China segue impulsionando vendas de soja da safra nova dos EUA, mas volume não deve exceder acordo
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou o relatório de vendas semanais para exportação referente à semana encerrada em 6 de agosto de 2026 e, por mais uma semana, o grande destaque do período foi a forte movimentação nas vendas de soja para a safra nova, amplamente impulsionada pelas compras chinesas. O milho também apresentou desempenho sólido, enquanto o trigo registrou desaceleração.
"O relatório desta quinta-feira mostrou vendas de exportação dos EUA em geral modestas em comparação com as expectativas. Em relação aos níveis históricos recentes, porém, as vendas semanais de soja da nova safra têm sido indiscutivelmente mais expressivas do que as de milho da nova safra nas últimas semanas", afirma a analista chefe de mercado da Zaner Ag hedge, Karen Braun.
SOJA E A FORÇA DA CHINA NOS EUA
As vendas semanais de soja da safra 2026/27 foram de 1,759 milhão de toneladas, dentro das expectativas do mercado de 1,5 milhão a 1,9 milhão de toneladas. A China respondeu pela maior parte - 1,446 milhão - e segue representando uma força importante no mercado norte-americano.
Nesta quinta, o USDA informou mais uma venda de 125 mil toneladas, sendo este o terceiro anúncio da semana, os quais somam 505 mil toneladas.
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Da safra 2025/26, os EUA venderam 75,1 mil toneladas de soja, também dentro das expectativas do mercado, que variavam do cancelamento de 200 mil toneladas a vendas de 300 mil. E neste caso, os chineses também se destacaram como os principais compradores da oleaginosa norte-americana.
A presença da China no mercado norte-americano tem chamado bastante atenção nas últimas semanas, porém, analistas afirmam que o ritmo é condizente com o atendimento ao acordo firmado com os Estados Unidos meses atrás - a compra de 25 milhões de toneladas.
"Olhando o histórico e o atual ritmo de compras chinês, apesar de ter se intensificado nas últimas semanas, é um ritmo que nos mostra que os chineses estão vindo para cumprir o acordo. E não vimos um ritmo para que eles venham a comprar algo como 30 a 35 milhões de toneladas ainda. Então, a não ser que vejamos a China com um comportamento muito mais agressivo de agora em diante nos EUA, provavelmente, devemos ver a China cumprindo o acordo e estes números do USDA sendo bem razoáveis", explica Pedro Vasconcelos, analista de mercado da Pátria Agronegócios.
Todavia, o especialista destaca ainda a dinâmica intensa do mercado e mudanças que poderiam ser observadas. "Não descarto a China comprar além do acordo, mas, no atual momento, é um ritmo que vão apenas cumpri-lo, sem um potencial muito maior do que isso".
A análise é compartilhada pelo diretor geral do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa. "São 25 milhões de toneladas que os chineses prometeram comprar dos EUA, estão comprando por lá que os prêmios por aqui na faixa dos 160 (centavos de dólar por bushel acima de Chicago) deixa a soja aqui mais cara", diz.
"No período do final de outubro, novembro e dezembro eles vão comprar dos Estados Unidos porque o prêmio estará mais barato. Mas, a partir de janeiro, quando começa a entrar a safra do Mato Grosso, vemos os prêmios para março entre 5 e 10 de alta, mas nada muito excepcional em relação a anos anteriores. Então, eu vejo que a grande chance do produtor brasileiro está aí. O mercado vai oferecer oportunidade e ela deve ser aproveitada", complementa Sousa.
MILHO
Já as vendas semanais de milho registraram números firmes tanto no ciclo atual quanto nos compromissos futuros. Da safra velha, as vendas foram de 410,7 mil toneladas - acima do esperado - e a Espanha foi o principal destino do cereal norte-americano. As expectativas do mercado estavam entre o cancelamento de 100 mil e vendas de 400 mil toneladas.
Da safra 2026/27, os EUA venderam 924,5 mil toneladas de milho, contra expectativas de 800 mil a 1,4 milhão de toneladas. O México foi o principal destino.