Farelo despenca mais de 3,5% em Chicago e soja amplia perdas para quase 20 pontos

Publicado em 18/09/2026 12:28
Realização após longa sequência de altas no derivado e mudanças na Argentina pesam sobre o grão

Os preços da soja ampliam as perdas na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (18) e passam a recuar quase 20 pontos nos contratos mais negociados. O novembro, por volta de 12h10 (horário de Brasília), perdia 19 pontos, ou 1,44%, cotado a US$ 13,00 por bushel, enquanto o março tinha 18,25 pontos de baixa para valer US$ 13,27.

A pressão mais forte, porém, vinha do farelo de soja. O contrato dezembro despencava 3,56%, negociado a US$ 358,10 por tonelada curta, com perda de US$ 13,20. O óleo de soja dezembro também operava no vermelho, com baixa de 0,85%, a 68,56 cents por libra-peso, no mesmo momento.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista de mercado e diretor da Royal Rural, o farelo passa por um movimento de realização depois de aproximadamente 35 dias de valorização. A força do derivado foi justamente um dos importantes pilares de sustentação da soja nas últimas semanas e, agora, a relação se inverte.

“Hoje não é uma coisa só. O farelo realiza depois de 35 dias de alta, aparece risco de aumento de oferta na Argentina, a colheita dos EUA avança melhor do que o mercado temia e a China ainda deixa o mercado esperando uma definição. Mas o peso principal, neste momento, vem da queda do farelo”, explica Fernandes.

A pressão vendedora também atingia outros grãos em Chicago. O milho dezembro recuava 0,75%, enquanto o trigo dezembro perdia 1,99%, reforçando o tom negativo do pregão.

ARGENTINA ADICIONA PRESSÃO AO FARELO

Além da realização técnica, o mercado começa a incorporar uma possível mudança importante na Argentina. O Senado argentino aprovou nesta semana um novo regime de biocombustíveis que prevê elevar de 7,5% para 10% a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel. A proposta recebeu 41 votos favoráveis e 25 contrários e ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados.

A mudança interessa diretamente ao complexo soja porque o biodiesel argentino utiliza principalmente óleo de soja como matéria-prima. Assim, uma demanda doméstica maior pelo óleo poderia estimular o esmagamento da oleaginosa no país, resultando em mais farelo disponível.

Segundo cálculos apresentados pela Royal Rural, no cenário máximo, o movimento poderia gerar cerca de 1,15 milhão de toneladas adicionais de farelo. Fernandes pondera, porém, que o volume não é automático, já que parte da nova demanda doméstica poderia ser atendida por óleo que já seria produzido e destinado à exportação.

Ainda assim, a possibilidade de aumento da oferta argentina surge justamente quando o farelo americano começa a devolver parte da forte valorização acumulada nas últimas semanas.

COLHEITA AMERICANA TAMBÉM PESA

Outro elemento de pressão vem do campo. A colheita da nova safra de soja dos Estados Unidos começou mais rapidamente do que o normal, reduzindo, ao menos por enquanto, parte das preocupações de que as chuvas pudessem atrasar de maneira mais significativa a entrada da oferta americana.

Até 13 de setembro, 6% da área de soja dos Estados Unidos estava colhida, contra 3% na média dos últimos cinco anos, segundo o último reporte semanal de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Além disso, 44% das lavouras já derrubavam folhas, ante 37% da média histórica.

O mercado acompanha agora as condições climáticas do Meio-Oeste, especialmente diante das previsões de chuvas mais intensas em algumas áreas. Uma nova fotografia sobre o avanço dos trabalhos será apresentada pelo USDA na próxima segunda-feira (21).

NA OUTRA PONTA, A CHINA

A China completa o quadro de atenção nesta sexta-feira. Pequim voltou a comprar soja norte-americana e o USDA confirmou nesta sexta uma nova venda de 111 mil toneladas para entrega na temporada 2026/27. Ainda assim, as compras não foram suficientes para neutralizar a pressão exercida pelos derivados e pela entrada da nova safra dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, traders continuam acompanhando as negociações entre Washington e Pequim em busca de novas sinalizações para o comércio agrícola.

Assim, na tela de Chicago, quem dá o tom da queda neste momento é o farelo. Depois de ajudar a sustentar a soja durante semanas, o derivado agora devolve parte dos ganhos e arrasta o grão junto.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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