Produtor deve se preparar para potencial ataque intenso de mosca-branca na soja, recomenda pesquisador
Mestre e doutor em agronomia, vinculado à consultoria Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS), o pesquisador Germison Tomquelski chama a atenção para prováveis condições favoráveis à infestação da mosca-branca (Bemisia tabaci) na safra de soja 2026-27. “Recomendamos que o produtor se prepare, monitore a lavoura e entre com inseticidas no momento certo, no início das infestações, ou poderá ter prejuízos ao longo do ciclo da cultura”, ele ressalta.
Atuante em toda a fronteira agrícola nacional, a Desafios Agro é uma empresa de alta credibilidade nas áreas de pesquisa agropecuária, integração lavoura-pecuária, projetos técnicos, assistência técnica, palestras e treinamentos. Está sediada também nas cidades sul-mato-grossenses de São Gabriel do Oeste, Bandeirantes e na capital Campo Grande.
De acordo com Tomquelski, a mosca-branca, não controlada, resulta em prejuízos de 10% a 70% à produção de soja, algo em torno de cinco a 30 sacas de soja por hectare nos dias de hoje.
“Faz muita diferença o produtor estar preparado, com produtos específicos à mão e entrar com o tratamento no momento correto. Caso contrário, tende a perder bastante para a praga”, acrescenta Tomquelski. Segundo o pesquisador, o monitoramento da lavoura constitui uma medida essencial ao êxito no controle da mosca-branca.
“Ideal aplicar inseticidas já na presença das primeiras ninfas na praga nos folíolos da soja, quando houver duas, três ninfas por folíolo. Importante observar também a cultura no pré-fechamento”, salienta o pesquisador.
“Acreditamos que será uma safra de mosca-branca, daí a necessidade de preparação para o enfrentamento”, reforça Tomquelski. O pesquisador lembra ainda que em anos anteriores, ante a presença da praga em níveis críticos, chegou a faltar no mercado inseticidas específicos para seu manejo. Caso da safra 2022-23, então, também, pressionada por efeitos do El Niño.
Eficácia de controle e cuidados no manejo
De acordo com Germison Tomquelski, a mosca-branca se situa hoje entre as três pragas mais importantes da agricultura brasileira. Não contida, ela excreta nas folhas uma substância açucarada capaz de potencializar o desenvolvimento da ‘fumagina’, fungo que reveste a folha da soja e inibe a fotossíntese, além de transmitir viroses que atrasam o crescimento da lavoura, reduzem o peso dos grãos e comprometem a colheita.
Germison Tomquelski foi um dos especialistas selecionados para o desenvolvimento do ingrediente ativo buprofezina no controle da mosca-branca. “Trata-se de um inseticida diferente, age sobre as formas jovens do inseto, principalmente ninfas e permite a quebra o ciclo da praga”, ele explica.
Conforme o pesquisador, a buprofezina apresentou indicadores de eficácia sobre a mosca-branca da ordem de 80%.
Ele salienta, porém, que a aplicação do inseticida, além de recomendada logo no início da infestação, deve ser feita independentemente do manejo de fungicidas. “Muitas vezes, o produtor faz uma reaplicação para mosca-branca com o mesmo intervalo do fungicida, assim não se quebra o ciclo da praga.”
Segundo o pesquisador, tem sido um erro comum produtores esperarem o momento de entrar com fungicida, visando o controle de doenças da soja, para também aplicar o inseticida para mosca-branca. “Esta é uma questão crucial para que se obtenha eficiência e bom resultado na contenção da praga.”