Soja tem mercado físico firme no Brasil neste começo de agosto, com dólar em alta e Chicago voltando a subir

Publicado em 03/08/2026 17:34
Recuperação da CBOT, novas compras da China e valorização do óleo de soja reforçam sustentação

Soja acompanha alta dos grãos em Chicago, encontra suporte na demanda e no óleo, enquanto mercado físico brasileiro segue firme com dólar em alta

A soja inverteu o sinal e fechou o dia em alta na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (3). Os futuros da oleaginosa foram sustentados por uma combinação de fatores positivos que envolveram tanto o cenário externo quanto os fundamentos. O mercado acompanhou o forte avanço do milho e do trigo, ao mesmo tempo em que encontrou suporte na continuidade da demanda aquecida pela soja norte-americana e na expressiva valorização do óleo de soja, que encerrou o pregão com quase 2% de avanço nesta segunda.

Nas principais posições, os preços subiram de 3 a 5,75 pontos, com o novembro valendo US$ 11,92 e o janeiro/27, US$ 12,07 por bushel. 

No Brasil, o mercado físico voltou a registrar preços sustentados nas principais regiões produtoras e nos portos, mesmo diante da proximidade da entrada de um maior volume da nova temporada de comercialização. "A soja disponível está firme, negócios sendo reportados entre R$ 139,00 na última semana e hoje nos R$ 140,00 por saca em Goiás", afirma a Agrinvest Commodities. 

Além do suporte vindo da recuperação das cotações em Chicago, o mercado interno encontrou um importante aliado na valorização do dólar frente ao real. A alta da moeda norte-americana melhora a paridade de exportação, aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado internacional e permite que compradores elevem os prêmios e as indicações de compra nos portos.

No entanto, apesar do cenário cambial favorável e de preços que refletem ainda patamares atrativos para novos negócios, há uma postura cautelosa dos produtores brasileiros, que seguem comercializando de forma bastante seletiva. Além disso, muitos negócios foram efetivados nas semanas passadas, quando Chicago disparou e se somou a prêmios bastante fortalecidos no Brasil. 

Do lado da demanda, exportadores permanecem ativos na originação diante do bom ritmo dos embarques e da continuidade do interesse internacional pela soja brasileira, enquanto a indústria também segue presente nas negociações para garantir matéria-prima para o esmagamento. Porém, as margens bastante apertadas deixam as esmagadoras em alerta diante de valores mais elevados. 

Com isso, o mercado físico continua demonstrando resiliência, mantendo preços firmes em diversas praças do país. A combinação entre dólar valorizado, demanda consistente e oferta ainda relativamente restrita segue limitando movimentos de baixa, mesmo em um ambiente de expectativa por uma grande safra nos Estados Unidos e de ampla oferta global.

A soja brasileira nos principais estados produtores já se encontra mais cara do que o produto norte-americano para a China neste momento, como analisou o estrategista sênior de agricultura da Marex e diretor Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio no Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (3). Enquanto a soja do Golfo dos Estados Unidos foi negociada com prêmios perto de 300 centavos por bushel, para entrega em novembro posto China, as cotações nas principais regiões produtoras do Brasil ultrapassaram esses patamares.

O analista apontou que estados como Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná estão com a soja brasileira negociada acima disso, e que um dos destaques é o de Goiás, onde os valores atingiram a casa de 350 centavos por bushel acima dos valores praticados na Bolsa de Chicago, tornando-se uma das origens mais caras do mundo entre os grandes exportadores.

Reveja sua entrevista no Bom Dia Agronegócio desta segunda-feira:

OS LEVES GANHOS DE CHICAGO

O movimento positivo dos grãos foi liderado pelo trigo, que voltou a incorporar um prêmio de risco diante da escalada das tensões na região do Mar Negro. O milho respondeu com ganhos próximos de 2%, refletindo preocupações com o abastecimento global de cereais, e acabou oferecendo sustentação também à soja, em um ambiente de maior apetite dos investidores pelas commodities agrícolas.

Embora o avanço da oleaginosa tenha sido mais moderado, o mercado encontrou espaço para recuperação ao longo da sessão, apoiado ainda pelo bom ritmo da demanda externa pelos Estados Unidos. As exportações norte-americanas seguem mostrando vigor neste início da temporada comercial, reforçando a percepção de que a competitividade da soja dos EUA permanece elevada no mercado internacional

Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou uma nova venda de mais de 624 mil toneladas de soja da safra 2026/27, sendo 488 mil toneladas para a China.

Outro importante fator de sustentação veio do complexo soja. O óleo de soja registrou alta próxima de 2% em Chicago, impulsionado pela valorização dos óleos vegetais e pelas expectativas envolvendo o setor de biocombustíveis. 

Apesar da reação positiva desta segunda-feira, os operadores seguem monitorando as condições climáticas no Meio-Oeste norte-americano. A expectativa de uma safra cheia nos Estados Unidos continua limitando movimentos mais expressivos de alta, uma vez que a oferta potencial permanece elevada para a temporada 2026/27.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Soja tem mercado físico firme no Brasil neste começo de agosto, com dólar em alta e Chicago voltando a subir
StoneX vê aumento de 0,76% na área de soja do Brasil em 26/27 e possível novo recorde
China compra mais 488 mil t de soja 26/27 dos EUA, informa USDA nesta 2ª feira
Soja/Cepea: Cotações recuam no fim de julho; médias são as maiores de 2026
Soja abre agosto em queda na Bolsa de Chicago com clima favorável nos EUA e pressão do petróleo
Compradores chineses adquirem soja dos EUA para embarques em outubro e novembro, dizem traders