Soja recua levemente em Chicago nesta 2ª feira, mas clima nos EUA e demanda ainda dão suporte

Publicado em 31/08/2026 07:40
Pressão vem dos derivados e também do trigo

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam com leves baixas nesta segunda-feira (31), em um movimento de ajustes após os ganhos recentes e intensos das últimas sessões. Apesar da pressão pontual, o mercado segue encontrando sustentação nas preocupações com o clima nos Estados Unidos, nas expectativas de demanda e no cenário geopolítico internacional.

Assim, os vencimentos mais longos seguem acima dos US$ 13,00 por bushel, com o março valendo US$ 13,04 e o maio, US$ 13,08 por bushel. O mercado do grão acompanha as perdas que se observam no óleo, no farelo e no trigo neste início de semana, com os negócios também se ajustando após a última semana ter sido bastante volátil para as agrícolas. 

Mais cedo, o mercado trabalhava com ligeiros ganhos na CBOT, mas a  movimentação perdeu força ao longo da manhã, especialmente entre os contratos mais negociados da oleaginosa.

Um dos principais fatores de sustentação para os grãos continua sendo o clima nos Estados Unidos. O calor extremo em algumas regiões e a falta de chuvas permanecem afetando áreas importantes do cinturão produtor, especialmente nas Planícies e na metade sul do Meio-Oeste.

As previsões para os próximos dias mantêm temperaturas elevadas e precipitações abaixo da média em diversas regiões. Para a soja, o cenário chama atenção principalmente nesta reta final do desenvolvimento, diante da possibilidade de maturação acelerada e de aumento dos relatos de doenças nas lavouras.

Levantamentos recentes realizados em campo também vêm trazendo atenção para o potencial produtivo. O Crop Tour Grupo Labhoro–Notícias Agrícolas, por exemplo, registrou lavouras de soja e milho com comprometimentos produtivos em Illinois, apesar da boa aparência visual das plantas.

Assim, embora a oferta norte-americana continue sendo projetada em níveis elevados, o mercado começa a incorporar maior prêmio de risco climático para a definição da produtividade efetiva da safra.

Do lado da demanda, os traders continuam acompanhando de perto a possibilidade de novas compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos. Analistas estimam que a China já tenha garantido entre 11 milhões e 11,5 milhões de toneladas de soja norte-americana até o final de agosto. O movimento reforça as expectativas de que o país asiático possa ampliar a presença no mercado dos EUA, principalmente diante dos compromissos comerciais firmados entre Washington e Pequim.

Além disso, problemas climáticos registrados em regiões produtoras da própria China também estão no radar. O país enfrenta episódios de calor intenso e enchentes que ameaçam a qualidade e o rendimento de algumas culturas, cenário que pode contribuir para uma demanda mais firme por produtos agrícolas importados.

No cenário internacional, a continuidade dos ataques entre Rússia e Ucrânia mantém as preocupações com o fluxo de grãos pelo Mar Negro. Um ataque russo com drones neste fim de semana atingiu um armazém na região de Kiev, deixando dezenas de mortos e feridos e provocando danos à infraestrutura local. O episódio reforça a percepção de risco sobre a logística agrícola da região.

A possibilidade de novos obstáculos ao escoamento de grãos do Mar Negro pode levar importadores a buscar maior participação de fornecedores dos Estados Unidos e da América do Sul, oferecendo suporte adicional às commodities negociadas em Chicago.

Outro fator importante para a soja nesta segunda-feira é o comportamento de seus derivados, principalmente o óleo. O mercado acompanha a expectativa em torno de uma reunião do presidente Donald Trump com líderes das refinarias de petróleo dos Estados Unidos, marcada para esta terça-feira. O encontro ocorre em meio às discussões sobre as isenções para pequenas refinarias, conhecidas como SREs, e seus possíveis impactos sobre a demanda por biocombustíveis.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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