Soja recua em Chicago com safra dos EUA consolidando bom potencial; petróleo e óleo limitam perdas

Publicado em 04/08/2026 07:48
USDA manteve em 63% a classificação das lavouras entre boas e excelentes e mercado se ajusta

O mercado da soja voltou a recuar na Bolsa de Chicago e opera com leves baixas na manhã desta terça-feira (4), em um movimento de realização e ajuste técnico após os ganhos da sessão anterior. Os futuros da oleaginosa são pressionados pela manutenção das boas perspectivas para a safra norte-americana, reforçadas pelo último relatório semanal de acompanhamento de lavouras divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no final da tarde de ontem. As perdas do farelo de soja também pesam sobre as cotações.

Perto de 7h30 (horário de Brasília), as baixas eram de pouco de mais de cinco pontos nos contratos mais negociados, levando o novembro a US$ 11,87 e o janeiro a US$ 12,01 por bushel. 

O reporte do USDA manteve em 63% o percentual das lavouras de soja classificadas entre boas e excelentes, resultado que veio em linha com as expectativas do mercado e reforçou o cenário de oferta confortável para a nova safra. Além disso, o órgão informou que 88% das áreas já estão em fase de florescimento e 62% apresentam formação de vagens, ambos os índices acima da média histórica para o período.

A manutenção da qualidade das lavouras reduz parte do prêmio climático que vinha sendo incorporado às cotações nas últimas semanas. Com o desenvolvimento das plantas avançando de forma satisfatória nas principais regiões produtoras do Meio-Oeste, os investidores seguem monitorando as previsões meteorológicas em busca de eventuais mudanças que possam comprometer o enchimento das vagens durante agosto, mês considerado decisivo para a definição do potencial produtivo da cultura.

Até aqui, porém, os modelos climáticos indicam condições adequadas para o desenvolvimento das lavouras, com melhores chuvas sendo esperadas para os próximos dias, apesar das altas temperaturas que também são aguardas para o Corn Belt. 

Previsão de chuvas para os EUA nos próximos 7 dias - Mapa: NOAA

Outro fator de pressão vem do mercado de derivados. Os contratos futuros do farelo voltam a recuar nesta terça-feira, limitando o desempenho do complexo, também refletindo expectativas de ampla disponibilidade de oferta. 

Por outro lado, as baixas da oleaginosa encontram suporte importante nas valorizações do óleo de soja e do petróleo. A recuperação do mercado de energia melhora a competitividade dos biocombustíveis e tende a fortalecer a demanda por óleos vegetais. 

Além disso, o mercado continua atento à demanda internacional. As recentes compras de soja norte-americana pela China - sendo somente ontem de 488 mil toneladas da oleaginosa da safra 2026/27 - ajudaram a reduzir parte das preocupações com o ritmo das exportações dos Estados Unidos.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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