Setembro abre nova janela para a soja e reforça importância do manejo antecipado da ferrugem

Publicado em 28/08/2026 12:52
Com o fim gradual do vazio sanitário em importantes regiões produtoras, planejamento da semeadura, monitoramento e definição antecipada do programa de fungicidas ganham peso para a safra 2026/27

Setembro marca uma virada importante no calendário da soja brasileira. Ao longo do mês, o vazio sanitário chega ao fim em diferentes regiões produtoras e a semeadura da safra 2026/27 começa a ser autorizada. Em Mato Grosso, por exemplo, o plantio pode começar em 7 de setembro; em Mato Grosso do Sul, no dia 16; e, em Goiás, a partir do dia 25. Em outras regiões, como Minas Gerais e Distrito Federal, a liberação ocorre em 1º de outubro, conforme calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A entrada das máquinas no campo, porém, não deve representar o ponto de partida para o manejo de uma das principais ameaças à cultura: a ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. “O manejo da doença começa ainda na entressafra, com a eliminação das plantas voluntárias de soja, conhecidas como tigueras ou guaxas, e passa por decisões tomadas antes mesmo da implantação da lavoura”, explica Paulo Moraes Gonçalves, engenheiro agrônomo da Ourofino Agrociência.

O vazio sanitário tem justamente a função de reduzir a sobrevivência do fungo entre uma safra e outra, diminuindo a quantidade de inóculo disponível no ambiente e contribuindo para retardar a entrada da doença nas lavouras. Mas essa é apenas uma das ferramentas do manejo. Entre as estratégias recomendadas pela Embrapa estão também a semeadura no início da época indicada para cada região, o uso de cultivares precoces quando adequado, o monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento e o uso preventivo de fungicidas.

“A liberação do calendário de semeadura não pode ser vista como o marco zero do manejo. Quando o produtor entra no campo, várias decisões que terão impacto sobre a ferrugem já deveriam estar tomadas. É preciso chegar ao plantio sabendo quando semear, como será feito o monitoramento e qual estratégia será adotada caso a doença avance na região”, afirma Paulo. 

Quanto mais tarde o plantio, maior pode ser a pressão

O momento escolhido para a semeadura ganha importância porque a quantidade de inóculo disponível tende a aumentar à medida que a safra avança. Nas áreas implantadas no início da época recomendada, há maior possibilidade de a cultura avançar em seu ciclo antes que a ferrugem esteja amplamente disseminada na região. Já as lavouras semeadas mais tarde podem encontrar maior presença de esporos do fungo e, consequentemente, exigir atenção antecipada ao controle. A própria Embrapa destaca esse efeito em publicação técnica divulgada este ano. 

“Isso não significa simplesmente plantar o mais cedo possível, já que a decisão deve respeitar o calendário oficial e considerar as condições de umidade do solo, o ambiente de produção e as recomendações agronômicas de cada região. O ponto-chave é aproveitar estrategicamente a janela de semeadura”, explica Paulo.

Ao mesmo tempo, o agricultor deve acompanhar as ocorrências regionais da ferrugem, inclusive por ferramentas como o Consórcio Antiferrugem, que reúne informações sobre a dispersão da doença no país.

Decisão não deve esperar pelo aparecimento dos sintomas

Na safra 2025/26, uma rede de 23 instituições realizou 21 experimentos para avaliar a eficácia de fungicidas no controle da ferrugem-asiática. Os resultados, publicados em 2026, reforçam que os programas de controle devem considerar a época de semeadura e priorizar a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação. A publicação também recomenda evitar aplicações sequenciais e de forma curativa, estratégia importante diante das mudanças de sensibilidade do fungo observadas ao longo das safras.

“Esperar a visualização dos sintomas para começar a construir a estratégia deixa o produtor em uma posição muito mais reativa. O ideal é que ele já tenha um programa planejado e use o monitoramento da própria lavoura e das ocorrências na região para ajustar as decisões. Fungicida é uma ferramenta fundamental, mas funciona melhor quando inserido em um manejo construído desde antes do plantio”, ressalta Paulo.

Dentro desse planejamento, a Ourofino Agrociência conta com o Dotte®, fungicida sistêmico registrado para o controle da ferrugem-asiática e de manchas na soja. A solução combina protioconazol e picoxistrobina, ingredientes ativos com diferentes mecanismos de ação, e tem posicionamento preventivo em relação ao aparecimento dos sintomas. A formulação também foi desenvolvida para proporcionar fixação foliar, absorção gradual e tolerância à chuva.

“Mais importante do que escolher um produto isoladamente é entender onde cada tecnologia entra no programa. O objetivo é chegar ao período de maior risco com a lavoura protegida, e não começar a tomar decisões quando a doença já está instalada”, reforça Paulo. 

Fonte: Ouro Fino

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