Soja dispara no Brasil, negócios superam 5 mi de t e preços seguem nos melhores níveis do ano

Publicado em 24/07/2026 15:56 e atualizado em 24/07/2026 16:36
Chicago em alta e prêmios firmes impulsionam preços e portos superam os R$ 150/sc nos contratos mais curtos

O Brasil vai concluindo a semana com mais de cinco milhões de toneladas de soja entre safra nova e safra velha, afirma o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. Os números refletem o produtor brasileiro aproveitando as oportunidades para as duas temporadas e avançando com a comercialização. 

"Os preços continuam dentro do melhor momento do ano, com as referências de R$ 149,50 a R$ 153,00 nas posições de agosto a outubro, novembro. O pessoal aproveitou, o mercado de balcão subiu, o prêmio está acima de 100 pontos em praticamente todos os vencimentos mais curtos, então o ambiente da soja tem melhorado", afirma. Os levantamentos desta semana da Brandalizze Consulting apontavam que a soja entregue em novembro com pagamento para maio/27 já sinaliza indicativos na casa dos R$ 160,00 por saca no porto de Rio Grande. 

As cotações foram motivadas pela disparada dos futuros na Bolsa de Chicago, que se consolidaram forte acima dos US$ 12,30, até US$ 12,60 em alguns contratos, refletindo uma combinação de fatores técnicos e fundamentais, incluindo o clima nos EUA, a demanda chinesa e as guerras Rússia x Ucrânia e Irã x EUA. Os dois conflitos registraram uma escalada forte e agressiva das tensões, trazendo volatilidade aos mercados de uma forma geral, mais fortemente sobre o petróleo, chegando ao complexo soja na CBOT.

Na semana, o contrato agosto acumulou uma alta de 3,49% para fechar com US$ 12,46 por bushel; o novembro 4,07% para US$ 12,52 e o janeiro a US$ 12,65, com ganho de 4,03%. 

A movimentação foi determinante para a valorização contínua das cotações no mercado brasileiro, ao lado do dólar com variações bastante contidas e dos prêmios fortalecidos - de 105 a 135 pontos nos vencimentos mais próximos, entre agosto e outubro -  para a soja disponível. Assim, não subiram só os preços nos portos, mas também no mercado de balcão, ainda como explica Brandalizze. Na região das Missões Gaúchas, a sexta-feira marcou R$ 126,00 por saca, enquanto nas proximidades do porto de Rio Grande os valores variaram de R$ 130,00a R$ 132,00. 

"Na média, os preços no mercado de balcão subiram de R$ 3,00 a R$ 5,00, em alguns casos até mais. No barter também houve boas oportunidades, muitos negócios acontecendo", relata o consultor. 

OS GANHOS DE CHICAGO

Somente nesta sexta-feira, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago subiram de 8 a 9,25 pontos nos principais vencimentos, depois de ter testado os dois lados da tabela ao longo da sessão. 

O mercado continua encontrando suporte na valorização dos derivados, hoje em especial do farelo, que concluiu o pregão com mais de 1% de alta na CBOT, na preocupação com o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos durante uma fase decisiva do ciclo e no reposicionamento técnico dos fundos.

Embora boa parte das áreas produtoras tenha recebido chuvas nas últimas semanas, há preocupação com temperaturas elevadas e a possibilidade de redução da umidade em algumas regiões durante o período de enchimento de grãos, etapa considerada determinante para a definição do potencial produtivo da safra norte-americana.

No campo da demanda, os investidores permanecem atentos ao ritmo das exportações dos Estados Unidos e às compras chinesas. Embora ainda não haja novidades expressivas nesta sexta-feira, qualquer confirmação de novos negócios poderá reforçar o movimento altista, especialmente em um momento em que os fundos ampliam suas posições compradas diante da melhora do cenário técnico do mercado.

Após renovar máximas recentes ao longo da semana, Chicago entra na última sessão semanal sustentada por um conjunto de fatores que combina fundamentos positivos e compras técnicas. A expectativa dos participantes agora permanece voltada para a evolução do clima nos Estados Unidos nas próximas semanas, fator que deverá continuar ditando o comportamento das cotações durante o restante de julho e o início de agosto.

"A perspectiva de clima quente e seco no Meio-Oeste continua animando os compradores, aumentando as preocupações com a potencial perda de produtividade, visto que a safra de soja se aproxima da fase crítica de formação e enchimento das vagens em agosto. Com os estoques de soja dos EUA já projetados para diminuir no próximo ano em meio à forte demanda, menores rendimentos apertariam ainda mais o equilíbrio entre oferta e demanda", afirmam os analistas de mercado do portal internacional Farm Futures. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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