pagamento e entrega. 

"Estamos atrasados na comercialização (da safra 2026/27) e vamos ter muita gente tendo que vender soja na boca da colheita, novamente aquele velho fator de pressão de baixa na colheita. Então, o produtor está em um momento adequado. Garanta, pelo menos, as contas para não ter que vender pelo menos até o meio do ano. Aí, o mercado já é outro e o produtor mantém média de rentabilidade", complementa Brandalizze. 

O AVANÇO CONTÍNUO EM CHICAGO   

Por mais uma vez, as commodities agrícolas foram influenciadas pelo cenário externo e pela geopolítica turbulenta, com notícias que chegam dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e Irã e EUA ainda preocupando, puxando os preços do petróleo com fortes altas e levando o barril do brent a voltar a testar os US$ 100,00 por barril novamente, o que acontece pela primeira vez desde maio.

Do mesmo modo, os preços refletiram também a boa demanda pela soja norte-americana confirmados pelo boletim semanal de vendas semanais para exportação reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e também o clima preocupando pelo calor intenso no Corn Belt. 

Na semana encerrada em 16 de julho, as vendas da safra 2025/26  dos EUA foram de 56,4 mil toneladas. O resultado ficou dentro do intervalo projetado pelo mercado, que variava entre um cancelamento/redução de 200 mil TM e vendas de até 400 mil. Já da safra 2026/27, as vendas da nova temporada atingiram 1,537 milhão de toneladas, alinhadas com as estimativas dos analistas, que esperavam volumes entre 1,0 e 1,8 milhão. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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